Em To Let a Good Thing Die:

Popload Entrevista – Bruno Major, de quem Billie Eilish é fã

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* Para um músico de jazz, o guitarrista e compositor inglês Bruno Major até que estava bombando bem no pop quando o mundo era mundo, no periodo pré-histórico conhecido como Antes do Covid-19.

Dentre alguns fatos a serem realçados, ele tinha acompanhado como atração de abertura as turnês lotadas no Reino Unido e nos EUA do megastar Sam Smith. Apareceu atém em programas de TV, como o do famoso James Corden. E virou amigo do casal de irmãos Billie Eilish e Finneas, que têm mandado na música pop mundial, seja cantando, produzindo, fazendo incursões cinematográficas, ganhando prêmios, essas coisas.

No mês passado, Bruno Major lançou seu bonito segundo disco, “To Let a Good Thing Die”, que tem sua verve jazzística intactas, ok, mas abre espaço também suas influências decantadas na linha Kendrick Lamar e Radiohead, fora música em parceria com Finneas, ele mesmo. Estamos praticamente chamando esse álbum novo de “disco quase pop”, tamanha as possibilidades sonoras esticadas aqui e ali para todos os cantos e estilos.

O disco tem menos sua guitarra, mais sua voz delicada e íntima, que chega a ser bem reconfortante mesmo usada para musicar temas espinhudos. Ou nada fáceis.

Direto de Londres, Major conversou com a Popload por Zoom. E disse mais ou menos tudo isto aqui embaixo:

Popload – Você passou sua quarentena toda em Londres? Neste período trancafiado em casa, teve alguma utilidade na finalização de seu novo disco, “To Let a Good Thing Die”?
Bruno Major – Eu passei um bom tempo da pandemia trancado na casa dos meus pais, em Northampton, que fica uma hora de Londres, para o norte. Mas agora já estou em Londres.
O disco já estava praticamente pronto antes do lockdown ser decretado. A única coisa que a quarentena interferiu nele foi eu ficar pensando se deveria lançá-lo sem poder fazer show com as músicas novas. Mas precisamos entender os novos tempos. Tanto em casos particulares como o meu quanto para um senso coletivo bem maior nas transformações que estamos vivendo.

Popload – Já estive em Northampton uma vez, acho que para ver um show do Arctic Monkeys, pelo que me lembro. Como é o ambiente da cidade para um músico crescer nela? Ela é bem pequena, né?
Major –
Nossa, que azar o seu [Pelo Arctic Monkeys ou por ter ido a Northampton, Bruno?] Northampton não tem nada demais. Aprendi a tocar guitarra muito cedo, tipo quando criança mesmo, então a música para mim sempre foi inspiradora mais dentro de casa, mesmo [o irmão de Bruno, Dot Major, é integrante de uma banda indie inglesa até que conhecida, a London Grammar]. No máximo na escola. Então não teve muita influência da cidade na minha carreira.

Popload – Desde o primeiro disco você compõe letras confessionais, sobre corações partidos ou reflexões existenciais. E chegamos “To Let a Good Thing Die”, nome do álbum e da música que fecha ele. Você fala de experiências próprias, introspectivas? De onde vem o nome do disco, em particular?
Major –
“To Let a Good Thing Die”, pode não parecer, eu considero uma música alegre, a que deu nome ao disco. A mensagem é bonita, a de deixar uma coisa boa morrer para virem outras melhores. Eu sempre fui um cara sozinho, introspectivo, e a atmosfera de minhas composições vem de eu explorar sentimentos vividos ou imaginados, contar uma história disso. Gosto do caminho que minhas letras tomam a partir de alguma inspiração especial, seja de uma peça de Shakespeare ou de uma experiência amorosa frustrada.

Popload – A balada “The Most Beautiful Thing” é uma parceria com Finneas, irmão produtor da Billie Eilish. Como eles tiveram contato com sua música? Como foi fazer juntos essa canção?
Major –
Um dia recebi uma mensagem direta do Finneas numa rede social, pedindo para conversarmos. Que ele tinha se entusiasmado com minha música e que queria achar alguma forma para trabalharmos juntos. Queria que eu mandasse umas composições minhas para ele. Parece que foi a Billie que mostrou uma canção minha para ele num primeiro momento.
Ele tem um talento enorme, muito inteligente e com uma visão musical muito clara do que ele pretende. Fizemos duas músicas. “The Most Beautiful Thing” é uma delas e funcionou tão perfeitamente quando entramos em estúdio que já a botei no disco. Espero trabalhar mais vezes com ele.

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