Em top 50 da cena:

Top 50 da CENA – No ranking do textão, Rico Dalasam vai expresso ao primeiro lugar. Djonga traz o disco novo e o questionamento. Jadsa não para com as músicas incríveis. E muito mais

1 - cenatopo19

* Vamos sem enrolação ao Top 50 da CENA desta semana, porque, olha, escrevemos bastante desta vez. Nos empolgamos. Ao mesmo tempo que estamos muito sensíveis a tudo que nos acontece à volta. Tem textão para o primeiro lugar, além de outros bem maiores que os nossos tradicionais “recados” nas outras posições. É que os lançamentos da semana pediram. Várias músicas tocando em assuntos delicados em um passo de amadurecimento importante de muitos dos nossos artistas da CENA.

ricoquadrado

1 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (Estreia)
Dez anos atrás, artistas do universo LGBTQI+ sofriam muito mais com a invisibilidade do que ainda sofrem hoje. Rico Dalasam com certeza viu de perto parte da atitude de mudança no mercado. Nas TVs e festivais, de repente, todo o jogo estava mais receptivo a artistas antes ignorados. Talvez esse movimento tenha moldado positivamente muitas cabeças, derrubado muitos de nossos preconceitos, mas qual a efetividade dele no todo? Quantas empresas abraçaram essas mudanças de imagem sem abraçarem políticas efetivas de combate a nossa estrutura que marginaliza a população LGBTQI+, por exemplo? Por que passamos a comprar melhor, mas não passamos a votar melhor, para ficar em um só exemplo? Se no público a sensação desse processo já é nauseante – dada a óbvia falta de resultados práticos a partir de um mero “consumismo consciente” -, nos artistas LGBTQI+ a pancada é ainda maior: como pensar em arte nessa lógica que parece muito afeita a vender suas ideias, mas ao mesmo tempo pouco interessada nas consequências delas na transformação da sociedade e na defesa real de seus corpos? Ser artista ou um carreirista? Na briga com essa lógica, Rico, por exemplo, comprou tretas que com certeza não deixaram sua trajetória mais suave. Em 2019, escreveu com preocupação um texto na revista “Carta Capital” sobre algumas de suas aflições quanto a isso: “Nunca esteve tão próxima, e por que não dizer homogênea, a produção cultural que emancipa o povo da produção cultural comprometida em deter o povo”. Seu segundo álbum, esse “Dolores Dala Guardião do Alívio”, o primeiro em quase cinco anos, é um tanto sobre as consequências de passar por esse moedor de almas. Dá para sair mais forte na outra ponta da máquina? Em “Expresso Sudamericah”, por exemplo, Rico versa sobre ter quebrado “a régua que mede” seu talento, que soa como um recado a uma tentativa de moldá-lo em algo mais palatável para o grande consumo, e comenta sobre como seus sonhos gigantes vão muito além de ter hit. “Tô desenhando um coração/ Onde todo dia apagam um monte”, ele escreve antes de se jogar no belo refrão onde localiza sua luta não só no Brasil mas neste “Expresso Sudamericah”, o continente que muitas vezes esquecemos que é o nosso também. E, em um exercício de quebra da quarta parede, ainda no refrão, ele parece olhar para o ouvinte e dizer: “Alô, parceiro passageiro”. Estamos juntos, Rico.

2 – Jadsa – “Lian” (Estreia)
Parece que o disco mais importante da CENA brasileira no ano, aparentemente, está se formando aos poucos na nossa cara, para nossos ouvidos. Até o dia 26, quando “Olho de Vidro” finalmente sai. Dele, a cantora e guitarrista baiana Jadsa emplaca sua terceira música no nosso Top 50. “Lian”, o incrível novo single, tem a participação E É SOBRE Luiza Lian, cantora de SP, de um jeito que Jadsa dá uma espécie de continuação em seu projeto de fazer música boa e ao mesmo tempo referencial à música independente brasileira que já tínhamos observado em “Raio de Sol”, na sexta posição deste ranking.

3 – Djonga – “Eu” (Estreia)
Após ter feito um show durante a pandemia, Djonga teve que lidar com uma campanha de cancelamento brutal. Se por um lado dá para entender bem a decepção dos fãs, de outro é evidente que o revide que ele recebeu por seu erro é desproporcional em relação a sua luta. A perseguição intensa sofrida por Djonga parece casar mais com uma cobrança desnivelada causada em parte por nosso racismo estrutural, que obriga que a população negra precise ser dez, mil vezes melhor. Seu novo álbum, “Nu”, não versa só sobre esse assunto, mas é um tópico que parece estar pelas músicas todas e que foi mais bem resolvida em “Eu”, que tem no refrão o verso: “Humano demais pra ser tão bom pra você”. Como se o rapper mineiro quisesse dizer “Quem te fez tão bom assim?”, parafraseando Mano Brown numa certa música chamada “Negro Drama”.

4 – Lupe de Lupe – “Cabo Frio” (Estreia)
Segundo single da banda mineira, tirado do álbum “Trator”, previsto para sair em maio deste ano pela Balaclava, a faixa “Cabo Frio” não é tão polêmica quanto “Goiânia”, mas nem por isso é mais fácil ou simples. É um relato de dores complicadas de se encarar enquanto crescemos, aquela sensação de desconexão com o resto do mundo que todo mundo parece carregar um pouco em diferentes intensidades. Desta vez quem canta e ilustra a capa do single é Renan Benini.

5 – LEALL – “Pedro Bala” (1)
“Escupido a Machado” é o nome do primeiro álbum do rapper carioca LEALL, uma referência a uma fala do Mano Brown sobre sua história de vida, onde os ensinamentos constroem, mas os erros custam caro. “Pedro Bala”, segundo som do disco, é um pouco sobre isso, mas também sobre o cerco que se apresenta na vida dos jovens negros do Brasil. Um cerco material, mas também do imaginário – aspecto perverso do racismo estrutural brasileiro que consegue culpar suas vítimas na ida e na volta. Embora a referência do título seja do personagem criado por Jorge Amado em “Capitães de Areia”, a gente relembrou aqui do “Pedro Pedreiro” de Chico Buarque, outro personagem da música brasileira que sofre com as questões do imaginário.

6 – Jadsa – “Raio de Sol” (2)
O congraçamento da CENA brasileira em seu momento fértil dos últimos anos se dá à perfeição em “Raio de Sol”, o novo single da guitarrista baiana Jadsa com participações de Ana Frango Elétrico e Kiko Dinucci. Segunda música a ser apresentada de “Olho de Vidro”, o álbum a ser lançado, “Raio de Sol” é tão boa quanto o single anterior, a “A Ginga do Nego”, que você encontra mais abaixo, na sexta posição. E mais cheia de significados. A canção une a musicalidade da Bahia (Jadsa), Rio (Frango) e São Paulo (Kiko). Tem o samba, a MPB de vanguarda, o rock, psicodelia, “lá-lá-lás”, pausa, mudança de andamento. Vem disco do ano – sim, a gente trabalha nesse pique. Sai dia 26.

7 – BNegão – “Salve 2 (Ribuliço Riddim)” (Estreia)
Vem por aí o primeiro disco solo, solo mesmo, do BNegão. Aliás, discos solos. O primeiro deles, que chega no final do primeiro semestre, será um álbum que revisita músicas suas e de outras bandas, como Moleque de Rua, Guará e Ratos de Porão. No final do ano, vem um de inéditas. Marcando o inicio desta nova fase do rapper, sem o apoio dos Seletores de Frequência, ele lançou hoje o single “Salve 2 (Ribuliço Riddim)”, que registra seu mantra mais recente de abertura de shows e lives em um som – e que talvez você reconheça de outro lugar, no caso, “Salve”, que está no disco “O Futuro Não Demora”, do BaianaSystem.

8 – Vanessa Krongold – “Dois e Dois” (Estreia)
Além da bela música do álbum solo da Vanessa, que por quase 20 anos frequentou bandas indies paulistanas como Maybees e Ludov, vale ver o vídeo dela sobre empoderamento do desejo feminino. E que traz cenas de shibari em um olhar contemporâneo para a arte milenar japonesa sobre dominação e submissão em uma possível metáfora mais ampla sobre como lidamos com nossos relacionamentos. Como aqui o lance é mais música que vídeo, recomendamos bem também o som, puro e simples.

9 – Ale Sater – “Peu” (Estreia)
Parte do EP solo que Ale prepara para o dia 19 de março, “Peu” é uma balada levada por um violão delicado que cita oceanos e ilhas. Na música, ele recomenda a esse alguém chamado Peu, mais novo, que o certo a fazer, entre outras coisas, é “compreender a marcha e seguir o jogo”. Peu talvez seja um filho fictício recebendo conselhos de um tutor. Ou será uma conversa consigo mesmo?

10 – Jupiter Apple – “AJ1” (Estreia)
Gravado em 1999, “The Apartament Jazz” é um disco instrumental perdido de Flávio Basso, aka Júpiter Maçã, aka Júpiter Apple. Parte do material se tornou a trilha sonora de um pequeno filme de Júpiter que leva o mesmo nome. Aqui, nesta “AJ1”, ele demonstra sua competência e domínio completo de conceitos do jazz, música eletrônica e sua especialidade, a psicodelia.

11 – Apeles – “Eu Tenho Medo do Silêncio” (3)
12 – Lupe de Lupe – “Goiânia” (4)
13 – Rohmanelli – “Viúvo” (5)
14 – Boogarins -“Far and Safe” (6)
15 – Rincon Sapiência – “Som do Palmeiras” (7)
16 – Monna Brutal – “Neurose” (8)
17 – Luna França – “Terapia” (9)
18 – Yannick Hara – “Antidepressivos” (10)
19 – Ale Sater – “Nós” (11)
20 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (12)
21 – Sessa – “Grandeza” (13)
22 – Artur Ribeiro – “Fragmentação” (14)
23 – A Espetacular Charanga do França – “Cadê Rennan?” (15)
24 – Garotas Suecas – “Tudo Bem” (16)
25 – Winter – “Violet Blue” (17)
26 – Pluma – “Mais do Que Eu Sei Falar” (18)
27 – Tagore – “Tatu” (19)
28 – Kill Moves – “Perfect Pitch” (20)
29 – DJ Grace Kelly – “PPK” (21)
30 – Jamés Ventura – “Ser Humano” (22)
31 – Jovem Dionísio – “Copacabana” (23)
32 – Píncaro – “Leito de Migalhas” (24)
33 – Atalhos – “A Tentação do Fracasso” (25)
34 – Edgar – “Prêmio Nobel” (26)
35 – Jup do Bairro – “O Corre” e “O Corre” (Bixurdia Remix) (27)
36 – BK – “Mudando o Jogo” (28)
37 – Antônio Neves e Ana Frango Elétrico – “Luz Negra” (29)
38 – BaianaSystem e BNegão – “Reza Forte” (30)
39 – Compositor Fantasma – “Pedestres Violentas” (31)
40 – Zé Manoel – “Saudade da Saudade” (32)
41 – Gustavo Bertoni e Apeles – “Ricochet” (33)
42 – Jair Naves – “Todo Meu Empenho” (34)
43 – Kamau – “Nada… De novo” (35)
44 – Letrux – “Dorme Com Essa (Delirei)” (36)
45 – MC Fioti – “Bum Bum Tam Tam” (37)
46 – Rincon Sapiência – “Tem Que Tá Veno” (Verso Livre) (38)
47 – MC Carol – “Levanta Mina” (39)
48 – Marabu – “Capítulo 5: Sereno” (40)
49 – Criolo – “Fellini” (41)
50 – Linn da Quebrada – “quem soul eu” (42)

***

***

* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o rapper Rico Dalasam.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

>>

Top 50 da CENA: O mesmo artista em primeiro e em segundo lugar? Hein, Criolo? Fora a volta de Jup do Bairro ao pódio e Yma e Ana Frango Elétrico mostrando 2021

1 - cenatopo19

* Este 2020 em seus finalmentes, mas quem disse que a CENA tira férias e nos deixa descansar? Que nada. Temos cinco novidades das boas na lista desta semana. E de nomes grandes, até. Criolo vem em dose dupla, Silva é seu parceiro em uma delas. Jup do Bairro relê um som intimista de Rico Dalasam, enquanto YMA e Ana Frango Elétrico dão as pistas do que pretendem para 2021.
E você? O que você pretende para 2021? Uma boa trilha sonora? A gente vai te ajudar com isso…

1 - top50_yma_feed

1 – Criolo – “Sistema Obtuso” (Estreia)
Se a letra não dá um norte claro do tema, vá buscar no vídeo esse sentido. É o mundo acabando, literalmente. Caos geral. Criolo, que costuma acertar em seus recados (veja em “Menino Mimado” e “Boca de Lixo”), aqui como uma ajudinha do Tropkillaz, dá seu aviso.
2 – Silva e Criolo – “Soprou” (Estreia)
Após a porrada, a calmaria. Uma brisa leve. Um som relax onde Silva e Criolo quase que conversam com a música. Um som bom ainda para imaginar que se está indo para a praia neste ano de pouca praia.
3 – Rico Dalasam e Jup do Bairro – “Reflex” (Estreia)
Na revisão de seu primeiro EP, Rico Dalasam abre o espaço onde antes botava uma reflexão sua para que Jup do Bairro mande seu texto. “Existem corpos que nunca viverão o amor de forma horizontal/ Muito cruel, eu sei bem/ Mas talvez esse sentimento criado por vocês/ Não tenha sido para ser vivido em plenitude por todos”. Pá!
4 – YMA – “White Peacock” (Estreia)
Aqui no Top 50 a cena clássica de fim de ano é ver alguém se preparando para o próximo. É o caso da YMA em novo single maravilha, com direito a sax, lógico, e todo um clima de amadurecimento completo – voz, produção, letra. Vem discão em 2021? Achamos que sim.
5 – Ana Frango Elétrico – “Mulher Homem Bicho” (Estreia)
 “Mulher Homem Bicho” conta com uma levada Marina Lima, para ouvir caminhando de máscara e em horário fora de pico na orla de Ipanema. Segundo single da Frango neste ano, a nova canção tem linhas como “Não se assuste comigo/ Sou mulher homem bicho/ Não vem que nao tem/ Sou bruxa e neném”. Parceria de Ana Frango com a grande Ava Rocha. 
6 – Edgar – “Também Quero Diversão” (1)

Lá vem o melhor disco do ano que vem. “Miga. Cansei de explicar que este país tá uma guerra e não uma festa, que entre um mundo e outro somos um portal…”. Repare. Edgar parece falar de um futuro distópico, uma ficção científica absurda inventada. Mas nada pode ser tão real como seu discurso musical. Cada linha de suas letras é de uma riqueza simples natural e absurda. E um tapa na cara. Na cara de quem tem que ser. “Toco um funk bem altoooo!”
7 – Marabu – “Capítulo 5: Sereno” (2)
Se o assunto é um funk bem alto, solte aí o som do Marabu. Em um gênero que ama os singles, Marabu chega com o excelente “Fundamento”, um álbum conceitual. Um disco que passeia por misturas do funk com outros ritmos durante uma longa noite lá no Jardim Ângela, quebrada de SP. “Sereno”, por exemplo, se aproveita de uma clave de funk que também está nos terreiros. Por isso que um Ogã puxa a batida.
8 – Luedji Luna – “Chororô” (6)
Resolvemos mudar de música, mas não tirar a cantora baiana do nosso top 10 dentro do Top 50, porque este disco dela… A gente diz aqui, um álbum que fica nos vindo em ondas, como o mar, porque bom mesmo é estar debaixo dessas ondas. “Escolhemos “Choroô” como poderíamos ter pego qualquer outra. Aqui, repare, as coisas mais simples, como esta música, ficam lindas no jeito Luedji de ser. Que rica essa menina.
9 – Black Alien – “Chuck Berry” (3)
Ah, a força das rimas de Black Alien. Ou conhece alguém que aproveita mais os sons das palavras que esse homem? “Mais que o covid, foi o que eu vi de covarde.” A construção engenhosa de Gustavo se faz mais uma vez aqui. Um rap sobre o rock. Era só o que nos faltava. Não falta mais. Incrível.
10 – Hot e Oreia – “Domingo/Presença” (4)
Tarsila do Amaral, Alfredo Volpi, Abdias do Nascimento, Leonardo da Vinci, Caetano Veloso, Nelson Ned, “Bacurau”. Tudo solto assim parecem pontos desconexos demais? Então, dá uma olhada no vídeo do Hot e Oreia para esta música e tudo fará sentido. Daquele jeitão Hot e Oreia de fazer sentido, lógico. Incrível 2.
11 – Sabotage e MC Hariel  – “Monstro Invisível” (5)
12 – The Baggios – “Mantrayam” (7)
13 – Emicida e Gilberto Gil – “É Tudo Pra Ontem” (8)
14 – JP – Essa Mulher Vai Acabar com a Minha Vida (9)
15 – WillsBife, Don L – “Por Minha Conta” (10)
16 – Chuck Hipólitho – “Tem Cheiro de Espírito Adolescente” (11)
17 – Vovô Bebê – “Bolha” (12)
18 – Adriano Cintra – “Grow Apart” (13)
19 – Zé Manoel – “História Antiga” (14)
20 – Luana Flores – “Reza” (15)
21 – Anne Jezini – “Faz Escuro Mas Eu Canto” (16)
22 – Liniker – “Psiu” (17)
23 – Ítallo França – “O Time da Mooca” (18)
24 – Tuyo – “Sonho da Lay” (19)
25 – Luna França – “Minha Cabeça” (24)
26 – Carabobina – “Pra Variar” (26)
27 – Mahal Pita – “Oração ao Pretos-moços” (27)
28 – Guilherme Held – “Corpo Nós” (28)
29 – KL Jay – “Território Inimigo” (29)
30 – Rodrigo Alarcon – “Na Frente” (30)
31 – Marcelo D2 – “4º AS 20h” (31)
32 – Rohmanelli – “Toneaí” (32)
33 – BK – “Movimento” (33)
34 – Vivian Kuczynski – “Pele” (34)
35 – Boogarins – “Cães do Ódio” (35)
36 – Jup do Bairro – “Luta por Mim” (36)
37 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (37)
38 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (38)
39 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (39)
40 – Letrux – “Vai Brotar” (40)
41 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (41)
42 – Don L – “Kelefeeling” (42)
43 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (43)
44 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (44)
45 – ÀIYÉ – “Pulmão” (45)
46 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (46)
47 – Edgar – “Carro de Boy” (47)
48 – Jhony MC – F.A.B. (48)
49 – Djonga – “Procuro Alguém (16)
50 – Troá! – “Bicho” (50)

****

****

* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** A imagem que ilustra este post é da cantora incrível Yma.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

TOP 50 da CENA: Edgar toca um funk bem alto e vai para o primeiro lugar. E chama toda a galera do funk. Por exemplo: o Marabu

1 - cenatopo19

* Nosso primeiro lugar ordena: toca um funk bem alto. O segundo lugar respeita e manda uma ideia e tanto: um álbum de funk conceitual brilhante. E estamos comentando só o inicio de mais um Top 50 caprichado. Esta semana, especialmente, com muito rap de várias épocas e lugares. Que lindo isso!

1 - PHOTO-2020-12-15-17-46-25

1 – Edgar – “Também Quero Diversão” (Estreia)
Lá vem o melhor disco do ano que vem. Edgar. “Miga. Cansei de explicar que este país tá uma guerra e não uma festa, que entre um mundo e outro somos um portal…”. Repare. Edgar parece falar de um futuro distópico, uma ficção científica absurda inventada. Mas nada pode ser tão real como seu discurso musical. Cada linha de suas letras é de uma riqueza simples natural e absurda. E um tapa na cara. Na cara de quem tem que ser. “Toco um funk bem altoooo!”
2 – Marabu – “Capítulo 5: Sereno” (Estreia)
Se o assunto é um funk bem alto, solte aí o som do Marabu. Em um gênero que ama os singles, Marabu chega com o excelente “Fundamento”, um álbum conceitual. Um disco que passeia por misturas do funk com outros ritmos durante uma longa noite lá no Jardim Ângela, quebrada de SP. “Sereno”, por exemplo, se aproveita de uma clave de funk que também está nos terreiros. Por isso que um Ogã puxa a batida.
3 – Black Alien – “Chuck Berry” (1)
Ah, a força das rimas de Black Alien. Ou conhece alguém que aproveita mais os sons das palavras que esse homem? “Mais que o covid, foi o que eu vi de covarde.” A construção engenhosa de Gustavo se faz mais uma vez aqui. Um rap sobre o rock. Era só o que nos faltava. Não falta mais. Incrível.
4 – Hot e Oreia – “Domingo/Presença” (2)
Tarsila do Amaral, Alfredo Volpi, Abdias do Nascimento, Leonardo da Vinci, Caetano Veloso, Nelson Ned, “Bacurau”. Tudo solto assim parecem pontos desconexos demais? Então, dá uma olhada no novo vídeo do Hot e Oreia e tudo fará sentido. Daquele jeitão Hot e Oreia de fazer sentido, lógico. Incrível 2.
5 – Sabotage e MC Hariel  – “Monstro Invisível” (Inédita)
Tudo bem que os versos de Sabotagem não são inéditos no som produzido por DJ Kalfani com participação especial de MC Hariel, em mais um passo na reconexão firme do rap com o funk. Vale o resgate e o lembrete do poder imortal do poeta do Canão. Se o mundo segue igual, voltemos ao começo.
6 – Luedji Luna – “Chororô” (4)
Resolvemos mudar de música mas não tirar a cantora baiana do nosso top 10 dentro do Top 50, porque este disco dela… A gente diz aqui, um álbum que fica nos vindo em ondas, como o mar, porque bom mesmo é estar debaixo dessas ondas. “Escolhemos “Choroô” como poderíamos ter pego qualquer outra. Aqui, repare, as coisas mais simples, como esta música, ficam lindas no jeito Luedji de ser. Que rica essa menina.
7 – The Baggios – “Mantrayam” (Estreia)
The Baggios em uma brisa mais psicodélica? Música longa, três partes, mudanças. Curtimos bem, hein. Mais um nome que já entra na categoria “vem álbum novo bom em 2021”.
8 – Emicida e Gilberto Gil – “É Tudo Pra Ontem” (3)
O fã de quadrinhos Emicida replicou a Marvel e mandou uma inédita nos pós-créditos de seu documentário “É Tudo Pra Ontem”, lançado pela Netflix. A faixa é uma reflexão a partir dos tempos de pandemia com Gil lendo um texto presente no livro de Aílton Krenak, “A Vida Não É Útil”, sobre o retorno do Criador à Terra em um passeio um tanto quando frustrante. Não saia antes de o filme acabar. Incrível.
9 – JP – Essa Mulher Vai Acabar com a Minha Vida (Estreia)
Um dos homens que mais sabe tirar um som de guitarra neste país ataca de novo. Alguém já mandou este som para o Lulu Santos? Acho que ele vai curtir. Odair José?
10 – WillsBife, Don L – “Por Minha Conta” (Estreia)
Inédita do Don L. é inédita do Don L. Beat do Nave, é beat do Nave. E a produção do WillsBife é das boas. Vale reparar no álbum completo, que acabou de ganhar uma versão deluxe com todas as instrumentais e inéditas, esta inclusa.
11 – Chuck Hipolitho – “Tem Cheiro de Espírito Adolescente” (5)
12 – Vovô Bebê – “Bolha” (6)
13 – Adriano Cintra – “Grow Apart” (7)
14 – Zé Manoel – “História Antiga” (8)
15 – Luana Flores – “Reza” (9)
16 – Anne Jezini – “Faz Escuro Mas Eu Canto” (10)
17 – Liniker – “Psiu” (11)
18 – Ítallo França – “O Time da Mooca” (12)
19 – Tuyo – “Sonho da Lay” (13)
20 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Pra Dois” (14)
21 – Rodrigo Alarcon – “Na Frente” (15)
22 – Khalil – “De Cara Pro Vento” (17)
23 – TARDA – “Ninguém por Enquanto” (18)
24 – Luna França – “Minha Cabeça” (20)
25 – Silva – “Passou Passou” (22)
26 – Carabobina – “Pra Variar” (24)
27 – Mahal Pita – “Oração ao Pretos-moços” (25)
28 – Guilherme Held – “Corpo Nós” (28)
29 – KL Jay – “Território Inimigo” (29)
30 – Ana Frango Elétrico – “Mama Planta Baby” (30)
31 – Marcelo D2 – “4º AS 20h” (31)
32 – Rohmanelli – “Toneaí” (32)
33 – BK – “Movimento” (33)
34 – Vivian Kuczynski – “Pele” (34)
35 – Boogarins – “Cães do Ódio” (35)
36 – Jup do Bairro – “Luta por Mim” (36)
37 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (37)
38 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (38)
39 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (39)
40 – Letrux – “Vai Brotar” (40)
41 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (41)
42 – Don L – “Kelefeeling” (42)
43 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (43)
44 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (44)
45 – ÀIYÉ – “Pulmão” (45)
46 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (46)
47 – Edgar – “Carro de Boy” (47)
48 – Jhony MC – F.A.B. (48)
49 – Djonga – “Procuro Alguém (16)
50 – Troá! – “Bicho” (50)

****

****

* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** A imagem que ilustra este post é do duo mineiro de rap Hot e Oreia.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

>>

Top 50 da CENA: Black Alien, Hot e Oreia, Emicida. É o rap nacional varrendo o pódio

1 - cenatopo19

* Semana importantíssima para o hip hop nacional. Black Alien chegou com single novo/ vídeo novo, Hot e Oreia juntaram dois sons em um só no vídeo, novo, e o Emicida lançou um filme que entra lindo no repertório dos grandes documentários do país sobre música – embora seja sobre bem mais que música.
Numericamente, uma semana devagar de lançamentos. Mas que peso. Se toda semana fosse assim… Se bem que a música brasileira tem jogado pesado toda semana. Quem acompanha aqui sabe do que estamos falando. Esta CENA é quente. Pega fogo, cabarééé!!!

WhatsApp Image 2020-12-08 at 22.33.16-3

1 – Black Alien – “Chuck Berry” (Estreia)
Ah, a força das rimas de Black Alien. Ou conhece alguém que aproveita mais os sons das palavras que esse homem? “Mais que o covid, foi o que eu vi de covarde”. A construção engenhosa de Gustavo se faz mais uma vez aqui. Um rap sobre o rock. Era só o que nos faltava. Não falta mais. Incrível.
2 – Hot & Oreia – “Domingo/Presença” (Estreia)
Tarsila do Amaral, Alfredo Volpi, Abdias do Nascimento, Leonardo da Vinci, Caetano Veloso, Nelson Ned, “Bacurau”. Tudo solto assim parecem pontos desconexos demais? Então, dá uma olhada no novo vídeo do Hot e Oreia e tudo fará sentido. Daquele jeitão Hot e Oreia de fazer sentido, lógico. Incrível 2.
3 – Emicida e Gilberto Gil – “É Tudo Pra Ontem” (Estreia)
O fã de quadrinhos Emicida replicou a Marvel e mandou uma inédita nos pós-créditos de seu documentário “É Tudo Pra Ontem”, lançado pela Netflix. A faixa é uma reflexão a partir dos tempos de pandemia com Gil lendo um texto presente no livro de Aílton Krenak, “A Vida Não É Útil”, sobre o retorno do Criador à Terra em um passeio um tanto quando frustrante. Não saia antes de o filme acabar. Incrível 3.
4 – Luedji Luna – “Ain’t I a Woman” (8)
Sempre apaixonados pelo disco novo da Luedji, lançado já faz um tempo e que fica nos vindo em ondas, como o mar, porque bom mesmo é estar debaixo dessas ondas. “Ain’t I a Woman”, uma das muitas boas faixas, e que pega o título do fundamental livro da autora e feminista Bell Hooks, traz o questionamento para dentro de uma história onde um homem esconde seu relacionamento com uma mulher negra. “Por acaso eu não sou uma mulher?”, questiona Luedji. Ao mesmo tempo, a música pode ser lida como uma denúncia mais ampla aos “apagamentos” das mulheres negras na sociedade como um todo.
5 – Chuck Hipolitho – “Tem Cheiro de Espírito Adolescente” (1)
Como o nome escancara de saída, aqui Chuck paga um tributo louco ao Nirvana e sua principal canção, a espetacular “Smells Like Teen Spirit”, mas de um jeito diferente e buscando um… hum… espírito representativo atual. De trazer para agora uma zona de conforto lá de trás, mas com jeitão 2020 (já viu o vídeo?). De toda forma, a canção é um expurgo necessário, um agradecimento ao passado, que vem mais do coração do que da mente. Talvez por isso emocione. Tanto.
6 – Vovô Bebê – “Bolha” (2)
Grande elemento da bombada CENA carioca atual e uma prova de que a vanguarda paulistana dos anos 80 não morreu, o senhor guri Vovô Bebê, persona de Pedro Carneiro, dá os primeiros sinais de um novo disco. Segue bem boa a proposta dele. E de toda a cena do Rio. Estamos muito de olho. E de ouvidos.
7 – Adriano Cintra – “Grow Apart” (3)
Parte de um EP que experimenta sonoridades que tocariam em um rádio mental de 2008, Adriano prova de novo a preciosa mão que tem para o pop. A gente já sabia, mas não cansamos de redescobrir. Escolhemos esta, mas poderíamos ter pego qualquer outra do disquinho.
8 – Zé Manoel – “História Antiga” (4)
A delicadeza do piano e voz do pernambucano Zé Manoel por aqui lamentam uma história antiga de uma civilização mais antiga ainda que por acaso é a nossa atual. As lembranças de hoje, dolorosas, estão no passado porque Zé fala a partir de um futuro imaginado e construído pelo povo negro e indígena, onde a justiça se dá no Brasil. Uma construção sútil e para lá de utópica, mas poderosa. Se é mais fácil imaginar o fim dos tempos que a construção de um mundo realmente mais justo, Zé resolve escapar do conformismo. Parece pouco, dado que só é uma canção, mas quem disse que canções não mudam o mundo?
9 – Luana Flores – “Reza” (10)
Quem promete bombar em 2021? Luana Flores, anote este nome. Made in Paraíba. Enquanto ainda não é o ano que vem, pega esta faixa que ela lançou em parceria com outro nome que você já deveria ter no seu radar, a excelente Jéssica Caitano. E imagina um mundo melhor para depois deste mês, porque todos merecemos.
10 – Anne Jezini – “Faz Escuro Mas Eu Canto” (7)
No sombrio Brasil de 2020, Anne recupera um poema que virou canção em outros tempos também terríveis, no caso, a ditadura no Brasil. Em clima moderno, Anne refaz o caminho que já foi percorrido pela voz de Nara Leão. Missão para poucos, mas ela deu conta bem demais aqui.
11 – Liniker – “Psiu” (5)
12 – Ítallo França – “O Time da Mooca” (6)
13 – Tuyo – “Sonho da Lay” (9)
14 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Pra Dois” (Estreia)
15 – Rodrigo Alarcon – “Na Frente” (12)
16 – Carne Doce – “Garoto (Radio Edit)” (13)
17 – Khalil – “De Cara Pro Vento” (15)
18 – TARDA – “Ninguém por Enquanto” (16)
19 – Criaturas – “Omalola” (19)
20 – Luna França – “Minha Cabeça” (20)
21 – Chico Bernardes – “Em Seu Lugar” (21)
22 – Silva – “Passou Passou” (22)
23 – Giovanna Moraes – “Singularidade” (17)
24 – Carabobina – “Pra Variar” (24)
25 – Mahal Pita – “Oração ao Pretos-moços” (25)
26 – Kiko Dinucci – “Habitual” (26)
27 – Tagua Tagua – “Só Pra Ver” (27)
28 – Guilherme Held – “Corpo Nós” (28)
29 – KL Jay – “Território Inimigo” (29)
30 – Ana Frango Elétrico – “Mama Planta Baby” (30)
31 – Marcelo D2 – “4º AS 20h” (31)
32 – Rohmanelli – “Toneaí” (32)
33 – BK – “Movimento” (33)
34 – Vivian Kuczynski – “Pele” (34)
35 – Boogarins – “Cães do Ódio” (35)
36 – Jup do Bairro – “Luta por Mim” (36)
37 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (37)
38 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (38)
39 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (39)
40 – Letrux – “Vai Brotar” (40)
41 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (41)
42 – Don L – “Kelefeeling” (42)
43 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (43)
44 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (44)
45 – ÀIYÉ – “Pulmão” (45)
46 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (46)
47 – Edgar – “Carro de Boy” (47)
48 – Jhony MC – F.A.B. (48)
49 – Djonga – “Procuro Alguém (16)
50 – Troá! – “Bicho” (50)

****

****

* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** A imagem que ilustra este post é do duo mineiro de rap Hot e Oreia.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

>>

Top 50 da CENA: A disputa da liderança do ranking caiu num SP x Rio particular. Chuck e Vovô bebê brilham na nostalgia futurista. Mais: Adriano Cintra, Anne Jezini e Luana Flores (quem?)

1 - cenatopo19

* Que semana complicada de escolher um som que ficasse em primeiro. Primeiro lugar no nosso gosto, no nosso sentido de relevância para o momento. Não que isso seja determinante de coisas profundas, porque aqui não apuramos “as mais vendidas”, ou mais acessados nas redes, nem analisamos “métricas musicais precisas”, ou coisa do tipo. A gente só quer fazer um playlist legal, representativo da CENA na última semana, nos últimos dias, e precisamos começar com alguém, de algum lugar. É isso o nosso ranking!
A disputa foi pau-a-pau, uma coisa quase no pique do meme “Os dois a 80km/h”, sabe? Levou o Chuck, em cima do seu brilhante “concorrente” Vovô Bebê, em seu apelo à nostalgia. Nostalgia com cores fortes de 2020. Lá e cá.

Fora que o Chuck apelou para a nossa banda predileta, o Nirvana. E aí é sacanagem. Então, bandas, entendam, pensou em Kurt Cobain, pensou na gente. Se sonha com um primeiro lugar por aqui, a dica está dada. Só não conta para mais ninguém, certo?

Fora que nosso top 10 do TOP 50 tem, de novidades, ainda a grande volta de Adriano Cintra, a doce Anne Jezini cantando lá de Manaus sobre o dia que está clareando e a Luana Flores. Não conhece a Luana Flores? Pois devia. E a gente te ajuda.

3 - 960x960_Chuck

1 – Chuck Hipolitho – “Tem Cheiro de Espírito Adolescente” (Estreia)
Como o nome escancara de saída, aqui Chuck paga um tributo louco ao Nirvana e sua principal canção, a espetacular “Smells Like Teen Spirit”, mas de um jeito diferente e buscando um… hum… espírito representativo atual. De trazer para agora uma zona de conforto lá de trás, mas com jeitão 2020 (já viu o vídeo?). De toda forma, a canção é um expurgo necessário, um agradecimento ao passado, que vem mais do coração do que da mente. Talvez por isso emocione. Tanto.
2 – Vovô Bebê – “Bolha” (Estreia) 
Grande elemento da bombada CENA carioca atual e uma prova de que a vanguarda paulistana dos anos 80 não morreu, o senhor guri Vovô Bebê, persona de Pedro Carneiro, dá os primeiros sinais de um novo disco. Segue bem boa a proposta dele. E de toda a cena do Rio. Estamos muito de olho. E de ouvidos.
3 – Adriano Cintra – “Grow Apart” (Estreia)
Parte de um EP que experimenta sonoridades que tocariam em um rádio mental de 2008, Adriano prova de novo a preciosa mão que tem para o pop. A gente já sabia, mas não cansamos de redescobrir. Escolhemos esta, mas poderíamos ter pego qualquer outra do disquinho.
4 – Zé Manoel – “História Antiga” (1)
A delicadeza do piano e voz do pernambucano Zé Manoel por aqui lamentam uma história antiga de uma civilização mais antiga ainda que por acaso é a nossa atual. As lembranças de hoje, dolorosas, estão no passado porque Zé fala a partir de um futuro imaginado e construído pelo povo negro e indígena, onde a justiça se dá no Brasil. Uma construção sútil e para lá de utópica, mas poderosa. Se é mais fácil imaginar o fim dos tempos que a construção de um mundo realmente mais justo, Zé resolve escapar do conformismo. Parece pouco, dado que só é uma canção, mas quem disse que canções não mudam o mundo?
5 – Liniker – “Psiu” (2)
Produzida agora pela Boogie Naipe, só a produtora do maior grupo brasileiro de todos os tempos, os Racionais MC’s, Liniker estreia sua fase solo em grande estilo. A letra é um tanto enigmática, mas chutamos aqui que é uma conversa dela consigo mesma. Aprender. Amar-te. Arte. E vale reparar no dream team que toca na faixa: Júlio Fejuca, Gustavo Ruiz, Serginho Machado e Zé Nigro.
6 – Ítallo França – “O Time da Mooca” (4)
Itallo relembra em uma canção suingada sobre bater uma bola na infância com os amigos em Arapiraca, Alagoas. Mais brasileiro que isso, impossível. A letra é tão simples quanto rica ao trazer a escalação do time e umas cenas que trazem memórias muito importantes: “E eu era a número 2/ de caneta riscada na farda/ a marca da lama da bola/ na parede parda/o pé cheio de ferida”.
7 – Anne Jezini – “Faz Escuro Mas Eu Canto” (Estreia)
No sombrio Brasil de 2020, Anne recupera um poema que virou canção em outros tempos também terríveis, no caso, a ditadura no Brasil. Em clima moderno, Anne refaz o caminho que já foi percorrido pela voz de Nara Leão. Missão para poucos, mas ela deu conta bem demais aqui.
8 – Luedji Luna – “Ain’t I a Woman” (6)
Ainda mais apaixonados pelo disco novo da Luedji, lançado já faz um tempo e que fica nos vindo em ondas, como o mar, porque bom mesmo é estar debaixo dessas ondas. “Ain’t I a Woman”, uma das muitas boas faixas, e que pega o título do fundamental livro da autora e feminista Bell Hooks, traz o questionamento para dentro de uma história onde um homem esconde seu relacionamento com uma mulher negra. “Por acaso eu não sou uma mulher?”, questiona Luedji. Ao mesmo tempo, a música pode ser lida como uma denúncia mais ampla aos “apagamentos” das mulheres negras na sociedade como um todo.
9 – Tuyo – “Sonho da Lay” (7)
Você ainda anda sonhando? Ou já acorda apressado e perde o que sonhou? Vai ver a Lay Soares, parte do trio Tuyo, aprendeu com Sidarta Ribeiro, neurocientista que sabe tudo do assunto, a técnica de registrar os sonhos antes de eles sumirem na nossa mente. E transformou isso em canção. E que canção absurda de boa! Tuyo cada vez melhor. O som ainda tem a participação do cantor carioca Luccas Carlos.
10 – Luana Flores – “Reza” (Estreia)
Quem promete bombar em 2021? Luana Flores, anote este nome. Made in Paraíba. Enquanto ainda não é o ano que vem, pega esta faixa que ela lançou em parceria com outro nome que você já deveria ter no seu radar, a excelente Jéssica Caitano. E imagina um mundo melhor para depois deste mês, porque todos merecemos.
11 – Nu Azeite – “Vem Com Noix” (8)
12 – Rodrigo Alarcon – “Na Frente” (9)
13 – Carne Doce – “Garoto (Radio Edit)” (10)
14 – Black Alien – “Carta Pra Amy” (3)
15 – Khalil – “De Cara Pro Vento” (5)
16 – TARDA – “Ninguém por Enquanto” (11)
17 – Giovanna Moraes – “Singularidade” (12)
18 – Supervão – “Get Out” (14)
19 – Criaturas – “Omalola” (15)
20 – Luna França – “Minha Cabeça” (17)
21 – Chico Bernardes – “Em Seu Lugar” (18)
22 – Silva – “Passou Passou” (19)
23 – Wry – “Uma Pessoa Comum” (20)
24 – Carabobina – “Pra Variar” (21)
25 – Mahal Pita – “Oração ao Pretos-moços” (22)
26 – Kiko Dinucci – “Habitual” (23)
27 – Tagua Tagua – “Só Pra Ver” (24)
28 – Guilherme Held – “Corpo Nós” (25)
29 – KL Jay – “Território Inimigo” (26)
30 – Ana Frango Elétrico – “Mama Planta Baby” (28)
31 – Marcelo D2 – “4º AS 20h” (29)
32 – Rohmanelli – “Toneaí” (30)
33 – BK – “Movimento” (33)
34 – Vivian Kuczynski – “Pele” (34)
35 – Boogarins – “Cães do Ódio” (35)
36 – Jup do Bairro – “Luta por Mim” (36)
37 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (37)
38 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (38)
39 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (39)
40 – Letrux – “Vai Brotar” (40)
41 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (41)
42 – Don L – “Kelefeeling” (42)
43 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (43)
44 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (44)
45 – ÀIYÉ – “Pulmão” (45)
46 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (46)
47 – Edgar – “Carro de Boy” (47)
48 – Jhony MC – F.A.B. (48)
49 – Djonga – “Procuro Alguém (16)
50 – Troá! – “Bicho” (50)

*****

*****

* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** A imagem que ilustra este post é de Chuck Hipolitho.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

>>