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Popnotas – Refazendo o final dos Beatles. O show-desenho da Billie Eilish. A CENA criando na pandemia. E a baterista de 10 anos do Foo Fighters

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– Semana que vem estreia na plataforma de assinatura Disney+ o filme-show da Billie Eilish. “Happier than Ever: Uma Carta de Amor para Los Angeles” traz a cantora mais famosa no mundo hoje mostrando faixa a faixa, cabo a rabo, seu disco novo, o ótimo “Happier than Ever” no enorme Hollywood Bowl. Mas não é simplesmente um show. É um misto de filme, desenho, concerto, dirigido pelo cineasta Robert Rodriguez, amigo do Tarantino. Vai ser grandioso com orquestra, vai ter momentos intimistas. Um verdadeiro rolê cinematográfico do disco novo de Billie Eilish, misturando música e suas fantasias de teen e agora mulher adulta sobre Los Angeles, que devem combinar bem com suas letras, que narram suas histórias mesmo. E ontem saiu um trailerzão de “Happier than Ever: Uma Carta de Amor para Los Angeles” que você pode ver abaixo:

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– Remasterizaram e expandiram o clássico álbum “Let It Be”, o décimo segundo e o último disco daquela banda lá chamada The Beatles, para lançá-lo agora com novos mixes, cheio de bônus, 51 anos depois, para tentar, talvez, tirar a sombra de disco problemático e soturno que veio ao mundo nem um mês depois de a banda anunciar seu fim. Um disco “maldito”, ok, mas que tinha “Let It Be”, “Get Back” e “Across the Universe”, por exemplo. Esta edição especial do álbum sai em 15 de outubro. E tem um trailer, abaixo:

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– A história é assim. A plataforma de lives interativas Taboom lançou ontem à noite, em seu app, o projeto “Nada Será Como Antes”, que promoverá encontros virtuais de artistas da cena nacional, para discutir temas relacionados à música de hoje e criarão em conjunto músicas para um futuro álbum. Entre os artistas confirmados no “Nada Será Como Antes”, que tem curadoria da agitadora cultural mineira Laura Damasceno, estão Dinho Boogarins Almeida, a multiartista paulistana Jup do Bairro, o produtor e cantor Helio Flanders (do Vanguart), a banda paranaense Tuyo, mais Jonathan Ferr, Romero Ferro, Teago Maglore, Zé Ibarra, Maria Luiza Jobim e Brisa Flow, num total de dez participantes. A ideia é que eles formem duplas criativas para comporem remotamente uma música do zero, tendo sempre como pano de fundo a pandemia e as angustias e reinvenções positivas e negativas causadas por ela na música. Essas cinco canções vão virar um EP, sob os cuidados produtores de Leonardo Marques, multiinstrumentista e dono de estúdio que grava muita gente da CENA brasileira. Os papos e os sons serão interativos, já que o app tem vários recursos diferentes como enquete, quiz, mudança de layout durante a live etc. A estreia de “Nada Será Como Antes” será nesta sexta à noite, às 20h, com o encontro de Dinho Almeida e Tuyo. E continua até 30 de setembro, quatro lives por dupla. No dia 18 de outubro, tem a live de audição das canções produzidas. O app do Taboom está disponível nos sistemas Android e IOS (iPhone).

nada

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– Isso ia acontecer um dia. A espetacular menininha inglesa Nandi Bushell, fenômeno do Youtube por tocar clássicos do rock na bateria de forma absurda, enfrentando até desafios contra Dave Grohl e o Matt Helders, do Arctic Monkeys, teve sua experiencia REAL ontem à noite em Los Angeles. A garota, de 10 anos, foi convidada a ir aos Estados Unidos pelo Foo Fighters para mostrar seus dotes ao vivão no show da banda. Nandi foi chamada ao palco para junto com o FF espancar a bateria especial montada para ela no hit “Everlong”. Foi emocionante. O show foi no Forum, em LA, cujo público aplaudiu Nandi sem parar. “Everlong” encerrou a apresentação do Foo Fighters. Nandi participou da tradicional saudação final de Dave Grohl, banda e audiência, na beira do palco.

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Top 50 da CENA – Com todas as permissões pedidas, Exu ocupa o topo do nosso ranking. Dá-lhe Valciãn Calixto. Cadu Tenório e 1LUM3 completam o pódio

1 - cenatopo19

* Como explicar a seleção desta semana? Temos um importante primeiro lugar, que bate de frente contra um problema sério do Brasil atual, que é o preconceito religioso. Um trabalho que tem toques experimentais assim como alguns dos outros escolhidos para este ranking – Cadu, Mariá. Quando a música é mais tradicional na forma, é experimental na sua gravação – Letrux está gravando pela primeira vez algumas canções que escreveu há mais de dez anos e isso dá uma sensação de deslocamento muito interessante. Então, aprofundando mais na temática acima, nosso primeiro lugar é sobre Exu. Nenhuma conclusão diferente da de que estamos de frente para a melhor CENA musical do Planeta Terra.

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1 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (Estreia)
Em “Macumba 2.0”, álbum recém-lançado, o músico piauiense Valciãn Calixto dá uma aula sobre as religiões de matriz africana buscando desmistificar conceitos errados criados com a intenção de desarticular e criminalizar sua prática. Neste som, Exu é comtemplado e explicado por Valciãn em um forró que mantém sua pesquisa sonora articulada com indie e experimentações lo-fi. Se isso não é uma riqueza sonora brasileira por onde quer que se olhe, não sabemos mais o que é. Valciãn é o nosso Sufjan Stevens do Nordeste, fala que não.

2 – Cadu Tenório – “Psycho Zaku” (Estreia)
Não que a gente entenda tudo, mas é um barato a viagem experimental do carioca Cadu Tenório. Em “Are You Okay” temos uma porção de músicas longas que vão se construindo e descontruindo em loops, ruídos, colagens. E, pensando melhor, será que tem algo mesmo para ser entendido? É sentir, talvez, o verbo mais apropriado.

3 – 1LUM3 – “Lovecrime” (Estreia)
A voz da 1LUM3 segue sendo uma das mais bonitas da CENA e aqui ela capricha em boas letras e nas produças certeiras – é pop, mas não tem muito cara de pop, saca? “Lovecrime” é daquelas que nascem com cara de hit, um som sobre amores que já se despedaçaram e seguem nas nossas mentes.

4 – Letrux – “Isso Aqui É um Campo Minado” (Estreia)
Aqui Letrux nos apresenta mais uma música que ela escreveu há muito tempo e nunca tinha gravado. Talvez essa seja uma de 2007 e 2008 e já revela um pouco do que ela faria mais para a frente. Dá uma sensação engraçada ver letras de uma Letrux que não existe mais sendo cantadas pela Letrux de hoje. Como isso chama não sabemos, mas tem uma sensação aí.

5 – Mariá Portugal – “Cheio/Vazio” (Estreia)
E, por falar em música esquisitinha, que delícia essa experimentação da Mariá Portugal. A baterista/compositora que já tocou com vários grandes nomes da MPB, além de ser parte do sensacional Quartabê, faz uma música que chega a ser tradicional até seus dois minutos – dali em diante as formas e tempo parecem se dissolver e voltar e sumirem de novo. Difícil descrever. Este single fará parte de seu novo álbum, “Erosão”.

6 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (1)
Em seu novo disco, o veterano Guilherme Arantes investiu em recuperar suas raízes progressivas. Para quem não sabe, ele, que ficou conhecido por suas baladas mais românticas, teve uma fase progressiva e roqueira com a banda Moto Perpétuo. A pecha “romântica” que vem grudada a seu nome não faz jus à totalidade de sua carreira. Neste retorno às origens, digamos, ele escreveu a épica “A Desordem dos Templários”, um som de mais de sete minutos com diversas seções, inclusive uma em ritmo de baião. A música parece usar de símbolos antigos para falar dos dias atuais. Em um momento, Guilherme canta: “Cada dia é uma batalha desigual em nome de uma paz/ E tudo que se entende por ‘normal’ é a bandeira incandescente da exclusão”.

7 – Autoramas e Rodrigo Dead Fish – “A Cara do Brasil” (2)
A parceria Autoramas e Rodrigo, vocalista do Dead Fish, chega em uma música veloz e urgente – no clima e na duração. Ela tem quaaaase um minuto, mas dá conta de resumir um ano, quase dois da condução criminosa da pandemia no Brasil, que já custou perto de 600 mil vidas. Para que serve o punk bom, não é mesmo?

8 – Marcelo Perdido – “Carnaval” (3)
Por falar em pandemia e governo que conduz tudo da pior maneira possível – não teve como ter Carnaval neste ano. Mesmo sendo sem ser. Sendo. E aí fica na nossa cabeça esta bela música do Marcelo Perdido com participação do Teago Oliveira, da Maglore, que fala sobre um Carnaval que não foi, mas é. Talvez a canção esteja mesmo falando disso um pouco. Especialmente sobre a nossa força de manter a festa, em amplos sentidos. Estamos muito errados, Marcelo?

9 – GIO – “Sangue Negro” (4)
Que experiência foi trocar uma ideia com GIO, no Popload Entrevista. Está aí um menino cheio de sugestões boas na cabeça idem. O novo álbum do músico baiano, ex-Giovani Cidreira, além de uma ida a sua ancestralidade com a chave do afrofuturismo, é sua tentativa de colocar essas ideias na prática. Trabalhar pelos seus, por sua história e por seu valor. Por que abaixar a guarda para fazer parte de um mundo que não te respeita? Por que querer fazer parte daquela outra festa? Veja bem a nossa festa. Ela que é bonita e ela que diz um tanto de coisa para nós. Ainda que tantos teimem em jogar na nossa cabeça que não é bem assim. Eles estão errados.
A faixa “Sangue Negro”, escrita com o primo Filipe Castro, abre a obra – no YouTube um curta deles mostra as origens da família de GIO e suas histórias. Ao resumir um pouco da ideia do disco, ele escreveu: “É sobre não esquecer que somos pessoas iluminadas, detentoras de um poder ancestral, de um potencial que o sistema racista, que nos mata todos os dias e nos entrega sobras, descarta e nos faz esquecer, retirando o direito de existir na memória, na musicalidade e nas experiências culturais deste país.” Este álbum vai longe, em vários sentidos. E seguimos aqui celebrando ele.

10 – Tuyo – “Turvo” (5)
Velha conhecida dos fãs, “Turvo” é uma canção que finalmente o trio curitibano resolveu colocar em disco. E a vez dela chegou em “Chegamos Sozinhos em Casa, Vol. 2”. Porém, “Turvo” aparece totalmente desconstruída da versão conhecida pelos fãs. Acelerada, mais eletrônica e mais suingada, é de longe das canções mais viciantes do álbum. Esta é para tocar um milhão de vezes por aí.

11 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (6)
12 – Bivolt – “Pimenta” (7)
13 – Priscilla Alcântara – “Tem Dias” (8)
14 – Macaco Bong – “Hacker de Sol” (9)
15 – Rincon Sapiência – “Todo Canto” (10)
16 – Mary Olivetti – “Black Coco” (12)
17 – Rodrigo Amarante – “Maré” (13)
18 – Tagore – “Capricorniana” (15)
19 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (19)
20 – Criolo – “Fellini” (20)
21 – Amaro Freitas – “Sankofa” (21)
22 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (22)
23 – Nill – “Singular” (23)
24 – Ana Frango Elétrico – “Promessas e Previsões” (24)
25 – Mineiros da Lua – “Armadilha” (25)
26 – Iara Rennó – “Ava Viva” (26)
27 – Isabel Lenza – “Tudo Que Você Não Vê” (27)
28 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (28)
29 – BNegão feat. Paulão King – “Cérebros Atômicos” (29)
30 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (30)
31 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (31)
32 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (32)
33 – Jonathan Ferr – “Amor” (33)
34 – Jadsa – “Mergulho” (34)
35 – Mulungu – “A Boiar” (35)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (36)
37 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
38 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (38)
39 – Zé Manoel – “Como?” (39)
40 – Yung Buda – “Digimon” (40)
41 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (41)
42 – FEBEM – “Crime” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
47 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o músico piauiense Valciãn Calixto.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Top 50 da CENA – Olha! Guilherme Arantes progressivo no nosso topo. Seguido pela aula punk de História do Brasil em um minuto, ministrada pelo Autoramas. Marcelo Perdido traz seu Carnaval para o terceirão

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* Semana interessante por aqui em questão da duração do tempo das músicas. Repare. Nosso primeiro lugar é um som de sete minutos. O segundo lugar tem menos de um minuto. Um é progressivo. Outro é punk. E ambos fazem muito sentido neste confuso 2021 em que vivemos. Com jeitos diferentes, ambas as músicas batem nesta crise atual. Um tema que talvez seja o assunto do nosso terceiro lugar, se a gente entendeu o recado cifrado da canção. Será? E segue interessante a nossa playlist atenta ao que a nossa CENA, a mais interessante do planeta, tem a dizer.

guilhermetopquadrado

1 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (Estreia)
Em seu novo disco, o veterano Guilherme Arantes investiu em recuperar suas raízes progressivas. Para quem não sabe, ele, que ficou conhecido por suas baladas mais românticas, teve uma fase progressiva e roqueira com a banda Moto Perpétuo. A pecha “romântica” que vem grudada a seu nome não faz juz à totalidade de sua carreira. Nesse retorno às origens, digamos, ele escreveu a épica “A Desordem dos Templários”, um som de mais de sete minutos com diversas seções, inclusive uma em ritmo de baião. A música parece usar de símbolos antigos para falar dos dias atuais. Em um momento, Guilherme canta: “Cada dia é uma batalha desigual em nome de uma paz/ E tudo que se entende por ‘normal’ é a bandeira incandescente da exclusão”.

2 – Autoramas e Rodrigo Dead Fish – “A Cara do Brasil” (Estreia)
A parceria Autoramas com Rodrigo, vocalista do Dead Fish, chega em uma música veloz e urgente – no clima e na duração. Ela tem quaaaase um minuto, mas dá conta de resumir um ano, quase dois da condução criminosa da pandemia no Brasil, que já custou perto de 600 mil vidas. Para que serve o punk bom, não é mesmo?

3 – Marcelo Perdido – “Carnaval” (Estreia)
Por falar em pandemia e governo que conduz tudo da pior maneira possível – não teve como ter Carnaval neste ano. Mesmo sendo sem ser. Sendo. E aí fica na nossa cabeça essa bela música do Marcelo Perdido com participação do Teago Oliveira, da Maglore, que fala sobre um Carnaval que não foi, mas é. Talvez a canção esteja mesmo falando disso um pouco. Especialmente sobre a nossa força de manter a festa, em amplos sentidos. Estamos muito errados, Marcelo?

4 – GIO – “Sangue Negro” (1)
Que experiência foi trocar uma ideia com GIO, no Popload Entrevista. Está aí um menino cheio de sugestões boas na cabeça idem. O novo álbum do músico baiano, ex-Giovani Cidreira, além de uma ida a sua ancestralidade com a chave do afrofuturismo, é sua tentativa de colocar essas ideias na prática. Trabalhar pelos seus, por sua história e por seu valor. Por que abaixar a guarda para fazer parte de um mundo que não te respeita? Por que querer fazer parte daquela outra festa? Veja bem a nossa festa. Ela que é bonita e ela que diz um tanto de coisa para nós. Ainda que tantos teimem em jogar na nossa cabeça que não é bem assim. Eles estão errados.
A faixa “Sangue Negro”, escrita com o primo Filipe Castro, abre a obra – no YouTube um curta deles mostra as origens da família de GIO e suas histórias. Ao resumir um pouco da ideia do disco, ele escreveu: “É sobre não esquecer que somos pessoas iluminadas, detentoras de um poder ancestral, de um potencial que o sistema racista, que nos mata todos os dias e nos entrega sobras, descarta e nos faz esquecer, retirando o direito de existir na memória, na musicalidade e nas experiências culturais deste país.” Este álbum vai longe, em vários sentidos. E seguimos aqui celebrando ele.

5 – Tuyo – “Turvo” (2)
Velha conhecida dos fãs, “Turvo” é uma canção que finalmente o trio curitibano resolveu colocar em disco. E a vez dela chegou em “Chegamos Sozinhos em Casa, Vol. 2”. Porém, “Turvo” aparece totalmente desconstruída da versão conhecida pelos fãs. Acelerada, mais eletrônica e mais suingada, é de longe das canções mais viciantes do álbum. Esta é para tocar um milhão de vezes por aí.

6 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (3)
Que álbum é esse, Linn Da Quebrada? Ela conseguiu repetir o difícil feito de bater de frente com uma grande estreia e seu segundo disco é uma nova superobra em uma simbiose linda com a parceria/DJ/produtora Badsista. Ao propor uma nova sonoridade, Linn lança o questionamento e provoca “algoritmos, gêneros e rótulos” e também a plateia ao apresentar um lado seu que ainda não observamos.

7 – Bivolt – “Pimenta” (Estreia)
Delícia esse som da Bivolt com feat. da Gloria Groove. Pop bem feito, graves no jeito e uma letra quente. Bivolt que ainda mantém o MC no user do Twitter dá uma aula de que é possível transitar por gêneros musicais sem perder a identidade.

8 – Priscilla Alcântara – “Tem Dias” (Estreia)
Sucesso desde criança a cantora Priscilla Alcântara fez uma música ao lada da melhor e mais bombada comentarista da Olímpiada, a Karen Jonz – que tem uma carreira musical que a gente já destacou por aqui, além da supercarreira no skate -, e de Lucas Fresno, também conhecido como “o marido da Karen”. A música é um acerto pop com refrão grude e aquela força de tirar a gente de umas bads.

9 – Macaco Bong – “Hacker de Sol” (4)
É sempre bom saber o que se passa pela cabeça do sempre excelente Bruno Kayapy e sua Macaco Bong, atualmente formada por ele e Eder Noleto na bateria mais Igor Carvalho no baixo. “Hacker de Sol” inspirada em “Bacurau”, filmaço de Kleber Mendonça e Juliano Dorneles, quebra um longo silêncio da banda. Fiquem tão quietos assim não, meninos.

10 – Rincon Sapiência – “Todo Canto” (5)
Rincon abraça a onda do drill e faz um single nessa pegada, uma produção de SubX, Ty Fig. Sobre o sentido do gênero, até Rincon fez uma graça com o significado de drill em seu YouTube, já que as minúcias do estilo, marcado por ser mais sombrio e ter graves poderosos, podem passar quase despercebidas aos fãs mais ocasionais.

11 – Kiko Dinucci – “VHS” (6)
12 – Mary Olivetti – “Black Coco” (7)
13 – Rodrigo Amarante – “Maré” (8)
14 – Valciãn Calixto – “Desmistificando Pombagira” (9)
15 – Tagore – “Capricorniana” (10)
16 – Zopelar – “Jump” (11)
17 – Bruno Bruni – “A Onda” (12)
18 – Terno Rei – “Medo” (13)
19 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (16)
20 – Criolo – “Fellini” (17)
21 – Amaro Freitas – “Sankofa” (21)
22 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (22)
23 – Nill – “Singular” (23)
24 – Ana Frango Elétrico – “Promessas e Previsões” (24)
25 – Mineiros da Lua – “Armadilha” (25)
26 – Iara Rennó – “Ava Viva” (26)
27 – Isabel Lenza – “Tudo Que Você Não Vê” (27)
28 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (28)
29 – BNegão feat. Paulão King – “Cérebros Atômicos” (29)
30 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (30)
31 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (31)
32 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (32)
33 – Jonathan Ferr – “Amor” (33)
34 – Jadsa – “Mergulho” (34)
35 – Mulungu – “A Boiar” (35)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (36)
37 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
38 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (38)
39 – Zé Manoel – “Como?” (39)
40 – Yung Buda – “Digimon” (40)
41 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (41)
42 – FEBEM – “Crime” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
47 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o veterano cantor e pianista Guilherme Arantes.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Top 50 da CENA – GIO em primeiro, Tuyo em segundo, Linn em terceiro. Tudo igual numa parada diferente

1 - cenatopo19

* Resolvemos fazer uma semana diferente no nosso Top desta vez. Uma semana sensivelmente menos novidadeira que as outras. São três novidades e repetimos todas as três primeiras posições. “Consumir música não era sobre lançamentos”, escreveu a Dora Guerra na semana passada em uma outra seção da Popload, a “Semiload”, e tem uma conversa interessante aí. Alguns textos ganharam retoques e novas ideias, alguns permanecem. Acalmar a brincadeira é uma ação que pode partir de nós também – vamos escutar tudo de novo com mais calma?

giotopquadrada

1 – GIO – “Sangue Negro” (1)
Que experiência foi trocar uma ideia com GIO, no Popload Entrevista. Está aí um menino cheio de sugestões boa na cabeça. O novo álbum do músico baiano, ex-Giovani Cidreira, além de uma ida a sua ancestralidade com a chave do afrofuturismo, é sua tentativa de colocar essas ideias na prática. Trabalhar pelos seus, por sua história e por seu valor. Por que abaixar a guarda para fazer parte de um mundo que não te respeita? Por que querer fazer parte daquela outra festa? Veja bem a nossa festa. Ela que é bonita e ela que diz um tanto de coisa para nós. Ainda que tantos teimem em jogar na nossa cabeça que não é bem assim. Eles estão errados.
A faixa “Sangue Negro”, escrita com o primo Filipe Castro, abre a obra – no YouTube um curta deles mostra as origens da família de GIO e suas histórias. Ao resumir um pouco da ideia do disco, ele escreveu: “É sobre não esquecer que somos pessoas iluminadas, detentoras de um poder ancestral, de um potencial que o sistema racista, que nos mata todos os dias e nos entrega sobras, descarta e nos faz esquecer, retirando o direito de existir na memória, na musicalidade e nas experiências culturais deste país.” Este álbum vai longe, em vários sentidos.

2 – Tuyo – “Turvo” (2)
Velha conhecida dos fãs, “Turvo” é uma canção que finalmente o trio curitibano resolveu colocar em disco. E a vez dela chegou em “Chegamos Sozinhos em Casa, Vol. 2”. Porém, “Turvo” aparece totalmente desconstruída da versão conhecida pelos fãs. Acelerada, mais eletrônica e mais suingada, é de longe das canções mais viciantes do álbum. Esta é para tocar um milhão de vezes por aí.

3 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (3)
Que álbum é esse, Linn Da Quebrada? Ela conseguiu repetir o difícil feito de bater de frente com uma grande estreia e seu segundo disco é uma nova superobra em uma simbiose linda com a parceria/DJ/produtora Badsista. Ao propor uma nova sonoridade, Linn lança o questionamento e provoca “algoritmos, gêneros e rótulos” e também a plateia ao apresentar um lado seu que ainda não observamos.

4 – Macaco Bong – “Hacker de Sol” (Estreia)
É sempre bom saber o que se passa pela cabeça do sempre excelente Bruno Kayapy e sua Macaco Bong, atualmente formada por ele e Eder Noleto na bateria e Igor Carvalho no baixo. “Hacker de Sol” inspirada em “Bacurau”, filmaço de Kleber Mendonça e Juliano Dorneles, quebra um longo silêncio da banda. Fiquem tão quietos assim não, meninos.

5 – Rincon Sapiência – “Todo Canto” (Estreia)
Rincon abraça a onda do drill e faz um single nessa pegada, uma produção de SubX, Ty Fig. Sobre o sentido do gênero, até Rincon fez uma graça com o significado de drill em seu YouTube, já que as minúcias do estilo, marcado por ser mais sombrio e ter graves poderosos, podem passar quase despercebidas aos fãs mais ocasionais.

6 – Kiko Dinucci – “VHS” (Estreia)
Em seu disco solo “Rastilho”, Dinucci foi atrás de um som de violão bem distante dos limites digitais. Queria repensar as formas de registro do instrumento. “VHS” é uma experiência de 20 minutos de uma única faixa que passa por outro desafio. Aqui a ideia é “estragar” o som pelos limites impostos por um fita VHS, que comia um tanto da qualidade do cinema e aqui “estraga” registros sonoros a partir de um performance de Kiko e Fernando Velasquez para o festival Música Estranha.

7 – Mary Olivetti – “Black Coco” (4)
Filha do mestre Lincoln Olivetti, a DJ e produtora Mary resolveu reler uma joia do pai, no caso este hit dos anos 70. Na versão atualizada, os vocais são da maravilhosa Mahmundi, que só chegam aos 2 minutos da música. Deu para entender um pouquinho da brisa que são esses seis minutos de som?

8 – Rodrigo Amarante – “Maré” (5)
Um outro disco solo que honrou o compromisso é esse do Amarante, o recém-lançado “Drama”, tão bom quanto a estreia do hermano sem o Los Hermanos. Belas canções e proposta acertada de cantar outros mundos e amores possíveis – sem medo do drama. Falar de amor é sempre revolucionário.

9 – Valciãn Calixto – “Desmistificando Pombagira” (6)
O piauiense registra aqui sua mistura única de funk, axé, swingueira, capoeira, salsa, candomblé e xote, temperada pela capacidade enorme dele em fazer letras simples e diretas. E bacanas. E parte para cima de uma tema urgente no Brasil: desmistificar elementos do candomblé e da umbanda. Não por acaso, seu novo EP que saí em breve vai levar o nome de “Macumbeiro 2.0”. Menino bom.

10 – Tagore – “Capricorniana” (7)
Rapaz, que hit imediato o pernambucano Tagore conseguiu criar aqui. Uma conversa direta com o melhor que a música psicodélica na tradição brasileira já produziu – e pop até umas horas, já que a turma curte papo de signo ou “astrologia de buteco”, segundo o próprio vocalista/compositor/guitarrista Tagore Suassuna – até os haters. Afinal haters gonna hate.

11 – Zopelar – “Jump” (8)
12 – Bruno Bruni – “A Onda” (9)
13 – Terno Rei – “Medo” (10)
14 – Bonifrate – “Cara de Pano” (11)
15 – Nelson D – “Nossa Flecha (L_cio Remix) (12)
16 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (13)
17 – Criolo – “Fellini” (14)
18 – Bruxas Exorcistas – “Vade Retro Satanás” (15)
19 – Fusage – “Fearless Soul” (16)
20 – ATR – “Intro’ (20)
21 – Amaro Freitas – “Sankofa” (21)
22 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (22)
23 – Nill – “Singular” (23)
24 – Ana Frango Elétrico – “Promessas e Previsões” (24)
25 – Mineiros da Lua – “Armadilha” (25)
26 – Iara Rennó – “Ava Viva” (26)
27 – Isabel Lenza – “Tudo Que Você Não Vê” (27)
28 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (28)
29 – BNegão feat. Paulão King – “Cérebros Atômicos” (29)
30 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (30)
31 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (31)
32 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (32)
33 – Jonathan Ferr – “Amor” (33)
34 – Jadsa – “Mergulho” (34)
35 – Mulungu – “A Boiar” (35)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (36)
37 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
38 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (38)
39 – Zé Manoel – “Como?” (39)
40 – Yung Buda – “Digimon” (40)
41 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (41)
42 – FEBEM – “Crime” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
47 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, GIO, ex-Giovani Cidreira.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

Tuyo: “Não nascemos de concurso. A gente nasceu da internet”. Confira a Popload Entrevista da semana

1 - cenatopo19

* Quando a gente resolveu fazer umas entrevistas no YouTube neste ano, os curitibanos da Tuyo foram os nossos primeiros convidados. Estavam lançando a primeira parte de “Chegamos Sozinhos Em Casa”, seu aguardado segundo álbum.

As entrevistas gravadas evoluíram para lives – e o trio do Paraná, com um disco novo na praça já ganhou a chance de voltar ao nosso canal de YouTube para mais uma conversa. Desta vez, ao vivo e com participação intensa dos fãs – que colaram em peso para saber mais um pouquinho dos seus ídolos – a conversa foi mais solta e gostosa do que da primeira vez. Menos tensa e com pressões comuns a expectativas de lançamentos, talvez.

Aliás, ídolos é uma palavra que não cabe nessa relação que a Tuyo construiu com seu público. Seus fãs mais próximos está mais para amigos da banda. Uma relação que se estreitou ainda mais na pandemia, com a banda enchendo o YouTube de vídeos e várias lives: “Não nascemos de concurso, de ensaio. A gente nasceu da internet, isso de mensurar o feedback das pessoas ali vem daí”, afirmaram, nesta nesse nosso segundo papo.

Na nossa conversa de pouco mais de uma hora teve espaço para o trio contar sobre as participações especiais do disco novo (Lenine, Drik Barbosa, Jaloo, RDD, entre outros), detalhes de músicas queridas pelos “amigos” da banda, como “Turvo” e “Saudade Impura”, e revelar alguns spoilers dos próximos passos da banda – não queríamos adiantar, mas eles comentaram de um possível álbum com releituras de músicas lançadas nos dois volumes de “Chegamos Sozinhos Em Casa”.

Ah, também tem a história do passado da banda quando eles foram cancelados de um evento gospel. E a Liu pediu cachorro-quente durante a live. Quer mais que isso? Dá um play nesta conversa:

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