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Top 50 da CENA – Bala Desejo recarnavaliza o ranking. Baco Exu do Blues traz muitas referências ao pódio. Autoramas vem com suas nóias em terceiro

1 - cenatopo19

* Semana passada foi a vez de homenagear Elza Soares. Dedicamos o Top 50 todinho à maior voz brasileira até aqui. Era necessário essa pausa para quem tinha o lema “Meu tempo é agora”. Nesta semana, voltamos aos lançamentos. E de olho no agora da Elza encontramos um jovem banda que dá seu primeiros passos, um jovem rapper que chega mais maduro a novo trabalho e um grupo já clássico da cena independente nacional mostrando que ainda tem muita lenha musical para queimar. E isso para ficar só em três das novidades da lista. Também, nossa homenagem a um jovem mestre que perdemos há 25 anos: Chico Science.

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1 – Bala Desejo – “Baile de Máscaras (Recarnaval)” (Estreia)
Há algo do nostálgico e novo no som da banda Bala Desejo, formado por jovens conhecidos da cena do Rio de Janeiro – Dora Morelenbaum, Julia Mestre, Lucas Nunes e Zé Ibarra. Há um Rio de Janeiro que comporta passado e futuro aqui. Também há algo de necessário neste som, que passa pela afirmação contida no título do disco (“Sim Sim Sim”) até esse desejo pelo Carnaval a fim de devolver “a alegria a quem foi dela sequestrado”. “Dentro do sim, dizer”, escutamos Caetano Veloso recitar na introdução do álbum. Está dito, turma. Arrepiaram.

2 – Baco Exu do Blues – “Lágrimas” (Estreia)
Gal Costa aparece como feat. aqui, mas é uma coisa dos nossos tempos, onde um sample, que muitas vezes ficava escondido, aparece agora como participação especial. Ela canta “Lágrimas Negras”, de Jorge Mautner e Nelson Jacobina. As lágrimas que borram a letra do poeta, como cantou Mano Brown, borram os versos de Baco, que aprendeu a “não ter medo de bater, de apanhar, ser baleado ou atirar”, mas não aprendeu a amar, como cantou Cássia nos versos de Cazuza. Quanta referência!!

3 – Autoramas – “Nóias Normais” (Estreia)
Gabriel Thomaz e cia vêm te tranquilizar logo na abertura do novo álbum do Autoramas, “Autointitulado”. Querer férias da própria cabeça? Brigar com o próprio reflexo? Repetir os mesmos erros? Nóias normais, pô. Tem que se ligar.

4 – Tuyo – Pra Curar (versão “Fragmentos 2”) (Estreia)
Músicas se transformam em turnês. É a hora de ver as possibilidades dentro da criação. Privados de poderem fazer shows, a Tuyo foi fazer essa experiência com o próprio repertório em dois novos discos. “Fragmentos 1” e “Fragmentos 2” são um pouco disso. E é assim que “Pra Curar”, faixa de “Chegamos Sozinhos em Casa”, surge aditivada e ainda melhor, sem dúvida.

5 – Anitta – “Boys Don’t Cry” (Estreia)
O plano de dominação mundial da Anitta segue em curso, que é uma beleza. Desta vez ela levou seu novo single para tocar até na TV americana, single este é um rock (!!!!!). Anitta entrando no território do pop de guitarras que está varrendo a música dos EUA, né, Olivia Rodrigo? A intenção é melhor que o resultado, mas, ainda assim, não podemos deixar de perceber. Como o inglês da Anitta melhorou muito rápido, hein? Essa mulher é determinada!

6 – Chico Science e Nação Zumbi – “Maracatu Atômico” (Estreia)
Caramba, 25 anos sem Chico. São 25 anos sem muitas possibilidades na música brasileira. Como quando ele resgatou esta música, que estava no repertório do Gil, escrita por Jorge Mautner e Nelson Jacobina (olha eles de novo no nosso Top 50!). A gravação é sw 1996. Anos lá na frente, 2013, quando Gil encontra Mautner em um Sesc Pompéia lotado, comenta: “A gente canta do nosso jeito, mas eles (a platéia) cantam do jeito dele (Chico Science)”. E esta é só uma das muitas que ele aprontou. Gigante.

7 – Larissa Luz/Rabo De Galo e Ubunto – “Lá Vem os Homens”/Larissa Luz – “Culpido Erê” (Estreia)
“Ainda Atrás do Pôr do Sol” é um álbum do baiano Lazzo Matumbi lançado em 1988. Joia perdida, ausente das plataformas de streaming, Rabo de Galo (DJs Komodo & Peu Araújo) mais o Ubunto colocam esse disco entre os assuntos do dia quando resolvem regravar tudo com convidados especiais. Ano passado, fez barulho o single com Luedji Luna. E agora é a hora de aproveitar essa releitura na íntegra. Fácil um dos melhores e mais deliciosos discos do ano. EsTa que tem o vocal da Larissa Luz nos lembrou de que ela acabou de soltar um EP com o Tropkillaz. Que turma.

8 – Terno Rei – “Dias da Juventude” (1)
Passado, presente e futuro se confundem no primeiro single que o Terno Rei divulgou do que virá a ser seu quarto álbum, ainda sem data de lançamento programada. Após o gigante “Violeta”, que colocou a banda em evidência, a sequência promete ao abrir um novo diálogo com quem viveu e com quem imagina o que foram os anos 90, período que eles gostam de evidenciar no som, nos vídeos e nas capas com certa frequência. E vale sacar o vídeo da música, que bombaria fácil no Disk MTV. Lembra os dias da juventude?

9 – Fernando Catatau – “Nada Acontece” (3)
Ao lado de Juliana R e Gio(vani Cidreira) na composição e vozes, Catatau, sempre um cidadão instigado, oferece a primeira pista do que será seu primeiro álbum solo. E de cara já apresenta o que separa ele sozinho de seu trabalho em banda – aqui mais guiado pelo sintetizador do que pela guitarra, que não desapareceu, lógico.

10 – Gab Ferreira – “pieces” (Estreia)
Já se ligaram no trabalho da jovem cantora catarinense Gab Ferreira? “pieces”, a novidade, é um esperto pop eletrônico lisérgico com sua ambientação sonora de um estado de espírito que pede mudanças ao juntar nossos cacos existenciais. Para viajar nas tretas internas. É o segundo single de sua próxima mixtape, que chega via Balaclava em abril.

11 – Assucena – “Parti do Alto” (2)
12 – N.I.N.A. – “Stephen King (Jotaerre Remix)” (5)
13 – FBC – “De Kenner” (4)
14 – Pitty, Jup do Bairro e Badsista – “Busca Implacável” (6)
15 – Sargaço Nightclub – “A Dança do Caos” (7)
16 – Luneta Mágica – “Águas Poluídas” (8)
17 – Nara Leão – “Opinião” (9)
18 – Juçara Marçal – “Crash” (10)
19 – Don L – “Volta da Vitória/Citação: Us Mano e as Mina (Xis)” (11)
20 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (12)
21 – Jadsa – “Sem Edição” (13)
22 – Alessandra Leão – “Borda da Pele” (14)
23 – LEALL – “Pedro Bala” (15)
25 – Caetano Veloso – “Pardo” (17)
26 – Amaro Freitas – “Baquaqua” (18)
27 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (19)
28 – Coruja BC1 – “Brasil Futurista” (21)
29 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (23)
30 – Liniker – “Mel” (25)
31 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (26)
32 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (27)
33 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (28)
34 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (29)
35 – Rodrigo Amarante – “Maré” (30)
36 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (31)
37 – GIO – “Sangue Negro” (32)
38 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (33)
39 – Jonathan Ferr – “Amor” (34)
40 – Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo – “Fora do Meu Quarto” (35)
41 – MC Carol – “Levanta Mina” (36)
42 – Criolo – “Cleane” (37)
43 – Fresno – “Casa Assombrada” (38)
44 – César Lacerda – “O Sol Que Tudo Sente” (40)
45 – TARDA – “Futuro” (41)
46 – Rabo de Galo, Ubunto e Luedji Luna – “Me Abraça e Me Beija” (42)
47 – Céu – “Chega Mais” (43)
48 – brvnks – “sei la” (44)
49 – Vandal, Djonga e BaianaSystem – “BALAH IH FOGOH” (45)
50 – Febem e CESRV – “Crime” (47)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a banda Bala Desejo.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Top 50 da CENA: um resumo de 2021. Também conhecido como: As 50 Melhores Músicas do Ano no Brasil

1 - cenatopo19

* Como a gente já repetiu algumas vezes: listar as nossas favoritas da CENA brasileira, durante todo o ano, é mais um jeito de contar tudo de bom do que a gente anda ouvindo a cada semana. A gente deixa de lado qualquer pretensão de dizer o que é melhor ou pior. No fim de ano, a missão segue a mesma. Nossa ideia aqui é apresentar este resumo do que foi 2021. Faltou música, lógico, a ordem talvez desagrade, mas é só voltar semana a semana para achar outras centenas de músicas incríveis destacadas aqui para de um modo modesto jogar luz nesta CENA brasileira nada modesta. A CENA nunca foi tão produtiva e boa.

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1 – Juçara Marçal – “Crash”
Rap. Samba. Juçara entrega em “Crash”, letra de Rodrigo Ogi, uma música que arrebenta com qualquer fronteira que se queira criar entre os gêneros musicais. É impossível determinar onde começa o que aqui. Uma certeza é que a letra tem um recado mais claro: é hora de ver a derrota de quem com ferro feriu.

2 – Don L – “Volta da Vitória/Citação: Us Mano e as Mina (Xis)”
Nas revoluções do passado e nas que virão, que aparecem por todo o novo roteiro de Don L, há o dia da vitória. Dia das conquistas e celebrações. Em tempos amargos, é bom lembrar em uma canção que a festa é parte da transformação. Ela não precisa ser só uma resposta para a tristeza da realidade, mas sim a constante nessa nova trilha.

3 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah”
E, no ano em que a música brasileiro sonhou perigosamente, Rico versa: “Sem poder saber o passado/ sem poder ganhar o presente/ E ter a culpa de ser o futuro/ Meus sonhos são gigantes”. Sonhos que acontecem aqui, na América do Sul, detalhe que Rico faz questão de lembrar ao ouvinte, que é puxado para dentro da canção em uma singela quebra da quarta parede: “Alô, parceiro, passageiro”.

4 – Jadsa – “Sem Edição”
Se a distopia onde vivemos a vida dos outros através de milhares de filtros sociais e virtuais é aqui e agora, Jadsa clama por um pouco de vida real sem aquecer, esfriar, esmaecer, ajustar e outras coisas. Que discaço que ela fez.

5 – Alessandra Leão – “Borda da Pele”
Nas palavras da própria Alessandra, “Borda da Pele” é “A escolha subversiva pelo sim”. E ela continua: “Pela estratégia do prazer. Sabedoria selvagem da escuridão de dentro em resposta às trevas de fora”. Quando a descrição vem pronta assim a gente só reproduz. Não é preciso dizer mais nada.

6 – LEALL – “Pedro Bala”
Em uma letra que abre diálogos com Jorge Amado (Pedro Bala de “Capitães de Areia”) e Chico Buarque (que tem seu “Pedro Pedreiro”), Leall descreve com exatidão a realidade, sonhos e motivações de um personagem condenado pela estrutura racista do Brasil a violência, miséria e fome. E transforma tudo isso em música de primeira.

7 – Marina Sena – “Por Supuesto” e FBC – “Se Tá Solteira”
Talvez as duas principais músicas produzidas pela cena independente brasileira que furaram a bolha e alcançaram plays incontáveis por Tik Toks e pelas festas do país. Merecem a celebração conjunta.

8 – Caetano Veloso – “Pardo”
Ao lado de Letieres Leite, mestre que a música brasileira perdeu em 2021, Caetano faz sua autodeclaração, que já havia sido cantada por Céu: é pardo. Termo que Caetano reconhece que é mais usado hoje do que na sua juventude. Ainda que não seja exatamente sobre o assunto, a canção coincide com a defesa de Caetano que a discussão racial no Brasil passe a ser mais informada pelo próprio Brasil do que pelos Estados Unidos.

9 – Amaro Freitas – “Baquaqua”
A impressionante trajetória de Baquaqua, africano que foi escravo no Brasil e após fugir do país escreveu sua autobiografia nos Estados Unidos, um raro documento histórico de um escravo sobre sua realidade, vira uma música instrumental absurda no piano de Amaro, que traduz nota a nota essa jornada.

10 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem”
Ao trazer brega, forró e calypso para informar o ultrapop, invertendo o processo onde geralmente é a gente que é contaminado pelo pop estrangeiro, Pabllo Vittar segue inventiva ditando o pop na música brasileira.

11 – Anitta – “Girl from Rio”
12 – Coruja BC1 – “Brasil Futurista”
13 – Tuyo – “Sonho de Lay”
14 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro”
15 – Marina Sena – “Pelejei”
16 – Liniker – “Mel”
17 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (28)
18 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)”
19 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne”
20 – Edgar – “A Procissão dos Clones”
21 – Rodrigo Amarante – “Maré”
22 – Tasha e Tracie – “Lui Lui”
23 – GIO – “Sangue Negro”
24 – Linn Da Quebrada – “I míssil”
25 – Jonathan Ferr – “Amor”
26 – Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo – “Fora do Meu Quarto”
27 – MC Carol – “Levanta Mina”
28 – Criolo – “Cleane”
29 – Fresno – “Casa Assombrada”
30 – Gab Ferreira – “Karma”
31 – César Lacerda – “O Sol Que Tudo Sente”
32 – TARDA – “Futuro”
33 – Rabo de Galo, Ubunto e Luedji Luna – “Me Abraça e Me Beija”
34 – Céu – “Chega Mais”
35 – brvnks – “sei la”
36 – Vandal, Djonga e BaianaSystem – “BALAH IH FOGOH”
37 – FEBEM – “Crime”
38 – Luedji Luna e Zudzilla – “Ameixa”
39 – Johnny Hooker – “Amante de Aluguel”
40 – BADSISTA – “Chora Na Minha Frente”
41 – BK – “Cidade do Pecado”
42 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo”
43 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras”
44 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz”
45 – Nelson D – “Algo Em Processo”
46 – Duda Beat – “Meu Pisêro”
47 – Yung Buda – “Digimon”
48 – Boogarins – “Supernova”
49 – Jota Ghetto – “Vagabounce”
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo”

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora carioca Juçara Marçal.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Os Melhores Discos de 2021 da Popload – nacional

1 - cenatopo19

* A mesma dor “gostosa” que passamos ao tentar definir os melhores discos internacionais de 2021 sofremos para primeiro elaborar um Top 10 nacional dos mais significantes álbums lançados neste ano no Brasil, cada um ao gosto de seus votantes. Segundo, escolher uma ordem de “importância pessoal” para esses dez álbuns. E terceiro para, ainda dentro do gosto de cada um, pinçar o primeiro lugar dentro dessa turma de discos importantes que fizeram deste ano um dos melhores nesta produção incrível, variada e de muitas dimensões, camadas e cores desta CENA linda.

Cabe a nós, num computo geral dos votantes da Popload para os melhores discos nacionais de 2021 e estabelecendo uma nota para cada, esclarecer que estes quatro álbuns abaixo ocuparam o nosso pódio final:

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1. “Delta Estácio Blues”, Juçara Marçal

2. “Olho de Vidro”, Jadsa

3. Baile”, FBC & VHOOR / “Roteiro pra Aïnouz, Vol. 2”, Don L

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Abaixo, seguem os votos dos poploaders que durante o ano todo se embrenharam empolgadamente nesta vasta floresta que é a CENA brasileira de nova música ou de veteranos músicos lançando novidades. Tem para tudo e para todos na enorme trilha sonora que embala esta terra brasilis muito loka. Mas também muito rica e criativa.

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** Lúcio Ribeiro

1. “Olho de Vidro”, Jadsa
2. “Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo”, Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo
3. “Delta Estácio Blues”, Juçara Marçal
4. “Baile”, FBC & VHOOR
5. “Sankofa”, Amaro Freitas
6. “Ultrassom”, Edgar
7. “III”, Giovanna Moraes
8. “Dolores Dala Guardião do Alívio”, Rico Dalasam
9. “Torus”, Carlos do Complexo
10. “Diretoria”, Tasha & Tracie

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** Isadora Almeida

1. “Pacífica Pedra Branca”, Jennifer Souza
2. “Olho de Vidro”, Jadsa
3. “Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo”, Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo
4. “De Primeira”, Marina Sena
5. “Baile”, FBC & VHOOR
6. “Roteiro pra Aïnouz, Vol. 2”, Don L
7. “Delta Estácio Blues”, Juçara Marçal
8. “Jovem OG”, Febem
9. “Chegamos Sozinhos em Casa”, Tuyo
10. “Bebé”, Bebé

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** Vinicius Felix

1. “Roteiro pra Aïnouz, Vol. 2”, Don L
2. “Delta Estácio Blues”, Juçara Marçal
3. “Dolores Dala Guardião do Alívio”, Rico Dalasam
4. “Olho de Vidro”, Jadsa
5. “Esculpido a Machado”, Leall
6. “Diretoria”, Tasha & Tracie
7. “Borogodó”, Mc Carol
8. “Batuque de Magia”, Art Popular
9. “Rocinha”, Mbé
10. “Chegamos Sozinhos em Casa”, Tuyo

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** Dora Guerra

1. “De Primeira”, Marina Sena
2. “Delta Estácio Blues”, Juçara Marçal
3. “Baile”, FBC & VHOOR
4. “Roteiro pra Aïnouz, Vol. 2”, Don L
5. “Dolores Dala Guardião do Alívio”, Rico Dalasam
6. “Batidão Tropical”, Pabllo Vittar
7. “Diretoria”, Tasha & Tracie
8. “Síntese do Lance” – João Donato e Jards Macalé
9. “Meu Coco”, Caetano Veloso
10. “Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo”, Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo

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** Tallita Alves

1. “Batidão Tropical”, Pabllo Vittar
2. “Chegamos Sozinhos em Casa”, Tuyo
3. “Trava Línguas”, Linn da Quebrada
4. “Portas”, Marisa Monte
5. “Te Amo Lá Fora”, Duda Beat
6. “Indigo Borboleta Azul”, Liniker
7. “Doce 22”, Luísa Sonza
8. “Meu Coco”, Caetano Veloso
9. “De Primeira”, Marina Sena
10. “Baile”, FBC & VHOOR

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Popnotas – Refazendo o final dos Beatles. O show-desenho da Billie Eilish. A CENA criando na pandemia. E a baterista de 10 anos do Foo Fighters

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– Semana que vem estreia na plataforma de assinatura Disney+ o filme-show da Billie Eilish. “Happier than Ever: Uma Carta de Amor para Los Angeles” traz a cantora mais famosa no mundo hoje mostrando faixa a faixa, cabo a rabo, seu disco novo, o ótimo “Happier than Ever” no enorme Hollywood Bowl. Mas não é simplesmente um show. É um misto de filme, desenho, concerto, dirigido pelo cineasta Robert Rodriguez, amigo do Tarantino. Vai ser grandioso com orquestra, vai ter momentos intimistas. Um verdadeiro rolê cinematográfico do disco novo de Billie Eilish, misturando música e suas fantasias de teen e agora mulher adulta sobre Los Angeles, que devem combinar bem com suas letras, que narram suas histórias mesmo. E ontem saiu um trailerzão de “Happier than Ever: Uma Carta de Amor para Los Angeles” que você pode ver abaixo:

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– Remasterizaram e expandiram o clássico álbum “Let It Be”, o décimo segundo e o último disco daquela banda lá chamada The Beatles, para lançá-lo agora com novos mixes, cheio de bônus, 51 anos depois, para tentar, talvez, tirar a sombra de disco problemático e soturno que veio ao mundo nem um mês depois de a banda anunciar seu fim. Um disco “maldito”, ok, mas que tinha “Let It Be”, “Get Back” e “Across the Universe”, por exemplo. Esta edição especial do álbum sai em 15 de outubro. E tem um trailer, abaixo:

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– A história é assim. A plataforma de lives interativas Taboom lançou ontem à noite, em seu app, o projeto “Nada Será Como Antes”, que promoverá encontros virtuais de artistas da cena nacional, para discutir temas relacionados à música de hoje e criarão em conjunto músicas para um futuro álbum. Entre os artistas confirmados no “Nada Será Como Antes”, que tem curadoria da agitadora cultural mineira Laura Damasceno, estão Dinho Boogarins Almeida, a multiartista paulistana Jup do Bairro, o produtor e cantor Helio Flanders (do Vanguart), a banda paranaense Tuyo, mais Jonathan Ferr, Romero Ferro, Teago Maglore, Zé Ibarra, Maria Luiza Jobim e Brisa Flow, num total de dez participantes. A ideia é que eles formem duplas criativas para comporem remotamente uma música do zero, tendo sempre como pano de fundo a pandemia e as angustias e reinvenções positivas e negativas causadas por ela na música. Essas cinco canções vão virar um EP, sob os cuidados produtores de Leonardo Marques, multiinstrumentista e dono de estúdio que grava muita gente da CENA brasileira. Os papos e os sons serão interativos, já que o app tem vários recursos diferentes como enquete, quiz, mudança de layout durante a live etc. A estreia de “Nada Será Como Antes” será nesta sexta à noite, às 20h, com o encontro de Dinho Almeida e Tuyo. E continua até 30 de setembro, quatro lives por dupla. No dia 18 de outubro, tem a live de audição das canções produzidas. O app do Taboom está disponível nos sistemas Android e IOS (iPhone).

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– Isso ia acontecer um dia. A espetacular menininha inglesa Nandi Bushell, fenômeno do Youtube por tocar clássicos do rock na bateria de forma absurda, enfrentando até desafios contra Dave Grohl e o Matt Helders, do Arctic Monkeys, teve sua experiencia REAL ontem à noite em Los Angeles. A garota, de 10 anos, foi convidada a ir aos Estados Unidos pelo Foo Fighters para mostrar seus dotes ao vivão no show da banda. Nandi foi chamada ao palco para junto com o FF espancar a bateria especial montada para ela no hit “Everlong”. Foi emocionante. O show foi no Forum, em LA, cujo público aplaudiu Nandi sem parar. “Everlong” encerrou a apresentação do Foo Fighters. Nandi participou da tradicional saudação final de Dave Grohl, banda e audiência, na beira do palco.

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Top 50 da CENA – Com todas as permissões pedidas, Exu ocupa o topo do nosso ranking. Dá-lhe Valciãn Calixto. Cadu Tenório e 1LUM3 completam o pódio

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* Como explicar a seleção desta semana? Temos um importante primeiro lugar, que bate de frente contra um problema sério do Brasil atual, que é o preconceito religioso. Um trabalho que tem toques experimentais assim como alguns dos outros escolhidos para este ranking – Cadu, Mariá. Quando a música é mais tradicional na forma, é experimental na sua gravação – Letrux está gravando pela primeira vez algumas canções que escreveu há mais de dez anos e isso dá uma sensação de deslocamento muito interessante. Então, aprofundando mais na temática acima, nosso primeiro lugar é sobre Exu. Nenhuma conclusão diferente da de que estamos de frente para a melhor CENA musical do Planeta Terra.

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1 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (Estreia)
Em “Macumba 2.0”, álbum recém-lançado, o músico piauiense Valciãn Calixto dá uma aula sobre as religiões de matriz africana buscando desmistificar conceitos errados criados com a intenção de desarticular e criminalizar sua prática. Neste som, Exu é comtemplado e explicado por Valciãn em um forró que mantém sua pesquisa sonora articulada com indie e experimentações lo-fi. Se isso não é uma riqueza sonora brasileira por onde quer que se olhe, não sabemos mais o que é. Valciãn é o nosso Sufjan Stevens do Nordeste, fala que não.

2 – Cadu Tenório – “Psycho Zaku” (Estreia)
Não que a gente entenda tudo, mas é um barato a viagem experimental do carioca Cadu Tenório. Em “Are You Okay” temos uma porção de músicas longas que vão se construindo e descontruindo em loops, ruídos, colagens. E, pensando melhor, será que tem algo mesmo para ser entendido? É sentir, talvez, o verbo mais apropriado.

3 – 1LUM3 – “Lovecrime” (Estreia)
A voz da 1LUM3 segue sendo uma das mais bonitas da CENA e aqui ela capricha em boas letras e nas produças certeiras – é pop, mas não tem muito cara de pop, saca? “Lovecrime” é daquelas que nascem com cara de hit, um som sobre amores que já se despedaçaram e seguem nas nossas mentes.

4 – Letrux – “Isso Aqui É um Campo Minado” (Estreia)
Aqui Letrux nos apresenta mais uma música que ela escreveu há muito tempo e nunca tinha gravado. Talvez essa seja uma de 2007 e 2008 e já revela um pouco do que ela faria mais para a frente. Dá uma sensação engraçada ver letras de uma Letrux que não existe mais sendo cantadas pela Letrux de hoje. Como isso chama não sabemos, mas tem uma sensação aí.

5 – Mariá Portugal – “Cheio/Vazio” (Estreia)
E, por falar em música esquisitinha, que delícia essa experimentação da Mariá Portugal. A baterista/compositora que já tocou com vários grandes nomes da MPB, além de ser parte do sensacional Quartabê, faz uma música que chega a ser tradicional até seus dois minutos – dali em diante as formas e tempo parecem se dissolver e voltar e sumirem de novo. Difícil descrever. Este single fará parte de seu novo álbum, “Erosão”.

6 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (1)
Em seu novo disco, o veterano Guilherme Arantes investiu em recuperar suas raízes progressivas. Para quem não sabe, ele, que ficou conhecido por suas baladas mais românticas, teve uma fase progressiva e roqueira com a banda Moto Perpétuo. A pecha “romântica” que vem grudada a seu nome não faz jus à totalidade de sua carreira. Neste retorno às origens, digamos, ele escreveu a épica “A Desordem dos Templários”, um som de mais de sete minutos com diversas seções, inclusive uma em ritmo de baião. A música parece usar de símbolos antigos para falar dos dias atuais. Em um momento, Guilherme canta: “Cada dia é uma batalha desigual em nome de uma paz/ E tudo que se entende por ‘normal’ é a bandeira incandescente da exclusão”.

7 – Autoramas e Rodrigo Dead Fish – “A Cara do Brasil” (2)
A parceria Autoramas e Rodrigo, vocalista do Dead Fish, chega em uma música veloz e urgente – no clima e na duração. Ela tem quaaaase um minuto, mas dá conta de resumir um ano, quase dois da condução criminosa da pandemia no Brasil, que já custou perto de 600 mil vidas. Para que serve o punk bom, não é mesmo?

8 – Marcelo Perdido – “Carnaval” (3)
Por falar em pandemia e governo que conduz tudo da pior maneira possível – não teve como ter Carnaval neste ano. Mesmo sendo sem ser. Sendo. E aí fica na nossa cabeça esta bela música do Marcelo Perdido com participação do Teago Oliveira, da Maglore, que fala sobre um Carnaval que não foi, mas é. Talvez a canção esteja mesmo falando disso um pouco. Especialmente sobre a nossa força de manter a festa, em amplos sentidos. Estamos muito errados, Marcelo?

9 – GIO – “Sangue Negro” (4)
Que experiência foi trocar uma ideia com GIO, no Popload Entrevista. Está aí um menino cheio de sugestões boas na cabeça idem. O novo álbum do músico baiano, ex-Giovani Cidreira, além de uma ida a sua ancestralidade com a chave do afrofuturismo, é sua tentativa de colocar essas ideias na prática. Trabalhar pelos seus, por sua história e por seu valor. Por que abaixar a guarda para fazer parte de um mundo que não te respeita? Por que querer fazer parte daquela outra festa? Veja bem a nossa festa. Ela que é bonita e ela que diz um tanto de coisa para nós. Ainda que tantos teimem em jogar na nossa cabeça que não é bem assim. Eles estão errados.
A faixa “Sangue Negro”, escrita com o primo Filipe Castro, abre a obra – no YouTube um curta deles mostra as origens da família de GIO e suas histórias. Ao resumir um pouco da ideia do disco, ele escreveu: “É sobre não esquecer que somos pessoas iluminadas, detentoras de um poder ancestral, de um potencial que o sistema racista, que nos mata todos os dias e nos entrega sobras, descarta e nos faz esquecer, retirando o direito de existir na memória, na musicalidade e nas experiências culturais deste país.” Este álbum vai longe, em vários sentidos. E seguimos aqui celebrando ele.

10 – Tuyo – “Turvo” (5)
Velha conhecida dos fãs, “Turvo” é uma canção que finalmente o trio curitibano resolveu colocar em disco. E a vez dela chegou em “Chegamos Sozinhos em Casa, Vol. 2”. Porém, “Turvo” aparece totalmente desconstruída da versão conhecida pelos fãs. Acelerada, mais eletrônica e mais suingada, é de longe das canções mais viciantes do álbum. Esta é para tocar um milhão de vezes por aí.

11 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (6)
12 – Bivolt – “Pimenta” (7)
13 – Priscilla Alcântara – “Tem Dias” (8)
14 – Macaco Bong – “Hacker de Sol” (9)
15 – Rincon Sapiência – “Todo Canto” (10)
16 – Mary Olivetti – “Black Coco” (12)
17 – Rodrigo Amarante – “Maré” (13)
18 – Tagore – “Capricorniana” (15)
19 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (19)
20 – Criolo – “Fellini” (20)
21 – Amaro Freitas – “Sankofa” (21)
22 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (22)
23 – Nill – “Singular” (23)
24 – Ana Frango Elétrico – “Promessas e Previsões” (24)
25 – Mineiros da Lua – “Armadilha” (25)
26 – Iara Rennó – “Ava Viva” (26)
27 – Isabel Lenza – “Tudo Que Você Não Vê” (27)
28 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (28)
29 – BNegão feat. Paulão King – “Cérebros Atômicos” (29)
30 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (30)
31 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (31)
32 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (32)
33 – Jonathan Ferr – “Amor” (33)
34 – Jadsa – “Mergulho” (34)
35 – Mulungu – “A Boiar” (35)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (36)
37 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
38 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (38)
39 – Zé Manoel – “Como?” (39)
40 – Yung Buda – “Digimon” (40)
41 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (41)
42 – FEBEM – “Crime” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
47 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o músico piauiense Valciãn Calixto.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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