Em twenty one pilots:

Popnotas – Lollapalooza Chicago tá on. O filme errado da St. Vincent. O sabadão do Twenty One Pilots. London Grammar, Paris Grammar

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– Agora é oficial: o Lollapalooza em sua versão norte-americana está de volta. Após especulações, veio o anúncio oficial do festival pelo Twitter. A edição que celebra os 30 anos do Lolla acontece entre 29 de julho e 1ª de agosto em Chicago. As atrações devem ser divulgadas amanhã. Todos os detalhes sobre a questão da entrada, entre vacinados e testados, deve ser reveladas em breve. Mas é aquilo: festivalzão com pessoas, quase como naqueles velhos tempos, em 3032. Em terra com vacinação séria, esses são os planos.

– Nossa alegria com o retorno do Sleater-Kinney e com o novo disco da St. Vicent se encontra em um filme escrito em parceria pela Annie Clark (St. Vicent) e Carrie Brownstein (Sleater-Kinney). “Nowhere “Inn” acabou de ganhar um trailer e uma data de estreia em cinemas e lojas online: 17 de setembro. Pelo que Clark conta no trailer e pelas imagens, tudo indica que temos um mockumentary meio surreal. “Era para ser um documentário musical: filmagens de concertos, entrevistas… Queria que as pessoas soubessem quem eu realmente sou. Uma das razões pelas quais eu queria fazer um documentário em primeiro lugar é que finalmente estaria no controle da narrativa. Tudo o que posso dizer é que em algum lugar ao longo do caminho as coisas deram terrivelmente erradas.”

– Tem single novo do Twenty One Pilots na pista. “Saturday” é a terceira faixa revelada do álbum “Scaled and Icy”, uma construção à distância por conta da pandemia, que saí nesta sexta-feira. Mesmo dia em que rola a primeira live da dupla formada por Tyler Joseph e Josh Dun, um rolê que para colar precisar comprar ingresso. Então corre lá: live.twentyonepilots.com.

– Vale dar uma olhadinha na bela sessão que o trio britânico London Grammar fez para os franceses do #LeDriveRTL2. Eles optaram em apresentar “How Does It Feel”, uma das belezinhas do álbum “Californian Soil”, lançado neste ano.

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Popnotas – Billie Eilish mulherão. Rage Against Pussy Riot. Warpaint no seriado. A nova boa do Twenty One Pilots

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– Nem todo mundo entende muito que o Rage Against The Machine odiava a máquina capitalista e não um outro tipo de máquina. Por isso, talvez se assustem quando seus antigos integrantes se manifestam politicamente. Tom Morello, provavelmente o antigo integrante da banda mais ativo, se uniu com as russas “revolucionárias” do Pussy Riot para uma música. “Weather Strike”, nas definições da Nadya Tolokonnikova, uma das ativistas da banda, é sobre imaginar um futuro onde o sistema de segurança não dependa mais da violência policial.

– As meninas do Warpaint andavam sumidas, né? Sem novidades desde 2016, se você não contar trilha sonora de podcast como novidade e um cover de Gang of Four para coletânea, elas voltaram com um single para uma série da HBO chamada “Made for Love”. “Lilys” é uma música feita antes da pandemia, ainda que finalizada à distância. Detalhe: a ideia da banda nem era soltar a música nem meio que ter feito ela. A canção nasceu de experimentos. Mas a HBO gostou, a gravadora curtiu. A gente aprovou também.

– Talvez o Twenty One Pilots nem seja muito para a gente aqui, embora as apresentações ao vivo do duo sejam bem divertidas. Mas o negócio é que Tyler Joseph e Josh Dun são queridos da galera e, sim, estamos curiosos por esse “Scaled and Icy”, o disco novo, o sexto dos jovens adultos de Ohio, que sai agora no fim de maio. Esse “desclaimer” todo serve também para falar que gostamos de “Choker”, segundo single do vindouro álbum novo. No mesmo dia em que eles lançam o disco, 21 (twenty-one) de maio, eles promovem a primeira live da banda na pandemia. Os ingressos, 20 doletas, podem ser comprados aqui.

– O fim de semana trouxe uma Billie Eilish “diferente”, polêmica diríamos. A gente já viu pelo último single-vídeo-fotos que a menina tímida que explodiu mundialmente fazendo seu primeiro disco trancada em seu quarto mudou, agora a caminho do segundo disco, que sai dia 30 de julho. O álbum novo já entrega na foto da capa e em seu nome, “Happier than Ever”, que a fase é outra, mais feliz, de enfrentamento, querendo dizer que Billie se diz pronta a encarar seus fantasmas, que não são ou eram poucos. Principalmente o da vergonha de seu corpo. Depois que o mais recente single-vídeo, “Your Power”, surgiu para mostrar uma poderosa Billie Eilish loira californiana sozinha à beira de um penhasco sem medo de uma cobra gigante, a internet caiu neste final de semana quando chegaram às redes algumas imagens dela feitas para um ensaio de capa da próxima edição da “Vogue” britânica de junho, que é lançada agora em maio. Billie mulherão, olhando para a frente, botando o fim na imagem da menininha (ela “já” tem 19 anos, né?) caseira cuja melhor amiga era uma aranha de estimação. “Eu não estou me deixando mais ser uma propriedade”, disse Eilish na entrevista que acompanham “as fotonas”. “Mostrar o seu corpo e sua pele, ou escolher não fazer nada disso, não deveria tirar nenhum respeito de você.”

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SEMILOAD – Por que a música nova (?!) ainda insiste nos anos 70

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* “Como assim os anos 70 estão na moda?”, questiona Dora Guerra, da newsletter massa Semibreve, parceira da Popload no nosso “Long Read” semanal. Ela questiona e ela mesma responde. Como Dora diz, olhando seja para o ressurgimento seventies do Twenty One Pilots ou para a última piração temporal de Alex Turner, o importante aqui é lembrar que a nostalgia por si só já não é mais um fenômeno. A gente vive esta realidade.

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Antes de qualquer anúncio oficial, vazaram pôsteres do “retorno” do duo americano Twenty One Pilots – e a estética visual deles me surpreendeu um bucado. Já extremamente animada e acompanhando a divulgação de “Daddy’s Home”, novo disco da St. Vincent, me deparei com esse universo em que ambos se confundem.

O padrão é simples: os anos 70 estão em voga há um tempo – quase que desde os próprios anos 70. Nos últimos anos, vimos fenômenos feito “Uptown Funk”, música do Mark Ronson/Bruno Mars; a retomada “indie” disso, com “Tranquility Base Hotel & Casino”, o último disco do Arctic Monkeys; e a leva disco assustadoramente forte no ano passado. Ainda assim, o ano é 2021 e temos St. Vincent, Twenty One Pilots (que não confirmaram nada, mas estou deliberadamente os usando para fortalecer o argumento) e Silk Sonic fazendo grandes anúncios utilizando TVs antigas. Temos ainda o grupo inglês Dry Cleaning, queridinho da Popload, gravando vídeo em cassete. É, galera… Estamos mergulhando (de novo!) em uma década que não volta mais.

É importante lembrar aqui que a nostalgia por si só já não é mais fenômeno; é realidade. A palavra nostalgia está tão na ponta da língua que foi até nome de álbum em 2020. O nosso presente é, quase que o tempo todo, meio passado. Na era da reprodutibilidade técnica, você pode simplesmente baixar instrumentos que simulam os sintetizadores setentões sem medo – em termos de moda e visuais, então, eu mesma quase faço de casa.

E, se já vivíamos uma era espontaneamente nostálgica – na leva da série “Stranger Things”, o grande exemplão caricato da nostalgia no século XXI –, nosso momento escapista definitivamente não nos ajuda. Enquanto a situação ainda é do mundo e não só brasileira, nada mais natural que a população global mergulhe em lembranças de aglomerações, discotecas e a sensação (ainda que ilusória) de que podemos estar em outro espaço-tempo.

E existe até uma teoria famosa por aí de que os ciclos nostálgicos acontecem de 20 em 20 anos, né? Isso significa que, segundo essa lógica, estaríamos revisitando os anos 2000 (e estamos também). Mas onde os anos 70 entram nessa história?

Afinal: o que há de tão sedutor nos anos 70, especificamente?

Um motivo possível é que, à primeira vista, essa década encapsula o melhor da música e da cultura efervescente. Estamos falando daquela cena cultural que nos gerou os grandes clássicos, “antigos” o suficiente para se tornarem inquestionáveis, mas novos o suficiente para (alguns) ainda estarem por aqui.

E aí, meu amor, você pode até gostar do “Blackstar” (2016); mas não é fã de Bowie se não conhecer o “Hunky Dory” (1971). Pode amar “Star Wars – o Despertar da Força” (2015), mas tem que ter assistido “Star Wars – Uma Nova Esperança” (1977). E foi outro dia, inclusive, que os longas “Bohemian Rhapsody” e “Rocketman” estrearam, cimentando ainda mais dois dos maiores ídolos daquela época.

Ou seja: 50 anos depois, a cultura também não nos deixou largar mão dos anos 70.

Nesses termos culturais, tudo nos anos 70 parece promissor à distância: era um momento de experimentar. Musicalmente, tínhamos Led Zeppelin, Pink Floyd, Supertramp, que tentavam de tudo em músicas extensas; mas o experimentar não se restringia só a isso. Um tempo antes da explosão da AIDS, as sexualidades e multiplicidades estavam a pleno vapor, nos proporcionando Bowies, Freddies e outros gigantes – que, muito antes de Bad Bunny e Harry Styles, já tinham visões embaçadas do que era definitivamente masculino ou feminino.

E, para um Bruno Mars ou Alex Turner da vida (nostálgicos de carteirinha), trata-se também de uma década importantíssima para a juventude de seus pais – ou seja, um período fadado a influenciá-los musical e culturalmente (afinal, todos nós, em alguma medida, aprendemos a cultuar os clássicos dos nossos pais). Não é só uma nostalgia coletiva, de uma década vivida até mesmo antes de eles existirem; mas uma nostalgia também individual, de ídolos e referências musicais com quem eles têm uma forte relação afetiva. Se você pudesse fazer algo próximo ao que seu pai te ensinou a ouvir, você não faria?

“Maybe I was a little too wild in the 70s”, canta Alex Turner em “Star Treatment”. Ele nasceu em 1986.

Acho que é isto: o romance. Quando vista sob um olhar romantizado, a década de 70 puxa exatamente dos pontos que queremos exercer, mas encontramos uma dura resistência política, social ou emocional: música primorosa, estilo de sobra e a ilusão de uma liberdade maior. Vale lembrar que a geração mais nova da música, composta por jovens TikTokers de sexualidade fluida e muita confiança identitária, não passeia tanto por décadas passadas a não ser os próprios anos 90 e 2000.

E, enquanto estes querem modernizar tudo (como devem), quem se ocupa em trazer de volta o ar setentão são os mais velhos: artistas em seus 30 anos, que se deparam com uma realidade absurdamente pesada e já não ostentam tanto otimismo.

Estou falando também com você, leitora/leitor na casa dos 30, que se pega ouvindo Fleetwood Mac para ver se apazigua o coração.

E, se ouvir “Dreams” enquanto desce de skate tomando suco realmente te traz paz, isso significa que você também faz parte da tendência de consumo. Não são só eles que decidem fazer a música anos 70; você também decide consumir e mostra que, enquanto a década de 70 resistir, você a comprará. O escapismo é de quem produz, mas também de quem ouve – e assim, o ciclo só acaba quando alguém decide sair.

Mas, sinceramente, acho que o clima setentão ainda é bem-vindo – enquanto nos servir bem e der vazão a nossas expressões artísticas, sem limitá-las a um molde de 50 anos atrás. Não é necessariamente inovador, mas não precisamos de muita inovação há um tempo (afinal, de novidades estarrecedoras já estamos cheios). Talvez esse seja exatamente o objetivo da nostalgia neste momento: para tanta mudança, os artistas nos compensam com garantias que sempre funcionaram bem.

Garantias feito guitarras e calças boca de sino.

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* A imagem da home da Popload, chamando para este post, é de 1971, da banda tiktoker Fleetwood Mac.

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O mundo quer a volta do Oasis, parte 1 – Post Malone e Twenty One Pilots cantam, JUNTOS, “Don’t Look Back In Anger”

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Foto: Katja Ogrin/Redferns

Foto: Katja Ogrin/Redferns

Neste final de semana, rolou na Inglaterra mais uma edição dos tradicionais festivais “irmãos” de Reading e Leeds. As duas cidades revezam seus shows de sexta a domingo, tal.

Embora esteja longe de seus tempos de glória, o evento deste ano ficou marcado pelo… Oasis. Quanto mais o Noel parece querer “esquecer” a banda famosa que formou ao lado de seu irmão Liam, mais o mundo parece ao mesmo tempo querer lembrá-lo disso.

A dupla pop Twenty One Pilots, por exemplo, fez uma cover da clássica “Don’t Look Back in Anger” no sábado, em Reading. Não satisfeita, repetiu a dose ontem, em Leeds, e ainda com um reforço de peso: o rapper tatuado e adorado Post Malone. Pensa.

O registro pode ser conferido abaixo e compartilhado até chegar ao Noel.

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