Em violeta:

CENA – Terno Rei faz ode a São Paulo com single acústico e dica de lugares na cidade

1 - cenatopo19

* A banda beeeeem paulistana Terno Rei vai lançar em outubro um EP com quatro faixas de seu discão “Violeta”, do ano passado, mas estas em versão acústica. Uma quinta faixa, um cover de “Eu Amo Você”, sucesso de Tim Maia dos anos 70, fecha esse lançamento especial chamado simplesmente “Acústico”, do selo Balaclava e que sai em 2/10.

O pacote unplugged do grupo de Ale Sater é puxado pela faixa “São Paulo”, o single que anuncia o EP, lançado nesta sexta-feira, curiosamente gravada em Curitiba, como todo o disco a sair em outubro, fruto de uma live transmitida pela banda em julho do Nico’s Studio, da capital paranaense.

São Paulo, tanto a canção batizada que está no álbum “Violeta” quanto a cidade em si, é um tema recorrente nas letras e musicalidade da banda, nos vídeos, em fotos de divulgação, onde você encontra os caras por aí.

DSCF6803

O baixista/vocalista Ale Sater fala dessa relação deles com a cidade: “São Paulo é uma das composições que melhor resume o Violeta, por trazer bastante do synthpop presente no álbum todo, e uma letra que aborda os temas de confusão e cidade, assuntos que eu gosto bastante de escrever. Nesse acústico, acredito que foi a versão mais interessante que gravamos e por isso optamos por lançá-la antes”.

Abaixo, ouça a versão acústica de “São Paulo” neste vídeo gravado para a live que originou o EP. Aproveitamos ainda para pedir para o Ale Sater cinco dicas dos lugares que ele mais gosta em São Paulo:

***

* A SÃO PAULO DE ALE SATER
Vocalista do Terno Rei escolhe os cinco lugares do qual mais gosta na cidade

– Halim
“Lugar em que gosto muito de ir. Restaurante de comida árabe na região do Paraíso.
A comida é foda, tem mesas próximas com aqueles toalhas branca e bordeaux. O atendimento é foda também.”

– Galeria do Rock
“Mudou muito ao longo do tempo, mas eu me lembro de que quando me mudei para São Paulo lá era o lugar em que eu mais gostava de ir. Eu era bem do sk8 e lá tinha tudo: fitas VHS, tênis, shapes etc. Também curtia o andar de baixo que tinham as lojas de discos (algumas dedicadas só a hip hop), então toda vez que eu colo lá ainda tenho a sensação que eu tinha quando cheguei aqui.”

– Estádio do Pacaembu
“Recentemente, me mudei para Perdizes e descobri que tem um clube gratuito no Pacaembu.
Dá para correr em volta do campo, nadar, tem quadras, academia etc. Tudo bem vazio.”

– Pinheiros
É o bairro que gosto de andar na cidade. Os comércios vão mudando e tal, mas sinto que tem sempre a mesma cara, meio familiar, meio juventude.”

– Qualquer padoca/boteco
“Nessa pandemia, a coisa que mais senti falta (e que outras cidades não tem paralelo) é esse lance da padoca. De sentar e tomar um café ou sentar e tomar uma cerveja antes de alguma coisa.”

***

* A foto que ilustra este post é de Cesar Ovalle.

>>

CENA – Como o disco “Violeta”, do Terno Rei, moldou a banda em um ano de shows

1 - cenatopo19

* A gente vem acompanhando a banda paulista Terno Rei de perto há um bom tempo, já. E sabemos que algo de especial aconteceu na vida da banda quando, exato um ano atrás, eles lançaram o álbum “Violeta”, o terceiro disco. Num show no Z, clube do Largo da Batata, o Terno Rei instituiu com força a figura do cambista indie. A procura de entradas para a apresentação, esgotada em minutos, saiu no “mercado alternativo” do rock alternativo por quatro vezes o valor oficial. Talvez cinco.

“Violeta”, o disco, continua rendendo muito para a banda, ainda em seu aniversário de 1 ano de lançamento. O grupo se apresentou duas vezes no último final de semana no Sesc Santana, com bilheterias esgotadas. Um lugar para 330 pessoas, como esse Sesc, tem sido pequeno para o Terno Rei desde aquele show de cambista do Z. E o quarteto liderado pelo vocalista/baixista Alê Sater, primo do Almir, ainda toca em abril no Lollapalooa BR. Ok, toca cedo, como todas as bandas indies brasileiras de todas as estirpes. Mas, ainda assim, eles estão lá, talvez para fechar a fase “Violeta”.

A gente botou nossa colaboradora novinha, a poploader Lina Andreosi, para falar do rolê do final de semana do Terno Rei pelos lados da Zona Norte de SP. Ela viu alguns shows do “Violeta” pelo ano, desde o de lançamento oficial no Auditório Ibirapuera, e quis fazer uma geral sobre o aniversário de um ano desse disco da banda.

***

Untitled-3

Por Lina Andreosi

O “Violeta” foi lançado pelo Terno Rei no comecinho do ano passado e teve seu show de lançamento no Auditório Ibirapuera. Com direto a pré-venda da sua versão em vinil, o terceiro álbum da banda foi apresentado no grande palco do auditório projetado por Niemeyer, que para ocasião foi adornado de ramos de violetas e lavandas, com o quarteto acompanhado no piano pelo produtor do álbum, Gustavo Schirmer.

Foi montado um cenário que esteticamente lembrou a apresentação gravada pelo Nirvana para o MTV Acústico em 1994, com as flores espalhadas pelo palco e uma névoa de fumaça que se misturava às luzes em tons rosas e roxos, e banhavam a banda espalhada pelo palco. Talvez fosse o nervosismo de apresentar o álbum em sua totalidade pela primeira vez ou o local, tão diferente do estilo da banda e dos lugares a que se acostumou a tocar, pois é o tipo de show que se encaixa muito melhor em casas menores, mais escuras e com audiência em pé. Por isso tudo, foi uma apresentação um tanto desconectada, que causou estranheza. Mas ok também. Ali foi somente o início da jornada do Terno Rei com o “Violeta”.

Após um ano correndo de ponta a ponta do Brasil rodeados pelo “furor Violeta” que o álbum se tornou, com mais e mais pessoas entoando suas músicas, a banda cresceu e então se conectou com sua obra, introduzindo riffs e momentos de sintonia entre as músicas. Com proficiência, Ale Sater lidera nos vocais e baixo, e fica claro que ele está muito mais confortável em se perder em suas letras e melodias do que falando com o público – fato que vale para toda a banda, aliás. Isso apesar de até serem carismáticos quando interagem com o público.

O Terno Rei fez sua última apresentação de 2019 em São Paulo na Noite Balaclava, evento da SIM São Paulo, no Cine Jóia, onde performaram em um line-up de atos da gravadora da qual fazem parte. Nesse show a banda brilhou como nunca havia visto. No palco do Jóia — que se provou a casa perfeita pro Terno Rei, viu, Lúcio? –, a banda tocou um “Violeta” diferente do que ouvimos no álbum ou no Ibirapuera. Foi um “Violeta” naturalmente viajado e testado, e adorado por todos os tipos de audiência. Falando em audiência, nada mais lindo que a emoção de todos ao cantar que naquele dia, o do último show do ano”, fez um “Dia Lindo”.

No último fim de semana, a banda apareceu por duas vezes nos esgotados shows do Sesc Santana, em comemoração ao primeiro ano do “Violeta”, provando que tem seu público fiel que os segue até um local fora do eixo tradicional de uma banda da cena paulistana. Foram duas apresentações que selaram dois fatos:
1. o Terno Rei não é uma banda que vai fazer acrobacias para conquistar seu público. Nem acredito que é isso que os fãs queiram. O negócio deles são as músicas meio melodramáticas sobre a vida na cidade de pedra, meio anos 90, e seu jeito de grandes meninos conduzindo toda essa retórica indie.
2. Em referência àquele primeiro show do Auditório Ibirapuera, eles estão muito mais do que preparados para assumir para eles o palcão do Lollapalooza, em abril.

***

* As fotos do Terno Rei usadas para este post, aqui e na home da Popload, são de Clibas Pacheco.

>>

CENA – A hora e a vez do Terno Rei. Disco novo deve puxar o sarrafo indie para cima

>>

1 - cenatopo19terno

* Muito indie para ser MPB, muito MPB para ser indie, a banda paulistana de som “largo” Terno Rei, uma das prediletas da Popload nesta pulsante CENA brasileira, toca amanhã, dia 15, no Z, clube do Largo da Batata, em São Paulo, com os ingressos já esgotados faz uns dez dias.

O show deles, nu e cru, já era despretensiosamente muito bom, e agora a expectativa fica altíssima porque eles acabaram de lançar um delicioso novo disco, “Violeta”, o terceiro álbum, que traz um punhado de músicas acima da média, deles mesmos e da cena, um trabalho de estúdio que vem carimbado pelo importante selo indie Balaclava Records. Amanhã é o primeiro show pós-lançamento.

O disco novo, a ótima recepção dele em audição nas plataformas de streaming onde foi lançado e o reflexo de tudo isso tanto nas bilheterias quanto já na bela agenda de futuros shows prometem botar o Terno Rei (não confundir jamais com O Terno ou Del Rey) num patamar elevado nos line-ups de festival no Brasil, quando “Violeta” for mais bem assimilado e a transposição de suas belas e novas músicas no palco fizerem igual ao outros dois discos (Vigília, 2014, e “Essa Noite Bateu Com um Sonho”, 2016): deixar o quarteto paulistano ainda melhor ao vivo que em estúdio.

E ao vivo o Terno Rei estará, além de amanhã no Z, no SESC Belenzinho dia 30 de março e no Balaclava Fest, em 27 de abril, junto com os britânicos e inéditos Ride, já que a Balaclava, “dona” do Terno Rei, não iria jamais deixar de escalar sua própria “bola da vez”. Porto Alegre, Sorocaba, Chapecó (SC) e Maceió são alguns dos caminhos do Terno Rei até abril, para levar seu “Violeta”, um disco coeso nessa intersecção estranha de indie de guitarras com música brasileira, como se um jovem Belquior contido e paulistano fosse o band leader de uma banda de dream pop de Los Angeles, usando termos atuais nas letras, como “simetria muito tosca”, ou típicas do saudoso artista cearense: “vento nos cachos”.

Se a CENA de hoje no Brasil é naturalmente variada como nenhuma outra de nova música, porque pode ter hip hop, eletrônico, rock, punk, folk, MPB, hip hop, tudo em inglês, tudo em português, às vezes linguagem híbrida, o Terno Rei contribui para isso tocando com qualidade única em algumas dessas vertentes, ou não se colocando em nenhuma. Com isso, e com essa identidade brasileira de não ter identidade, puxa o sarrafo do indie nacional para isso.

Tirando que em “Violeta” vemos/ouvimos uma banda paulistana com uma MPB paulista falando sobre SP, inclusive tendo uma faixa (maneiramente boa) chamada exatamente isso aí: “São Paulo”.

Se a Popload tivesse uma rádio, eu botaria uma música como esta “São Paulo” na programação. WAIT!!!

balafest

***

* A foto que ilustra a chamada da home da Popload para este post é de Hannah Carvalho.

>>