Em Vivian Kuczynski:

CENA – Vivian Kuczynski nos faz esperar o futuro com novo EP de quatro… músicas?

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* É impressionante o desenvolvimento sonoro moderno da paranaense Vivian Kuckzynski, já praticamente uma veterana na música independente mesmo tendo hoje, er, 17 anos de idade.

A gente ficou maravilhado quando saiu o primeiro disco dela, “Ictus”, no ano passado. E se surpreendeu quando descobriu que ela já tinha lançado um EP tão bom quanto anos atrás, o “Sonder”, de 2017.

“Anos atrás” no caso de Vivian é muita coisa. Significa dizer que seu gabarito musical já estava em disco aos 14 anos.

E quando mencionamos esse “veteranismo” aos 17 é para dizer que nesse incrivelmente curto três anos de carreira a senhorita Kuckzynski já conseguiu imprimir na CENA uma qualidade vocal própria, uma densidade musical própria em som e letra, consegue compor, produzir, mixar e masterizar sua própria música, a dos outros, já lançou parceria substancial com outro artista, já lançou disco por selo nacional significativo, estabelece as melhores comunicações visuais (fotos e vídeos) para combinar com sua música nada linear.

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E chegamos ao hoje de Vivian Kuczynski com o lançamento na última sexta-feira de “N Entendi Nd”, um excelente EP de quatro faixas, duas músicas, uma declamação e um interlúdio, de um trabalho que dizem é apenas um rito de passagem e uma preparação para seu segundo disco, que será lançado em 2021, o ano em que o mundo espera ressuscitar.

Este mesmo mundo que inspirou o nome do disco, graficamente colocado em maiúsculas, “N ENTENDI ND”, que na verdade é uma brincadeira da teen Vivian com os amiguinhos ao falarem de temas abstratos da vida e acabam o papo dizendo “Já entendi tudo”.

“N Entendi Nd” começa “Abstenho”, uma poesia declamada sobre uma peça sonora pelo “velho” parceiro de Vivian, o Francisco, que já aparece no primeiro disco e tem um bom álbum dele mesmo que foi produzido por Vivian. “N Entendi Nd”, a música, é algo que o inglês James Blake adoraria ter produzido, seja nos barulhinhos, na cadência, nos vocais.

“Amor”, interlúdio de meio minuto que antecede o single absurdo “Pele”, é um daqueles trechos musicais que dá vontade de por em um loop de oito giros para transformar em uma faixa de tamanho convencional de uns quatro minutos e chamar de “música predileta” sua inconvencionalidade, ainda mais com um nome deste: “Amor”.

“Pele”, já conhecida e que chapou um segundo lugar recentemente no nosso ranking da CENA, o Top 50, é a prova de que Vivian sabe muito bem para onde indo, embora a gente não saiba exatamente para onde ela está indo. Nela enfileira suas qualidades como se estivesse na música há uns dez anos, seja na letra e na composição musical. E impressiona (palavra obrigatória em textos sobre Vivian Kuczynski) a experiência de alcances que ela faz com o que tem de melhor: a voz.

Tenho medo (no bom sentido) de ouvir uma música que Vivian vai estar produzindo para ela mesma quando ela for uma “velha”, sei lá, de 25 anos.

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TOP 50 DA CENA – Uma música de 28 anos e uma menina de 17 lideram. A voz, a pele, os olhos, a CENA

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* Uma música feita em 1992 e outra de uma menina que nasceu em 2003 na cabeça do nosso ranking dão o tom da elasticidade produtiva e geográfica da grande CENA brasileira atual. E olha que nem precisamos reforçar nossa tese incluindo o Mateus Aleluia e o Ovo ou Bicho nessa constatação. Ou iluminar o mapa com a inclusão no top 10 de Anne Jezini, de Manaus, e de Pedro Pastoriz, de Porto Alegre.
Falando em atualidade, chega a assombrar, na música do primeiro lugar deste ranking, a releitura dos incríveis Racionais MC’s. Não só pelo som bom. E sim, também, pelo quanto a história a ser trazida lá dos anos 90 ainda é escrita nos dias de hoje. Perante aos acontecimentos de hoje.
“Hello, Wisconsinnnnn.”
Hello, Brasil!!!!
Vidas negras importam. Músicas como “Voz Ativa” importam.
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1 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (Estreia)
Uma regravação em uma lista de músicas novas não parece a melhor das ideias. Não é o caso aqui. Clássico dos Racionais refeito nas mãos de Kl Jay e seu filho, Will, “Voz Ativa” soa bem ao comando do Dexter e as participações de Djonga e Coruja. O vídeo da nova e velha geração do rap chega a emocionar de tão legal. Um registro que celebra os quase 30 anos de hino dos Racionais e a velha constatação sobre o que trata esse grito da periferia: pouco ou nada mudou.
2 – Vivian Kuczynski – “Pele” (Estreia)
Vivian adianta uma de seu novo EP que revela sua nova fase. Desta vez no controle total. Das letras até a produção e todos os outros detalhes. Voz e letras caprichadas seguem por lá. Mais eletrônica? Parece que sim. Em todo caso, um salto e tanto em uma carreira promissora, não cansamos de avisar. E não cansamos de lembrar: ela tem só 17 anos.
3 – Wry – “Travel” (1)
É CENA brasileira, mas parece cena britânica. E você sabe o quanto amamos um som nesse estilo. De Sorocaba para os anos 80 inglês ou a habilidosa manha em unir melodia pop e um bom feedback.
4 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (2)
A beleza de um disco de Mateus Aleluia em 2020 é um presente que ilumina este ano esquisito. Aqui, na produção de Ronaldo Evangelista e com músicos da CENA por perto, como Thiago França, Sérgio Machado, entre outros, a conversa de Mateus se aproxima da nova geração, que já se ligou na importância dele e dos Tincoãs. “Amarelou” ainda conta com, “apenas”, João Donato. Já frequenta o top 10 daqui há algumas semanas e ninguém tira. Tirar como?
5 – Pedro Pastoriz – “Chicletes Replay” (Estreia)
Pedro, a voz, o banjo e o violão dos Mustache & Os Apaches, emplaca por aqui o novo single de seu terceiro solo, “Pingue-Pongue com o Abismo”, nome genial. A reflexiva canção aborda a rotina, os produtos. Amplos sentidos em um chiclete.
6 – Anne Jezini – “Céu de Lurex” (Estreia)
Música e voz boas que chegam de Manaus. Atenção ao som de Anne. Ela prepara seu terceiro disco solo e se lapida a cada música, como um ser evolutivo estudando (experimentando) seus alcances musicais. Formada em biologia conservacionista e com ligações umbilicais com a Floresta Amazônica, não estranhe em perceber no seu som um pouco dessa trajetória.
7 – Nuven (feat. Apeles) – “Janela” (3)
O trabalho eletrônico sofisticado de Gustavo Teixeira se apresenta em um belo EP de cinco canções. Ao convidar Apeles para esta faixa, a eletrônicia de sensibilidade se torna aliada de um vocal de sensibilidade. E o resultado é muito bonito.
8 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (5)
Amamos o disco do piauiense Valciãn. Tem várias boas e até cogitamos escolher duas para este Top 10. Quem está atento ao ranking se lembra de que a gente já botou ele aqui quando um dos sons do disco ainda era single. Que brasilidade rica.
9 – Gui Hargreaves – “No Fundo dos Seus Olhos” (Estreia)
Uma bela canção de Gui. Uma novidade que soa clássica, mas não porque está empoeirada, e sim atenta aos bons momentos do nosso cancioneiro. Em uma inspiração que leva as ideias para a frente.
10 – ATR (feat. Michu) – “In My Stereo” (Estreia)
Será que teremos ATR em rádios pop? Se elas prestarem atenção nesse single, é só botar para tocar. Um acerto pop delicioso em uma parceria com uma argentina em uma letra em inglês. Disco inteiro está chegando.
11 – Thunderbird – “Insuportável” (4)
12 – Letrux – “Vai Brotar” (6)
13 – Apeles – “Tudo Que Te Move” (11)
14 – Compositor Fantasma – “Século XXI Antes de Cristo” (7)
15 – Viratempo (feat. Àyié) – “Vento” (8)
16 – Juliano Abramovay – Anzol (9)
17 – Iara Rennó – “Tara” (10)
18 – Ave Sangria – “Vendavais” (12)
19 – Thiago Nassif – “Voz Única Foto Sem Calcinha” (13)
20 – Ovo ou Bicho – “Moços” (14)
21 – Elza Soares e Flávio Renegado – “Negão Negra” (15)
22 – Jonnata Doll e os Garotos Solventes – “Filtra Me”(16)
23 – Ella from the Sea – “Side by Side” (17)
24 – Autoramas – “Boneco” (18)
25 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (19)
26 – CESRV – ”Mix It Up” (20)
27 – Kalouv – “Talho” (21)
28 – Marcelo Perdido – “Bastante” (23)
29 – Yannick Hara (ft Big the Kiid e Asaph) – “Vida Offline” (24)
30 – Jup do Bairro – Pelo Amor de Deize (26)
31 – Rincon Sapiência – “Malícia” (27)
32 – Giovanna Moraes – “Sai por Inteira” (29)
33 – Nevilton – “Irradiar” (30)
34 – Amen Jr. – “Ladeira Abaixo” (32)
35 – Tuyo – “Sem Mentir” (34)
36 – Kunumí MC – “Xondaro Ka’aguy Reguá (Guerreiro da Floresta)” (36)
37 – Duda Brack – “Contragolpe” (37)
38 – Don L – “Kelefeeling” (38)
39 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (39)
40 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (40)
41 – ÀIYÉ – “Pulmão” (41)
42 – Os Amanticidas – “Paisagem Apagada” (42)
43 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (43)
44 – Edgar – “Carro de Boy” (44)
45 – Douglas Germano – “Valhacouto” (45)
46 – Kiko Dinucci – “Veneno” (46)
47 – Jhony MC – F.A.B. (47)
48 – Djonga – “Procuro Alguém (48)
49 – Vovô Bebê – “Êxodo” (49)
50 – Troá! – “Bicho” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o rapper Dexter.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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TOP 50 DA CENA – O primeiro lugar é da Mahmundi, sim! Thunderbird entra alto, sim! Mais: as novas de Jair Naves, As Bahias, Vanguart, Aiyé, ATR, Pantera Negra

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* Semana passada expressamos por aqui o nosso amor explícito à CENA. Foi nossa pequena homenagem aos tantos artistas que estão em casa sem poder fazer seus shows, sem proporcionar a reunião de pessoas em torno da música, juntando velhas e novas amizades na frente de um palco, sem movimentar por trás desse palco essa importante roda da economia musical que inclui tanta gente. Mas que ainda assim estão na briga, na luta. Escrevendo, gravando, indo atrás, buscando novos meios de encarar a realidade. O tal do “novo normal” que não temos ideia ainda do que vai ser.

De alguma forma, ou de várias formas, nesta semana veio um sinal e tanto dessa turma. Mais de dez músicas ótimas novas em folha. Boas novidades. Algumas que já estão pelo top 10 e outras que se espalham pela lista. A crise se apresenta, mas ninguém se rende, não. É sobre isso.

Ouça a CENA. O mundo está difícil. mas com nossas playlists fica um pouquiiiiiiiinho mais fácil. Elas, no Deezer e Spotify, contam de um modo a história do que estamos vivendo.

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1 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (Estreia)
Em seu mais recente disco, Mahmundi encontra em velhos timbres um som que é totalmente novo. Seja para ela, seja para o mundo. Novo mundo. O que é o violão dessa faixa? Gravado em fita, ele transporta a gente aos anos 60, 70, enquanto todo o resto nos deixa em 2020. E bem acompanhados por Mahmundi, arrepiando em termos de voz e letra. Uau!
2 – Thunderbird – “A Obra” (Estreia)
Parece Morphine cantado por um adolescente louco. E talvez esssa afirmação seja mais literal do que parece. Afinal, estamos falando do querido Luiz Thunderbird, eterno e-VJ, já eterno agitador das várias mídias novas. Das almas mais apaixonadas por música. seja falando sobre ou aqui, em plena ação. Sabedoria e punk rock em doses corretas faz muito bem. E um disco inteiro ainda está por sair. Oba!
3 – As Bahias e a Cozinha Mineira – “Forasteira” (Estreia)
Enquanto deixa um novo disco guardado até que uma hora apropriada apareça, um EP feito nesta quarentena ilumina os dias da banda. E a bela “Forasteira” é das que mais chama atenção na boa coleção de cinco músicas.
4 – Jair Naves – “Irrompe” (Estreia)
Single de um disco que está interrompido por “motivos óbvios”, de acordo com o compositor, a faixa é uma reflexão dos novos tempos. Em um mundo zuado, qual a nossa responsabilidade com os problemas? O quanto nos permitimos ir além de um script imaginado por outras pessoas? Esta forte canção, “dramática” com todas as boas características que envolvem uma música de Jair Naves, foi feita no ano passado. Se já fazia sentido em 2019, imagina agora no meio disto tudo?
5 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (1)
“Mudou Como?” pode ser lida como uma música sobre um relacionamento que desandou e que ainda mexe bastante com os personagens. Quando Rico avisa que a música é sobre os “trágicos efeitos da ordem colonial”, os sentidos da letra se ampliam para muito além de um relacionamento qualquer. Precisamos ouvir e reouvir a música, uma produção de Mahal Pita pesadíssima.
6 – TARDA – “Breath” (2)
Sara Não Tem Nome, Júlia Baumfeld, Victor Galvão, Paola Rodrigues e Randolpho Lamonier formam este belo supergrupo de poucas canções lançadas, mas de ótimas canções lançadas. “Breath” é pura delicadeza e realmente serve de respiro no aperto em dias complicados. Sabe quais?
7 – ÀIYÉ – “Pulmão” (Estreia)
Velha conhecida do nosso ranking, a faixa ganhou um belíssimo vídeo. Vale ir ver. Quem ainda não ouviu o álbum de estreia da ÁIYÉ está marcando bobeira. Corre.
8 – Black Pantera – “I Can’t Breath” (Estreia)
Uma música emergencial para tempos emergenciais. A frase que marca os assassinatos de tantos jovens negros pela polícia é lembrada pela banda em um vídeo tão simples como forte. Letra seca, direta ao ponto, sob a égide do metal.
9 – Silva – “Aquele Frevo Axé” (ao vivo) (Estreia)
Em novo disco ao vivo, gravado em show de Portugal, Silva saca uma pequena joia do repertório de Caetano Veloso e Cézar Mendes, que o próprio Caetano nunca registrou em um disco de estúdio, só ao vivo. E bota ela aqui, da mesma forma. E Silva deixa a música como se fosse dele. Mas é do Caetano, imagina a “ousadia”.
10 – Vanguart – “Encontro Adiado” (Estreia)
Uma boa música que estava perdida e que casa com os tempos atuais. O Vanguart sacou essa dos tempos de “Muito Mais Que o Amor”, de 2013. Ficou de fora do disco lá, mas agora é nossa aqui.
11 – ATR – “Qué Tá Mirando?” (Estreia)
12 – Arthur Melo – “Tempo Após um Contratempo” (Estreia)
13 – Abc Love – “Catwalk” (Estreia)
14 – Sessa – “Sereia Sentimental” (3)
15 – Os Amanticidas – “Paisagem Apagada” (48)
16 – Jup do Bairro – “All You Need Is Love” (5)
17 – Gustavo Bertoni e Vivian Kuczynksi – “Louder Than Words” (6)
18 – Carne Doce – “A Caçada” (7)
19 – Tagua Tagua – “Inteiro Metade” (8)
20 – Meu Nome Não É Portugas e Apeles – “Eterno Azul” (9)
21 – Tatá Aeroplano – “Alucinações” (10)
22 – Tagore feat. Boogarins – Drama (11)
23 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (12)
24 – Edgar – “Carro de Boy” (49)
25 – Douglas Germano – “Valhacouto” (14)
26 – Rachel Reis – “Sossego” (15)
27 – Emicida – “Who Has a Friend Has Everthing” (16)
28 – Rincon Sapiência – Quarentena (17)
29 – Ava Rocha e Los Toscos – “Lloraré Llorarás” (18)
30 – Clarice Falcão – “Só + 6” (19)
31 – YMA – “No Aquário” (20)
32 – Database – “Mandrake (Nesta onda)” (21)
33 – Mariana Degani – “Horda Mulheril” (22)
34 – Taco de Golfe – “Nó Sem Ponto II” (23)
35 – Kiko Dinucci – “Veneno” (50)
36 – Gui Hargreaves – “Praia do Futuro” (25)
37 – Clarice Falcão feat. Linn Da Quebrada (26)
38 – Duda Brack – “Pedalada” (27)
39 – Rohmanelli – “Toneaí” (44)
40 – Francisco – “Traumas” (29)
41 – Aldo – “Restless Animal” (30)
42 – Jhony MC – F.A.B. (45)
43 – Cícero – “Às Luzes” (33)
44 – Febem, Fleezus e CESRV – “Terceiro Mundo” (46)
45 – Djonga – “Procuro Alguém (35)
46 – Letrux – “Déjà-Vu Revival” (36)
47 – Vovô Bebê – “Êxodo” (47)
48 – Tuyo e Terno Rei – “Eu Te Avisei” (38)
49 – Troá! – “Bicho” (39)
50 – Luedji Luna e Zudzilla – “Proveito” (40)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o roqueiro Thunderbird.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Top 50 da CENA – Olha o Rico Dalasam mudando nosso Top. Mudando como? E o incrível caso da música nova do Carne Doce que não foi parar no 1º lugar. Tá “só” nas “dez +”

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* Um rapper em nova fase. Um supergrupo mineiro. Um brasileiro que está arrebentando lá fora. E pensar que quase começamos este texto com um “A semana foi fraca…”.

Que nada. Foi é pesadona. Sempre é. Sempre tem sido.

Toda vez que um artista brasileiro põe algo na rua, nos nossos ouvidos, aos nossos olhos, e principalmente em tempos como estes (juramos não estar citando aqui o Foo Fighters), é algo que acontece. ALGO, com maiúsculas. Essa é a dimensão.

E o peso dos dias que esbarram em censura, descrédito à arte e cenários gerais à deriva nos lembra de que às vezes somos mimados demais em coisas pequenas.

E aqui, na nossa gigantesca coisa pequena, não é para gostar de tudo, nem validar tudo, longe disso. Mas só aplaudir, dar vazão, dar espaço aos verdadeiros criativos, que se arriscam, que tentam, que diariamente (semanalmente, mensalmente, anualmente) mostram que esta é a CENA brasileira.

Filosofia barata à parte, a playlist é o que interessa. Sempre lá no Spotify e no Deezer. Ouça.

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1 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (Estreia)
“Mudou Como?” pode ser lida como uma música sobre um relacionamento que desandou e que ainda mexe bastante com os personagens. Quando Rico avisa que a música é sobre os “trágicos efeitos da ordem colonial”, os sentido da letra se ampliam para muito além de um relacionamento qualquer. Precisamos ouvir e reouvir a música, uma produção de Mahal Pita pesadíssima. “Mudou Como?” será lançada na quinta-feira e entra direto na nossa playlist.
2 – TARDA – “Breath” (Estreia)
Sara Não Tem Nome, Júlia Baumfeld, Victor Galvão, Paola Rodrigues e Randolpho Lamonier formam este belo supergrupo de poucas canções lançadas, mas de ótimas canções lançadas. “Breath” é pura delicadeza e realmente serve de respiro no aperto em dias complicados. Sabe quais? “Breath”, por enquanto, está só no Youtube.
3 – Sessa – “Sereia Sentimental” (Re-Estreia)
Música resgatada “detected”. Sessa vem conquistando um espaço e tanto. Show para uma rádio em Los Angeles, show no maravilhoso site de shows francês La Blogothèque. Daqui ficamos orgulhosos e levantamos a plaquinha “Nós Já Sabíamos”.
4 – ABC Love – “Flertes” (1)
A deliciosa “Flertes” vai estar em “Back to Love”, o disco em forma de EP a ser lançado ainda neste ano. Se em 2017 a ABC Love retratava musicalmente uma fogosa atmosfera de pegação paulistana, “Flerte” recria o lance de joguinhos amorosos de verão carioca dos anos 80.
5 – Jup do Bairro – “All You Need Is Love” (2)
A união de Jup do Bairro, Rico Dalasam e Linn Da Quebrada é o tipo de feat que queríamos que fosse mais de uma música. Faz um álbum aí, turma. Os versos “Vou colocar uma música/ espero que não se importe/Vamo ouvir Sampa Crew/ talvez Bjork?” já estão na história.
6 – Gustavo Bertoni e Vivian Kuczynksi – “Louder Than Words” (3)
Vivian comanda a produção e a mixagem de um som solo do líder da Scalene que a dupla escreveu junto. E mais uma vez ela deixa a gente de cara com o talento na produção e na voz. Aliás, alguém viu os covers que ela vem fazendo nesta quarentena? Seria demais pedir um EP?
7 – Carne Doce – “A Caçada” (Estreia)
Carne Doce lança single. Carne Doce entra no top 50. Não tem muita discussão. “A Caçada” segue o padrão de qualidade dos singles anteriores e tem uma letra de Salma Jô inspirada em conto homônimo da notável escritora paulistana Lygia Fagundes Telles, hoje com 97 anos. Ouça. E leia, lógico.
8 – Tagua Tagua – “Inteiro Metade” (Estreia)
Eu falo por aqui. A gente de vez em quando deixa passar altas músicas boas. É o caso desse belo single do Tagua Tagua. Saiu em março, mas chega em maio no nosso Top 50. Som imperdível e deixa a ansiedade ligada pelo disco inteiro do projeto do produtor Felipe Puperi.
9 – Meu Nome Não É Portugas e Apeles – “Eterno Azul” (Estreia)
Que som que o projeto de Rubens Adati tira no estúdio. Os instrumentos soam todos presentes na sala do ouvinte. E aqui um belo encontro com o Apeles. Conteúdo e forma em boa conjunção.
10 – Tatá Aeroplano – “Alucinações” (11)
O disco solo de Tatá Aeroplano exige tempo. Tempo de atenção. E aos poucos vamos sacando a obra.
11 – Tagore – Drama (6)
12 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (7)
13 – CESRV – “Cry Baby” (8)
14 – Douglas Germano – “Valhacouto” (9)
15 -Rachel Reis – “Sossego” (10)
16 – Emicida – “Who Has a Friend Has Everthing” (4)
17 – Rincon Sapiência – Quarentena (5)
18 – Ava Rocha e Los Toscos – “Lloraré Llorarás” (12)
19 – Clarice Falcão – “Só + 6” (13)
20 – YMA – “No Aquário” (14)
21 – Database – “Mandrake (Nesta onda)” (15)
22 – Mariana Degani – “Horda Mulheril” (16)
23 – Taco de Golfe – “Nó Sem Ponto II” (18)
24 – Vir GO – “Lunes” (19)
25 – Gui Hargreaves – “Praia do Futuro” (20)
26 – Clarice Falcão feat. Linn Da Quebrada (21)
27 – Duda Brack – “Pedalada” (22)
28 – Oblomov – “Noites Longe de Você” (23)
29 – Francisco – “Traumas” (25)
30 – Aldo – “Restless Animal” (26)
31 – Obinrin Trio – “Medo” (27)
32 – Ozorio Trio – “Get Up” (28)
33 – Cícero – “Às Luzes” (29)
34 – Leo Fazio – “Se Pá” (30)
35 – Djonga – “Procuro Alguém (31)
36 – Letrux – “Déjà-Vu Revival” (32)
37 – ÀIYÉ – “Isadora” (33)
38 – Tuyo e Terno Rei – “Eu Te Avisei” (34)
39 – Troá! – “Bicho” (35)
40 – Luedji Luna e Zudzilla – “Proveito” (36)
41 – Papisa – “Homem Mulher” (38)
42 – Valciãn Calixto – “3R1K0N4” (39)
43 – Marietta – “Analógica” (41)
44 – Rohmanelli – “Toneaí” (43)
45 – Jhony MC – F.A.B. (45)
46 – Febem, Fleezus e CESRV – “Terceiro Mundo” (46)
47 – Vovô Bebê – “Êxodo” (47)
48 – Os Amanticidas – “Paisagem Apagada” (48)
49 – Edgar – “Carro de Boy” (49)
50 – Kiko Dinucci – “Veneno” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o rapper Rico Dalasam.
*** A música de Rico Dalasam, nosso primeiro lugar, só entra na playlist na quinta-feira, quando será oficialmente lançada.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.
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Top 50 da CENA – Tudo o que precisamos é amor (Jup do Bairro). E flerte (ABC Love). E o Emicida rimando em inglês. E a Vivian com o Bertoni

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* Olha. Anda difícil substituir as músicas no Top 50, viu? Na medida em que os lançamentos não param, temos um apego pelas músicas que estão na lista há semanas e decidir o que e o que saí, o que sobe e o que desce, é complicado.

Por isso, até acho bom que, quem discordar de alguma saída, argumente aí nos comentários. Porque nem a gente anda concordando com certas escolhas nossas, haha. Mas o nome é Top 50, a gente respeita o que inventou, hahaha.

E que semaninha boa de música. Se o mundo lá fora está pesado, as mentes criativas cantam sobre amor, flerte e amizade em músicas que merecem ser ouvidas repetidas vezes.

Então, por isso mesmo, toma aí no primeiro lugar uma inocente musiquinha gostosa falando sobre flerte, vinda de uma banda misteriosa com um cantor mascarado.

E a nossa playlist, ela sim firmona e bonita e segura de si, está organizada no Spotify e Deezer. Ouça tudo, comente com a gente.

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1 – ABC Love – “Flertes” (Estreia)
A deliciosa “Flertes” vai estar em “Back to Love”, o disco a ser lançado ainda neste ano. Se em 2017 a ABC Love retratava musicalmente uma fogosa atmosfera de pegação paulistana, “Flerte” recria o lance de joguinhos amorosos de verão carioca dos anos 80.
2 – Jup do Bairro – “All You Need Is Love” (Estreia)
A união de Jup do Bairro, Rico Dalasam e Linn Da Quebrada é o tipo de feat que queríamos que fosse mais de uma música. Faz um álbum aí, turma. Os versos “Vou colocar uma música/ espero que não se importe/Vamo ouvir Sampa Crew/ talvez Bjork?” já estão na história.
3 – Gustavo Bertoni e Vivian Kuczynksi – “Louder Than Words” (Estreia)
Vivian comanda a produção e a mixagem de um som solo do líder da Scalene que a dupla escreveu junto. E mais uma vez ela deixa a gente de cara com o talento na produção e na voz. Aliás, alguém viu os covers que ela vem fazendo nesta quarentena? Seria demais pedir um EP?
4 – Emicida – “Who Has a Friend Has Everthing” (Estreia)
Emicida rimando em inglês e dando uma nova letra a “Quem Tem Um Amigo Tem Tudo”. Funciona de um jeito interessante ao repensar as rimas todas. Oito horas de live na gringa em breve pelo visto. O cara não cansa de levar o hip hop brasileiro para “outros lugares”.
5 – Rincon Sapiência – Quarentena (1)
Rincon Sapiência é dos velhos adeptos do home-office. Não faria sentido a quarentena não ter um som dele. E ele vai e faz justamente a música que leva o nome “Quarentena”. Bem ao seu modo, afiado, lotado de referências ao presente. Ouça várias vezes até captar tudo que ele joga aqui. É o mundo que em vivemos hoje milimetricamente musicado. Ou rappeado. Para ser estudada nos livros de história daqui uns anos. Perfeita.
6 – Tagore – Drama (2)
A parceria da Tagore com o Boogarins deu jogo. A canção pega de cara de tão boa. Tem uma clima meio jovem guarda encontra a psicodelia. Carregada no som, mas a mensagem soa clara como música pop das mais limpinhas.
7 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (3)
Um dos destaque do novo EP do Coruja é a romântica “Baby Girl”, que tem um beat daqueles, mas também tem um riff delicioso de guitarra. Romântica no clima, mas um tanto quanto reflexiva sobre aprender amar, entender o amor.
8 – CESRV – “Cry Baby” (4)
“Cry Baby” encontra um toque brasileiro em um sample que reconhecemos de uma música estrangeira que rolava nas rádios nos anos 80, tipo “flashback de FM”. É que o tal sample veio de um disco da banda carioca standard Cry Babies, um grupo que daria origem a Banda Black Rio e que regravou sons gringos em versões instrumentais em um disco de 1969. A música faz caminhos inusitados, não é? Quão rico é isso? Quão necessário são esses caminhos do CESRV?
9 – Douglas Germano – “Valhacouto” (5)
Aldir Blanc é das grandes perdas do ano. Relembramos o compositor versátil e afiado nesta letra incrível para um nome da CENA, que é Douglas Germano. “Valhacouto” é uma crônica sobre a violência nazista que acaba resvalando em cenas da atualidade. Passado e presente juntos em um alerta sobre o perigo que nos ronda. Prova de que Aldir seguia atento, forte e necessário.
10 – Rachel Reis – “Sossego” (Estreia)
Rachel Reis já esteve por aqui com o single “Ventilador” e volta com este hino à quarentena. Não sei se foi feito exatamente para este período, mas que se encaixa, encaixa. “Quase dá sossego / lembrar o seu abraço”.
11 – Tatá Aeroplano – “Alucinações” (50)
12 – Ava Rocha e Los Toscos – “Lloraré Llorarás” (6)
13 – Clarice Falcão – “Só + 6” (7)
14 – YMA – “No Aquário” (8)
15 – Database – “Mandrake (Nesta onda)” (9)
16 – Mariana Degani – “Horda Mulheril” (10)
17 – Sara Não Tem Nome – “Agora” (12)
18 – Taco de Golfe – “Nó Sem Ponto II” (13)
19 – Vir GO – “Lunes” (14)
20 – Gui Hargreaves – “Praia do Futuro” (Estreia)
21 – Clarice Falcão feat. Linn Da Quebrada (16)
22 – Duda Brack – “Pedalada” (17)
23 – Oblomov – “Noites Longe de Você” (Estreia)
24 – Carne Doce – “Saudade” (19)
25 – Francisco – “Traumas” (20)
26 – Aldo – “Restless Animal” (21)
27 – Obinrin Trio – “Medo” (22)
28 – Ozorio Trio – “Get Up” (23)
29 – Cícero – “Às Luzes” (24)
30 – Leo Fazio – “Se Pá” (49)
31 – Djonga – “Procuro Alguém (26)
32 – Letrux – “Déjà-Vu Revival” (27)
33 – ÀIYÉ – “Isadora” (28)
34 – Tuyo e Terno Rei – “Eu Te Avisei” (29)
35 – Troá! – “Bicho” (30)
36 – Luedji Luna e Zudzilla – “Proveito” (31)
37 – Apeles – “Deságua” (32)
38 – Papisa – “Homem Mulher” (33)
39 – Valciãn Calixto – “3R1K0N4” (34)
40 – FingerFingerrr – “Tô Vivo” (35)
41 – Marietta – “Analógica” (36)
42 – Manaié – “Tira a Mão” (37)
43 – Rohmanelli – “Toneaí” (38)
44 – Ana Preta e Thaíde – “Não Me Leve a Mal” (39)
45 – Jhony MC – F.A.B. (40)
46 – Febem, Fleezus e CESRV – “Terceiro Mundo” (41)
47 – Vovô Bebê – “Êxodo” (42)
48 – Os Amanticidas – “Paisagem Apagada” (43)
49 – Edgar – “Carro de Boy” (44)
50 – Kiko Dinucci – “Veneno” (48)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o cantor mascarado da misteriosa banda ABC Love.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.
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