Em willow:

Top 10 Gringo – War on Drugs volta nas cabeças, óbvio. O experimental Yves Tumor experimenta nosso pódio. E forçamos o Fontaines DC em terceiro, porque merecem

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* Na semana em que nossa banda favorita resolver reaparecer ficou complicado para qualquer outro artista ganhar algum destaque. Mas a gente lutou para achar outros merecedores de destaque – é que até que foi uma semaninha bem devagar, com vários discos recebendo resenhas mornas e algumas bizarrices como o Foo Fighters relendo Bee Gees e o Radiohead inventando uma “Creep” loucona de nove minutos.

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1 – War on Drugs – “Living Proof”
Uau. Uma das prediletas da casa quebrou o silêncio de quase quatros anos e reapareceu anunciando disco novo. Adam Granduciel e sua turma chegam em outubro com seu quinto disco, “I Don’t Live Here Anymore”. Já no primeiro single um petardo em forma de balada lenta que vai crescendo aos poucos, como é característico da banda. E a gente começa a rascunhar um disco no topo dos álbuns do ano com um trabalho que nem escutamos ainda…

2 – Yves Tumor – “Jackie”
Afeito a toques mais experimentais e eletrônicos, é um barato ver Sean Bowie, real nome do músico e produtor americano Yves Tumor, em algo tão direito e quase roqueiro – com uma letra rasgada de sofrimento por uma pessoa, será? Essa mudança de clima repentino em um EP surpresa nos faz lembrar de um outro Bowie, que gostava de mudar os rumos assim do nada. Exagero?

3 – Fontaines D.C- “I Was Not Born”
Qualquer desculpa é uma desculpa para colocar os nossos queridos irlandeses do Fontaines D.C em algum lugar do nosso top 50. Um supervídeo para o maravilhoso programa online francês “La Blogothèque” é mais do que uma boa razão. Sem falar na maravilha que é esta música, do disco do ano passado deles, o “A Hero’s Death”.

4 – Willow – “t r a n s p a r e n t s o u l”
Filha do hip hop com a heavy metal, 20 anos de idade lançando seu quarto álbum da carreira, lá vem a Willow atirando para tudo quanto é lado. E acertando em vários lugares. A pretensão deste conhecido single resgatado aqui, parceria dela com o baterista estrela Travis Baker, do Blink 182, é “ressuscitar o rock” na terra do hip hop e trap. A intenção dela (e da Olivia Rodrigo) é boa, gente. Deixa a menina.

5 – Wavves – “Hideaway”
A gente classificou aqui uma vez o som do Wavves como indie-spank-surf-pop-punk. E essa é a melhor definição para “Hideaway”, um dos excelentes sons que estão no novo álbum dos californianos, que leva justamente o nome da faixa. Vale a atenção de fãs do TV on the Radio: David Sitek está na produção por aqui e dá para notar sua mão em sons como “Caviar”, onde o Wavves abre um pouco mão do seu som mais rotineiro.

6 – Clairo – “Blouse”
A gente já tinha ficado de cara quando a jovem cantora indie-folk americana Clairo apareceu no Tonight Show com esta ultra delicada “Blouse”, agora ela é das mais fortes de seu novo álbum, “Sling”, um álbum nem tão forte assim. Culpa do produtor coxa Jack Antonoff e sua mania de desacelerar meninas? De todo modo, nesta “Blouse”, impressiona a o quão pouco a Clairo precisa para criar uma cena completa sobre um cara que só olha para o seu corpo sem escutar nada do que ela fala. Clairo, ainda que novinha para encarar fardos tão pesados como abusos do tipo, consegue botar sua música a serviço de lutas que não são só dela.

7 – Haim – “Cherry Flavored Stomach Ache”
Tem Haim em um novo filme da Netflix, “A Ultima Carta de Amor”. Não vimos o filme para emitir uma opinião, estreia nesta semana, mas ainda que bem diferente na instrumentação a música original das irmãs é bem boa. Tem um toquezinho de country ali e tudo funciona ainda que de uma maneira pop, do jeitão delas.

8 – The Cribs – “Finger-Nailed for You”
A gente às vezes deixa de lado bandas bem queridinhas de outras épocas, que seguem a vida ainda que de um jeito anacrônico, fechadas em seus mundos. No caso dos Cribs, eles lançaram um disco ano passado que precisamos dar uma nova atenção, confessamos. Mas enquanto isso ficamos com esse cover que eles soltaram da banda inglesa Comet Gain, em celebração ao selo norte-americano Kill Rock Stars. Algumas voltas sem chegar a nenhum lugar. Mas, ainda assim, é um Cribs, né?

9 – Dee Gees – “Night Fever”
Amiga e amigo, “Night Fever” é uma música tão fora de série e emblemática que é difícil fazer bobagem com ela. A versão do Foo Fighters é até que honesta, vai.

10 – Radiohead – “Creep (Very 2021 Remix)”
Quando a gente pediu novidades do Radiohead não era bem isso que estava nos planos, mas enfim são novidades do Radiohead. E, mesmo que isso seja um remix bizarro da faixa mais pop (há controvérsias) da banda, já é algo.

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* A imagem que ilustra este post é do vocalista e guitarrista Adam Granduciel, do War on Drugs.
* Este ranking é formulado pelo duo Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Willow vai pesado ao rock pesado em “lately i feel EVERYTHING”, álbum novo lançado hoje

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* Ela começou aos 9 anos, batendo cabelo para a frente e para trás num vídeo que hoje tem mais de 5 milhões de visualização no Youtube. E hoje, a filha do atorzaço e músico hip pop Will Smith com a atriz, apresentadora e ex-vocalista de banda de heavy metal Jade Pinkett Smith, chega aos 20 anos a seu quarto disco, atirando em várias tendências, uma construção de seu tempo e de suas influências.

Willow lança nesta sexta-feira o disco “Lately I Feel Everything”, ou como ela quer nas maiúsculas e minúsculas, “lately i feel EVERYTHING”, um disco que a bota definitivamente no caminho do punk pop tão caro às meninas de hoje, algo até indie rock mesmo e em alguns momentos dentro do revival emo, inclusive.

A gente explica. O álbum traz participações de Avril Lavigne e do baterista do Blink-182, o Travis Barker, e até a banda grunge-de-hoje californiana Cherry Glazerr e a roqueirinha de Youtube Ayla Tesler-Mabe, guitarrista, para “dialogar” com seu, digamos, “novo estilo”. A ótima rapper e cantora Tierra Whack também está no disco, sem contudo parecer deslocada.

Os singles “Transparent Soul” e “Lipstick” davam a pista dos caminhos punk-pop de Willow. Mas quem ouvir o disco todo vai ficar meio passado onde ela foi botar sua voz. E como foi botar. A menina tem presença.

O disco novo está aqui. Escolha onde ouvir. Abaixo, tem um filme de mais de 40 minutos com ela conversando e tocando as músicas do álbum para uma exibição no Facebook Watch, que rolou hoje de manhã nos EUA.

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Top 10 Gringo – Mulher 100%. King Princess, Willow e Japanese Breakfast puxam a fila feminina total do nosso Ranking

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* A gente foi listando as músicas que mais gostamos nesta última semana e logo percebeu: uma mina, duas minas, três minas, quatro minas. Ah, quer saber? Só mulheres nesta semana no ranking gringo. E lógico que não deu trabalho fazer uma pesquisa a mais em sons novos que até passaram sem nossas anotações para dar conta de completar a lista. A semana é total delas.

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1 – King Princess – “House Burn Down”
Que sonho este sonho. A King Princess, além de arrebentar como sempre faz, consegui reunir dois quintos do Strokes por aqui. Na bateria, nosso amigo Fabrizio Moretti. No baixo, o senhor Nikolai Fraiture. E lógico que a presença da dupla dá na música um caldinho de Strokes, que ajuda a gente a entender a participação do dois na banda – assim como a presença do Nick Valensi em um som da Sia já ajudou a gente a sacar o que ele fazia na banda.

2 – Willow – “t r a n s p a r e n t s o u l”
Esse single já está rolando há um tempo, mas agora com um clipe oficial que a gente descobriu que a Willow – sim, a filha do Will Smith e da Jada Pinkett – abriu seu lado de roqueira. Em entrevista a V Magazine, ela conta que por conta do racismo chegou a sofrer com bullying na infância por gostar de rock e uma pressão para se encaixar em ritmos como o R&B. Considerando que sua mãe já teve banda de rock, ela resolveu assumir seu gosto sem medo do que vão pensar. E deu muito certo. A presença do Travis Baker na bateria ainda dá um capricho de nostalgia.

3 – Japanese Breakfast – “Be Sweet”
A gente já tinha gostado do singles e não foi trabalho ficar apaixonado no novo álbum da excelente Japanese Breakfast, Michelle Zauner. Aqui em “Be Sweet” ela constrói um som tão delicioso quanto oitentista, mas sem toques exagerados de retrospectiva. Ao mesmo tempo que não é difícil imaginar o refrão “Be sweet to me, baby/I wanna believe in you/I wanna believe in something” em um rádio retrô, ela não soa como uma cópia de algo que você já ouviu antes.

4 – Billie Eilish – “Lost Cause”
Mais um som com toque direito ao ex que fazia pouco da Billie? E segue a revolução visual da Billie no clipe deste som, um passo dado em direção a liberdade (e curtição com as amigas). Sonoramente, a revolução não é tanta, ainda que soe um pouco mais iluminado que os trabalhos do primeiro álbum.

5 – Zoe Wees – “Girl Like Us”
Na linha da Billie, repare no estilo vocal, a Zoe Wees também faz um barulho. Com seus 17, 18 anos, a alemã começa a colecionar hits que tocam corações pelo mundo ao falar de ansiedade e pressões, como a da aparência. Em “Girls Likes Us” ela relata, por exemplo, seu sofrimento de não ver beleza no espelho. “Eles não sabem”, ela canta no refrão sobre a invisibilidade de algumas questões feminas. Olho nessa mina. É hit atrás de hit.

6 – Wolf Alice – “How Can I Make It Ok”
Mais uma da lista que caberia na programação da Alpha FM. Falsete delicioso combinado com um refrão apaixonado em um dos momentos mais pop do novo álbum dos ingleses da Wolf Alice.

7 – Rochelle Jordan – “Already”
R&B para lá de dançante, com uma leve pegada de house, talvez? Essa é “Already”, um dos bons sons de “Play With Changes”, álbum que a inglesa que cresceu no Canadá Rochelle lança após quase sete anos de silêncio por conta de tretas de saúde e gravadora. Esse tempo não foi capaz de tirar um energia para lá de boa que seu som carrega. É tocar e sair dançando.

8 – Dua Lipa – “Love Again”
Tem esse lugar comum de que ninguém mais pensa em álbum. Meia verdade. Só olhar para o trabalho da Dua Lipa, que chega ao sexto single de um álbum, para ver que é possível trabalhar um repertório aos poucos, quase nos moldes tradicionais – com o single saindo após o álbum e não antes, como é a moda atual, onde o disco é quase que a última coisa que importa. Movimento interessante. Detalhe que todas as músicas são hits impecáveis, né?

9 – Dawn Richard – “Bussifame”
Artista experiente com 20 anos de estrada, Dawn Richard entrega em “Second Line” um álbum maduro e conceitual que levou uma bela nota oito da Pitchfork. Precisamos escutar um pouco mais para entender a questão conceitual toda, mas só “Bussifame” já dá conta de muito balanço – além de ter uma pegada metalinguística sobre fazer um som dançante, sério.

10 – Dondria – “Let It Be”
Mais uma artista da nossa lista que tem uma carreira um pouco complicada em questões de lançamentos. Bombada no começo da década passada, Dondria não manteve o ritmo aparentemente e não lançou muito material, mass nos pegou em cheio com essa emocionante faixa onde vai de uma voz doce e radiofônica até um timbre rasgado quase rouco, sem medo. Um som que honra pegar emprestado um título clássico desses.

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* A imagem que ilustra este post é da rapper Willow Smith.
* Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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New York I Love You: Grouplove, Two Door Cinema Club, o “Romeu e Julieta” hipster e o gato mochileiro

* Popload em Nova York.

* Tudo tranquilo na cidade que amamos e às vezes nos deixe deprê, segundo o gênio contemporâneo James Murphy. Tirando tuuuuudo o que está acontecendo, nada parece acontecer. Calmaria pós lembranças do 11 de setembro, gato peregrino na capa de jornal e o zunzum pela estréia nesta sexta-feira do filme novo do Gus Van Sant, “Restless”, uma história que, como eu andei lendo, é um “ROMEU & JULIETA HIPSTER MODERNO”, hahaha. Um romance “quasi-homossexual”, porque, segundo dizem, o “Romeu” parece uma menina e a “Julieta”, um hominho. Gosh, preciso ver isso.

* Está tudo tão NYSussa que a capa de ontem do “New York Post”, com o genial título “Puss ‘N’ Boots”, foi o gato Willow, que teria feito uma jornada de 5 anos indo da cidade de Boulder, no Colorado, até uma rua do East Side de Nova York. O felino desapareceu de seus donos em 2006 e, apesar da procura louca, só foi encontrado agora, em 2011, cerca de 1.500 milhas longe de casa. Um bom samaritano achou o bichano sozinho numa rua em Manhattan e o entregou ao Animal Care and Control. Graças a um chip implantado no gato com todos os seus dados, seus donos foram avisados. A menina Shelby, 17 anos, já prepara em Boulder uma festança na cidade de “welcome back” para o kitty.

* Nova York nesta semana está sendo um mini-Planeta Terra Festival. Entre quarta e hoje tocaram/tocam Toro Y Moi, Bombay Bicycle Club e Peter Bjorn & John. Desses, fui no Bombay, porque eles abriam para o Two Door Cinema Club, no Terminal 5. Dois bons shows (vi quatro músicas do BBC apenas), mas de bandas que estão tocando tanto há tanto tempo que estão visivelmente cansadas, gás no fim. Principalmente o TDCC. Fora que o público nova-iorquino paradão não ajuda, mesmo com a casa sold-out fazia tempo. Two Door Cinema Club tocou muito em seriado tipo “Gossip Girl”. E, na mais caricata das caricaturas, assim que eu cheguei ao clube, encostou uma limusine e dela desceram uns dez meninos e meninas vestidos de franceses século 18.

* O Two Door Cinema Club tocou uma música nova. Seu vocalista disse algo do tipo “É a primeira vez que tocamos ela ao vivo fora do Reino Unido”. Gravei um trechinho. Obviamente não sei o nome. Se alguém puder ajudar…

* Na quarta, no entanto, fui a um show fervendo no Bowery Ballroom. Quem tocou foi a banda nova Grouplove, agitando ao vivo o lançamento de seu disco novo nesta semana, o esperto “Never Trust a Happy Song”, já comentado por aqui. O Grouplove é de Los Angeles, dessa safra feliz de homens, bandas e idéias que está vindo da Califórnia. Nada mais sintomática que a banda faça show e festa-pós de lançamento de seu primeiro disco em Nova York, que até então é (era?) o celeiro de grupos novos e experimentos sonoros interessantes, com sede no Brooklyn. Enfim, isso é uma outra tese, também já resvalada na Popload. Uma hora a gente volta a ela.
O show começou a 100 por hora, depois caiu um pouco. A banda, quinteto esperto e variado de figuras, tipos e caras boas, quatro caras e uma menina tecladista, tem para apresentar, de cara, um punhado de pelo menos cinco músicas muito boas, todas beirando o indie-pop pegajoso alegre, mesmo quando a letra não é rir.
Falta muita força ao vivo, que com o tempo a banda vai desenvolver. Mas o show é uma diversão só. As músicas falam por si. O Foster the People ganhou um irmãozinho.