Em Wolf Alice:

Mercury Prize elege a cantora Arlo Parks o nome do ano na música inglesa. Premiação rendeu várias performances ao vivo legais. Veja

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* Uma das poucas premiações musicais em que a gente bota uma fé, o britânico Mercury Prize aconteceu ontem em Londres, na qual a cantora novinha Arlo Parks foi a grande vencedora, por conta de seu disco de estréia, o ótimo “Collapsed in Sunbeams”, lançado em janeiro.

A disputa para escolher o nome da noite foi grande, segundo os organizadores. Entre outros concorrentes estavam o misterioso SAULT, os indie velhos Mogwai, a banda Wolf Alice e a espertíssima banda de indie quebrado Black Country, New Road e seu disco dèbut lindo.

Mas certamente o que contou a favor de Parks neste grande rol de competidores, foram as bandeiras importantes de diversidades (mulher, negra, bissexual, poeta, ativa na causa mental health) que ela carrega em si, além da excelente coleção de canções do disco.

Em seu discurso fofo de agradecimento, ela lembrou que passava em frente ao Hammersmith Apollo, lugar onde rolou a cerimônia ontem, toda vez que ia para a escola, garotinha.

O bom de prêmios assim, sempre, são as performances especiais ao vivo. A gente destaca, abaixo, boa parte delas.

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Popnotas – Moby inaugura hoje o festival In-Edit, de filmes musicais. Wolf Alice vai às rádios. Liga pro Tyler, The Creator qualquer coisa. Pip Blom mostra a ginga do pop holandês

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– Dá a largada nesta quarta a 13ª edição do sempre incrível In-Edit Brasil, festival de documentários musicais que bota uma seleção de 50 filmes nacionais e internacionais à disposição online, ou pagando nada, ou desembolsando R$ 3 para ver. O festival vai até o dia 27 e tem parte de sua programação veiculada ainda no Sesc Digital e um “chorinho” na plataforma Spcine Play, que estende o In-Edit por um dia, com alguns filmes em exibição especial no dia 18. A gente já deu um visual grande da programação do In-Edit Brasil aqui, “no tocante” aos longas gringos que o evento bota em suas caixas acústicas. Tipo o filme do Idles (com exibição a partir de amanhã, 18h), do Pogues e das Go-Go’s, para citar só três dos mais legais. O festival tem a abertura nesta noite, 20h, com o “Moby Doc”, produção deste ano sobre o grande DJ e depois músico Moby, o popstar “fora da curva”, que retrata “de sua infância solitária nos subúrbios de Nova York aos maiores palcos do mundo”. Programe-se no site do In-Edit Brasil. Os filmes têm limites de visualizações.

– A gente já mencionou por aqui que o rapper Tyler, The Creator vem dando pistas do que será seu próximo álbum. A dica mais recente é um curto vídeo que ele soltou no YouTube chamado “Side Street”, onde aparece aos beijos com uma moça que parece já ter namorado. A história do vídeo é essa, sem mais pistas, a não ser o provável nome do álbum que aparece ao final, “Call Me If You Get Lost”. Oi? O bamba Tyler, The Creator é um dos headliners do gigante Lollapalooza Chicago, que acontece no finalzinho do mês que vem. Estamos de olho nele. Neles: no Tyler e no Lolla EUA.

Pip Blom, duas minas-dois manos, uma das nossas duas bandas preferidas de Amsterdã, anunciou que vem por aí seu segundo álbum, “Welcome Break”. Seu primeiro single é a bela powerpop “Keep It Together”, que vem acompanhada de um vídeo que tira uma onda com um tipo de prática visual dos anos 80. Se você ainda não conhece, se prepare para ter uma nova banda favorita, talvez dentro do quesito “liderada por irmãos”. Nem que for uma favorita-fora-do-eixo. No caso aqui, Pip Blom e Tender, que dividem os vocais neste single.

– O quarteto inglês Wolf Alice segue o embalo de divulgação de seu badalado novo álbum com tinta de cabelo, “Blue Weekend”, que saiu no comecinho do mês. Abaixo, você pode conferir duas performances em vídeo diferentes da banda de Ellie Rowsell para rádios legais, como a americana WFUV, de Nova York, e a holandesa 3voor12. A primeira recebeu a baladaça em piano “The Last Man on Earth”, a segunda ganhou a agitadinha “Smile”. Repare, é a mesma session com distribuições de canções distintas. Eles estão com a mesma roupa.

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Popnotas – Todos os amores do Marcelo Perdido. Wolf Alice enquanto Foo Fighters. Clairo na TV, com a Lorde e lançando single. E o nosso Popcast já listando os melhores do ano (até agora)

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CENA – Um manifesto de amor, numa certa mistura celebratória de Dia dos Namorados com o Mês do Orgulho LGBTQIA+, move a nova canção do sempre esperto Marcelo Perdido, “Que Bom”, que bota o músico carioca já a caminho do próximo álbum. Perdido lançou no final do ano passado, pelo selo CENA (da Popload), o álbum “Não Tô Aqui para Te Influenciar”. “Que Bom” é sobre o amor de diversas formas na cadência pop-MPB gostosa que Marcelo sabe empregar. E o vídeo promove um beijaço “vingativo”-animado-criativo. Marcelo explica e vamos ao vídeo na sequência: “Essa música, e o disco todo que vem, nasceram de um vontade de rever filmes românticos que fizeram sucesso e marcaram as pessoas da minha geração, mas ao revê-los me incomodou o fato das histórias parecerem sempre falar sobre o mesmo casal hétero, branco de cabelos e sorrisos perfeitos. Imaginei quantas pessoas diferentes desse padrão tiveram que fazer um exercício de abstração muito grande para poder se enxergar naquelas histórias de amor, e talvez nem tenham conseguido e cresceram sem isso. É bem triste, né? Então essa canção tenta pluralizar um pouquinho as histórias de amor. É um passo bem pequeno, mas na direção que acho que é a certa quando penso nesse sentimento”, reflete Perdido

– A banda inglesa Wolf Alice, com seu novo disco, está virando o Foo Fighters, com o disco deles: está em TODAS. A banda de Ellie Rowshell, que acabou de lançar o disco “Blue Weekend” com tinta para cabelo e um monte de singles, vídeos e aparições ao vivo, tem mais para mostrar. Primeiro um novo vídeo, para a música “Delicious Things”. Depois uma performance ao vivo para o programa matutino do Chris Evans na Virgin Radio britânica, o Breakfast Show, tocando a baladaça “Last Man on Earth”, que tem em vídeo também. Dá-lhe, Ellie.

– A jovem cantora indie-folk americana Clairo, que nesta madrugada apareceu em lançamentos fazendo backing vocal para a Lorde e mandando sua própria música nova, esteve ainda ontem à noite no Jimmy Fallon, para fazer a estreia dessa canção que soltou, “Blouse”, junto com o anúncio que logo mais, ainda neste ano, lança seu segundo álbum, “Sling”. “Blouse” é a primeira música a sair desse disco novo prometido. Ao vivo, na TV americana, ficou assim.

– Está no arrrrrrrr o Popcast desta semana. Sem maiores spoilers, o podcast da Popload, apresentado por Lúcio Ribeiro e Isadora Almeida, traz um olhar rankeado dos melhores discos internacionais do ano, até agora, em que completamos seis meses de 2021. E já foi difícil elaborar nossa lista. Digo, a Isa a dela, o Lúcio a dele. Teve o pódio das músicas mais queridas da semana, de cada um, os destaques da CENA brasileira e o bloco das efemérides, que lembrou Radiohead e Arctic Monkeys. Ouve lá.

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Top 10 Gringo – Mulher 100%. King Princess, Willow e Japanese Breakfast puxam a fila feminina total do nosso Ranking

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* A gente foi listando as músicas que mais gostamos nesta última semana e logo percebeu: uma mina, duas minas, três minas, quatro minas. Ah, quer saber? Só mulheres nesta semana no ranking gringo. E lógico que não deu trabalho fazer uma pesquisa a mais em sons novos que até passaram sem nossas anotações para dar conta de completar a lista. A semana é total delas.

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1 – King Princess – “House Burn Down”
Que sonho este sonho. A King Princess, além de arrebentar como sempre faz, consegui reunir dois quintos do Strokes por aqui. Na bateria, nosso amigo Fabrizio Moretti. No baixo, o senhor Nikolai Fraiture. E lógico que a presença da dupla dá na música um caldinho de Strokes, que ajuda a gente a entender a participação do dois na banda – assim como a presença do Nick Valensi em um som da Sia já ajudou a gente a sacar o que ele fazia na banda.

2 – Willow – “t r a n s p a r e n t s o u l”
Esse single já está rolando há um tempo, mas agora com um clipe oficial que a gente descobriu que a Willow – sim, a filha do Will Smith e da Jada Pinkett – abriu seu lado de roqueira. Em entrevista a V Magazine, ela conta que por conta do racismo chegou a sofrer com bullying na infância por gostar de rock e uma pressão para se encaixar em ritmos como o R&B. Considerando que sua mãe já teve banda de rock, ela resolveu assumir seu gosto sem medo do que vão pensar. E deu muito certo. A presença do Travis Baker na bateria ainda dá um capricho de nostalgia.

3 – Japanese Breakfast – “Be Sweet”
A gente já tinha gostado do singles e não foi trabalho ficar apaixonado no novo álbum da excelente Japanese Breakfast, Michelle Zauner. Aqui em “Be Sweet” ela constrói um som tão delicioso quanto oitentista, mas sem toques exagerados de retrospectiva. Ao mesmo tempo que não é difícil imaginar o refrão “Be sweet to me, baby/I wanna believe in you/I wanna believe in something” em um rádio retrô, ela não soa como uma cópia de algo que você já ouviu antes.

4 – Billie Eilish – “Lost Cause”
Mais um som com toque direito ao ex que fazia pouco da Billie? E segue a revolução visual da Billie no clipe deste som, um passo dado em direção a liberdade (e curtição com as amigas). Sonoramente, a revolução não é tanta, ainda que soe um pouco mais iluminado que os trabalhos do primeiro álbum.

5 – Zoe Wees – “Girl Like Us”
Na linha da Billie, repare no estilo vocal, a Zoe Wees também faz um barulho. Com seus 17, 18 anos, a alemã começa a colecionar hits que tocam corações pelo mundo ao falar de ansiedade e pressões, como a da aparência. Em “Girls Likes Us” ela relata, por exemplo, seu sofrimento de não ver beleza no espelho. “Eles não sabem”, ela canta no refrão sobre a invisibilidade de algumas questões feminas. Olho nessa mina. É hit atrás de hit.

6 – Wolf Alice – “How Can I Make It Ok”
Mais uma da lista que caberia na programação da Alpha FM. Falsete delicioso combinado com um refrão apaixonado em um dos momentos mais pop do novo álbum dos ingleses da Wolf Alice.

7 – Rochelle Jordan – “Already”
R&B para lá de dançante, com uma leve pegada de house, talvez? Essa é “Already”, um dos bons sons de “Play With Changes”, álbum que a inglesa que cresceu no Canadá Rochelle lança após quase sete anos de silêncio por conta de tretas de saúde e gravadora. Esse tempo não foi capaz de tirar um energia para lá de boa que seu som carrega. É tocar e sair dançando.

8 – Dua Lipa – “Love Again”
Tem esse lugar comum de que ninguém mais pensa em álbum. Meia verdade. Só olhar para o trabalho da Dua Lipa, que chega ao sexto single de um álbum, para ver que é possível trabalhar um repertório aos poucos, quase nos moldes tradicionais – com o single saindo após o álbum e não antes, como é a moda atual, onde o disco é quase que a última coisa que importa. Movimento interessante. Detalhe que todas as músicas são hits impecáveis, né?

9 – Dawn Richard – “Bussifame”
Artista experiente com 20 anos de estrada, Dawn Richard entrega em “Second Line” um álbum maduro e conceitual que levou uma bela nota oito da Pitchfork. Precisamos escutar um pouco mais para entender a questão conceitual toda, mas só “Bussifame” já dá conta de muito balanço – além de ter uma pegada metalinguística sobre fazer um som dançante, sério.

10 – Dondria – “Let It Be”
Mais uma artista da nossa lista que tem uma carreira um pouco complicada em questões de lançamentos. Bombada no começo da década passada, Dondria não manteve o ritmo aparentemente e não lançou muito material, mass nos pegou em cheio com essa emocionante faixa onde vai de uma voz doce e radiofônica até um timbre rasgado quase rouco, sem medo. Um som que honra pegar emprestado um título clássico desses.

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* A imagem que ilustra este post é da rapper Willow Smith.
* Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Popnotas – Chet Faker cool de bata no skate. Crowded House está de volta (e bem). O grande Anthony Bourdain vai ganhar filmão. O ótimo Cruella e sua trilha rock linda. O novo single e a nova dança do Jungle

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– O grande músico australiano dance cool Chet Faker, de voz marcante, que já dominou o assunto pop em uns tempos bons que não voltam mais e ainda mudou de nome no meio do caminho e voltou a ser Chet Faker, lançou um single novo, “Feel Good”. Que bom, Chet. O vídeo mostra ele se sentido bem dando rolê de skate depois de encontrar uma fitinha k7 num deserto, com uma roupa meio celestial, tipo bata. Mais ou menos isso. A música tem aquela ginga australiana de quem mora há um tempo em Nova York. Ou seja, boa. O vídeo é vibe demais e é bem complementado com efeitos de Stories. “Feel Good” é single do novo álbum do Chet Faker, “Hotel Surrender”, a sair em 16 de julho. Vamos prestigiá-lo sempore, claro. E nem é apenas porque ele dá nome ao meu gato, o Chet, ruivão tanto quanto.

– Ainda com ares australianos, o veterano grupo Crowded House, da mesma Melbourne do Chet Faker, mas atuante mesmo nos anos 80, lançou um álbum novo, veja bem. Chama “Dreamers Are Waiting”, foi feito no ano passado sob o “primeiro impacto” da pandemia (que até foi bem suave para os australianos) e é o primeiro registro em estúdio desde o último disco deles lançado, “Intriguer”, de 2010. Os caras são megafamosos mais na Austrália, e tals, nível “hall of fame” de lá, e andaram fazendo turnês cheiaças no território deles, o que chamou a atenção do Ocidente trancado em casa. Mas esse sétimo disco deles, “Dreamers Are Waiting”, pelo pouco que sapeamos por aqui, mostra ainda uma integridade roqueira, ora caindo para o indie, ora soando pop. Eles acabaram de anunciar, ainda, turnê por EUA e Europa em 2022. O Crowded House está oficialmente “back on track”, como eles dizem por lá.

– Em 16 de julho estreia nos cinemas americanos um documentário sobre o grande chef rock’n’roll Anthony Bourdain, que sempre levou a boa música para os seus pratos e vice-versa, autor programas de TV, docs de comida e livros, amigão de gente como Iggy Pop e Josh Homme, do Queens of the Stone Age. Sua morte por suicídio chocou o mundo exatamente há três anos, em junho de 2018. O documentário é produzido pela cineasta oscarizada Morgan Neville e traz imagens de arquivo de Bourdain atrás das cozinhas do mundo e depoimento de uma galera variada tanto da culinária quanto, por exemplo, Alison Mosshart, da banda The Kills. O filme sobre Bourdain tem o nome e som da trilha da extraordinária “Roadrunner”, música da tão extraordinária quanto banda protopunk Modern Lovers, dos anos 70, liderada pelo doidaço Jonathan Richman. É muita coisa boa junto, tá loko. O primeiro trailer de “Roadrunner”, filme sobre o saudoso Anthony Bourdain, foi divulgado sexta passada.

– Falando em cinema, vamos aproveitar para encaixar o fato de “Cruella”, filme da Disney que está em cartaz há uns dez dias, é a melhor coisa para ver nas telas de qualquer tamanho nos últimos meses. Se você tem coragem de ir aos vazios cinemas, é melhor ainda. “Cruella” vale tanto pela história, que se passa nos anos 70 em Londres e tem total um espírito punk, como pela trilha sonora, que vai de Clash, pois, a rockões na linha Stones (toca “She’s a Rainbow”, pensa), Animals, Zombies, Nancy Sinatra, Blondie, Queen, Deep Purple, Black Sabbath, J Geils Band, entre muitos outros desse naipe. Tudo explode no som de cinema, na hora certa. Impressionante. Lembrando que a música-tema, que embala a billieeilishiana (no filme) Emma Stone, é “Call Me Cruella”, da Florence and the Machine.

– A adorável banda inglesa dance Jungle lançou mais um single da mesma série que rende vídeos de balé moderno no prédio abandonado. Desta vez é para “Talk about It”, outra faixa do novo álbum, “Lovin in Stereo”, o terceiro do grupo, que vai sair em 13 de agosto. Essa “Talk about It”, como os singles anteriores, é bem bom, dentro do estilão Jungle de ser, o que garante que vem aí um belo disco, salvo engano. Bom, confere o single novo por você yourself..

– Mais um vídeo novo do Wolf Alice, grupo inglês que lançou seu disco novo bacana sexta passada, que por sua vez já veio junto com vídeo novo atrelado. Galera está trabalhando. Desta vez o single com imagens é para “The Beach”, faixa que abre “Blue Weekend”, o terceiro disco da banda.

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