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Top 50 da CENA – FEBEM lidera o ranking (de novo), Aquino e a Orquestra Invisível devolve a leveza ao top 3 e o Boogarins não larga de ser lindo. E podia ser Moons, NoPorn e Jair Naves que estaria tudo bem

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* No episódio desta semana do TOP 50 da CENA, a gente ainda mostra uma certa obsessão pelo disco novo do rapper FEBEM e volta a premiá-lo com o topo usando mais uma faixa do seu grande álbum “Jovem OG”. Voltamos também a se espantar com as conexões indies que andam deixando paulistas com cara de carioca e vice-versa. Voltamos novamente a nos derreter pelo Boogarins e seu trabalho de sobras onde sobram tesouros a serem garimpados. Mas, olha só, também desbravamos novos territórios, já que não gostamos de ficar na mesma, não.

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1 – FEBEM – “Crime” (Estreia)
Quantos jovens estariam encarcerados no Brasil se lidássemos com a questão das drogas de uma maneira mais inteligente que o combate violento que extermina parte da nossa juventude, especialmente periférica e negra? Quando FEBEM comenta “Dizem que cometemos crime” ele pensa essa perspectiva ao sentir que sua existência é criminalizada – por isso que ele começa o refrão com os versos “Uns finge, outros vive o crime”. Como responder a uma violência dessas desde o berço? “Na vida algumas coisa é como um Golf GTI/ Não cura minha dor, mas mesmo assim vou adquirir.”

2 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (Estreia)
Cara, o que acontece no Rio de Janeiro que a CENA local não para de dar bons frutos, hein? E o mais doido é que é tudo um som meio estranho que lembra muito coisas paulistanas. Um Rio mais da cidade do que da praia. Um Rio mais cinza. Mais de falar do que (se) mostrar. Nessas entra o som desse trio tijucano que consegue aliar uma longa narrativa de solidão com um dos refrões mais melancólicos e bonitos do ano.

3 – Boogarins – “Supernova” (4)
No disco de sobras e sonhos do Boogarins, eis uma música que poderia estar fácil em um dos álbuns oficiais dos meninos. Talvez caiba numa lista de melhores deles? É muito? “Supernova” é bonitaça demais, por onde se olhe. Na letra, na dinâmica que vai se alterando sutilmente pelos versos, na voz suave do Dinho. E na mensagem da música: “Se tudo está pronto, que resta eu inventar? O novo é qualquer lugar”.

4 – Moons – “Love Hurts” (Estreia)
Mal lançaram um bom EP, os mineiros do Moons resolveram soltar um single que é dos melhores trabalhos da banda. A gente imagina aqui um Jeff Buckley pirando nesse som superclimático que vai crescendo, ali numa das montanhas próximas a Belo Horizonte, onde nem um café quentinho vai aplacar essa ferida de amor.

5 – NoPorn – “Festa No Meu Quarto” (Estreia)
O mítico electrosexy duo NoPorn adaptado aos novos tempos. Instituição das melhores festas paulistanas, a dupla hoje formada por Liana Padilha e Lucas Freire leva a pista para outro lugar, um mais íntimo, seu quarto, nosso quarto, de quem estiver disposto a aceitar o convite charmoso do duo enquanto pandemias e lockdowns ou meio-lockdowns perdurar. Sabe a onda de cantar falando, Florence Shaw? Dá uma ligada na Liana.

6 – Jair Naves – “Vai” (Estreia)
Na dolorida e talvez de amplos sentidos “Vai”, Jair consegue reunir um som que soa quase “estragado” – tanto que faz a gente checar se o computador não está travando – com talvez o que seja uma de suas canções mais “certinhas”, com a melodia vocal e instrumental se encaixando docemente. Bonito. E a gente fica na dúvida, aqui. Será que ele está mesmo comentando um relacionamento aí?

7 – FEBEM – “México” (1)
Se na música lá de cima FEBEM comenta a dualidade da palavra “crime” no Brasil, “México” tem a esperta sacada em inverter um lugar comum do rap – em linhas gerais, não temos um rapper versando sobre o crime, mas o inverso. Ou quase, já que o final da música adiciona um mistério sobre o narrador e nubla as ideias. Para pegar o filme completo, só escutando o disco todo. O que não é nenhum trabalho, acredite.

8 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (2)
Mais algumas conexões da CENA carioca atual com a CENA paulistana de outrora, tudo junto e misturado e fazendo o maior sentido. Mas aqui no sentido contrário da coisa, já que temos uma banda de paulistas, herdeiros do grupo Rumo, soando muito como os novos cariocas que soam como paulistas do grupo Rumo, para completar o interessante rolê geográfico-temporal. Entende?

9 – Carmem Red Light – “Faith No More” (Estreia)
Carmem Red Light, artista trans brasileira radicada na Europa há mais de 20 anos, mexe com muitas coisas em seu neste single. Ela, que nasceu em Cajazeiras, no interior da Paraíba, e hoje é cidadã londrina, assume um lado “Marilyn Manson encontra David Bowie” e ainda mexe com religião e sexualidade. O som é soturno? Sim, mas por que não seria, dadas as circunstâncias todas?

10 – Jadsa – “Olho de Vidro” (3)
Quantas semanas de Jadsa já no Top 10?

11 – Giovanna Moraes – “Boogarins’ Are You Crazy?” (8)
12 – Lupe de Lupe – “Resplendor” (5)
13 – Yannick Hara – “Raça Humana” (6)
14 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (7)
15 – Uana – “Mapa Astral” (9)
16 – Mayí – “Sedenta” (10)
17 – BaianaSystem – “Reza Frevo” (11)
18 – Hierofante Púrpura – “Tbm Sou Hipster” (12)
19 – Jadsa – “Sem Edição” (13)
20 – Thiago Elniño – “Dia De Saída” (14)
21 – Luna Vitrolira – “Aquenda” (15)
22 – FBC – “Gameleira” (16)
23 – Rico Dalasam – “Última Vez” (17)
24 – YMA – “White Peacock” (18)
25 – Frank Jorge e Kassin – “Tô Negativado” (19)
26 – Mbé – “Aos Meus” (20)
27 – Giovanna Moraes – “Tudo Bem?” (21)
28 – Rico Dalasam – “Estrangeiro” (22)
29 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (23)
30 – Jadsa – “Lian” (24)
31 – Djonga – “Eu” (25)
32 – Lupe de Lupe – “Cabo Frio” (26)
33 – LEALL – “Pedro Bala” (27)
34 – Barro e Luísa e os Alquimistas – “De Novo” (29)
35 – Filipe Ret – “F* F* M*” (30)
36 – Jadsa – “Raio de Sol” (31)
37 – BNegão – “Salve 2 (Ribuliço Riddim)” (32)
38 – Vanessa Krongold – “Dois e Dois” (33)
39 – Ale Sater – “Peu” (34)
40 – Jupiter Apple – “AJ1” (35)
41 – Apeles – “Eu Tenho Medo do Silêncio” (36)
42 – Lupe de Lupe – “Goiânia” (37)
43 – Rohmanelli – “Viúvo” (38)
44 – Boogarins -“Far and Safe” (39)
45 – Rincon Sapiência – “Som do Palmeiras” (40)
46 – Monna Brutal – “Neurose” (41)
47 – Luna França – “Terapia” (42)
48 – Yannick Hara – “Antidepressivos” (43)
49 – Ale Sater – “Nós” (44)
50 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (45)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a banda carioca Aquino e a Orquestra Invisível.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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TOP 50 DA CENA – Em ranking total 2021, o domínio é delas: Jadsa, Giovanna Moraes e Sophia Chablau assumem o top e devem ficar ali por algum tempo, parece

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* A gente tem trabalhado muito escavando esta CENA, andamos reparando por aqui. Estamos no final das águas de março ainda (ainda?) e em nossa busca semanal por música nova já encontramos mais de 50 músicas de 2021 que merecem sua atenção. Sim, se a gente não está equivocado, pela primeira vez em 2021 temos um TOP 50 com 100% das músicas feitas neste ano. Quando a gente fala que a CENA brasileira não está de brincadeira, é fato. Não é opinião, não.

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1 – Jadsa – “Sem Edição” (Estreia)
A gente escreveu um tanto sobre o novo álbum da guitarrista baiana Jadsa, “Olho de Vidro”. Por aqui, desta vez, deste disco rico a gente destaca “Sem Edição”, um som que troca ideia com muito do que a gente comenta no texto, especialmente a capacidade de Jadsa de colocar muitas perspectivas na mesma conversa. Por aqui, Gal e Tulipa Ruiz interagem de igual para igual enquanto a música vem em forma de um mantra que cresce e acelera, uma brincadeira em um jazz que orgulharia João Gilberto e Itamar Assumpção, o grande homenageado do álbum.

2 – Giovanna Moraes – “Boogarins’ Are You Crazy?” (Estreia)
Outro disco de camadas, umas claras de primeira ouvida e outras que vêm de encontro a você conforme o tempo de saboreá-lo vai se intensificando, é “III”, lançamento recente da multiartista paulistana Giovanna Moraes. Aqui, uma sagacidade sua foi premiada aqui. Os Boogarins deram a sopa de largar um instrumental em seu álbum de sobras e a Giovanna foi lá e meteu uma letra sua. Agora a música é bem dela.

3 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (Estreia)
Potente o encontro da banda indie paulistana com a produção da carioca Ana Frango Elétrico. Nada a ver, mas tuuuudo a ver. É especial o quanto no momento mais pop da música o instrumental fica ainda ainda mais doido. Talvez seja isso que estamos precisando.

4 – FBC – “Gameleira” (Estreia)
O rapper mineiro Fabiano Soares, o FBC, impressiona com sua consciência fora dos padrões sobre o rolê todo. Consciência do hip hop em si, do cotidiano (seu e nosso), da política e da comunicação nas redes. Desse seu novo EP, produzido pelo VHOOR, a gente destaca, entre tantos bons momentos, esse hip hop atabacado de reflexão sobre tradições, tanto na letra quanto no beat.

5 – Rico Dalasam – “Última Vez” (Estreia)
Este é o terceiro som do novo álbum do Rico Dalasam que a gente coloca aqui no top 50. Já abordamos uma das canções mais políticas do disco, a mais radiofônica e agora uma mais sobre relacionamento interracial, onde um lado não assume o outro, em um dos desdobramentos que seguem sendo abordados em outras músicas, como “Brailler” e “Mudou Como?”.

6 – YMA – “White Peacock” (Estreia)
Agora “White Peacock”, lançada como single no final de 2020, não é só aquele som da YMA com um solo de sax fora de série, mas é também um single dela com um dos vídeos mais bem produzidos do ano. Uma história circular meio amalucada e muito bem filmada, produção lindona mesmo. Yma is back. Será?

7 – Frank Jorge e Kassin – “Tô Negativado” (Estreia)
Professor do indie brasileiro, a lenda gaúcha Frank Jorge aparece aqui em companhia do produtor carioca Kassin. Um encontro que deu jogo. “Nunca Fomos Tão Lindos” concentra o balanço pop de Frank entre sua marcada jovem-guarda e sua guinada forte ao tecnobrega com as invencionices sonoras de Kassin.

8 – Mbé – “Aos Meus” (1)
A gente ficou chapado ao entrar em contato com o trabalho de Luan Correia, o produtor, pesquisador e engenheiro de som carioca, da Rocinha, que funciona aqui como Mbé, palavra que em yorubá significa “ser” e “existir”. Seu experimentalismo, como ele diz, surge da necessidade de significações para a vida negra, mas deixando de lado o sentimento da marginalização e subalternidade social. Ou seja, o experimentalismo aqui é por uma vida, muito além das limitações da música experimental. Entre recortes, samples, Mbé busca novos horizontes no experimentalismo. Na faixa de abertura, repare no quanto é dito em tão pouco espaço. Os recortes, as falas repetidas que são silenciadas, seguidas de uma Antônio Abujamra que dão devido contexto. Tudo está dito e em apenas 46 segundos. Que convite ao álbum. Vai nessa.

9 – Giovanna Moraes – “Tudo Bem?” (2)
Olha ela de novo. Um amigo gringo nosso, ao ouvir “III”, o novo disco de Giovanna Moraes, comentou que este som específico, “Tudo Bem?”, o lembrava uma pegada Portishead, sons meio enigmáticos embalando voz que alterna momentos de (des)controle emocional. A gente primeiro soltou um “whaaaat?”, mas depois foi escutar mais uma vez com essa referência bonita em mente e não é que tem algum sentido? Podemos estar enganados, mas à medida que a canção cresce Giovanna vai cantando mais entorpecida, um pouco bêbada, e acaba a música repetindo, já total entregue, as mesmas coisas que disse no começo. Como se ela fosse dormir daí, esgotada, depois de a canção encerrada. Nessas, esse (des)controle de emoções dentro de uma música, típico de Giovanna, não só o ato de estar cantando uma letra, remete a Fiona Apple. Que especial, tudo.

10 – Rico Dalasam – “Estrangeiro” (3)
Olha ele de novo. Este disco do Rico… A gente emplacou um terceiro som dele ali em cima, porque merece. A predileta da semana passada era a radiofônica “Estrangeiro”, uma das favoritas dos fãs e um dos hits do disco. Que se mantém aqui, gloriosa, nas “dez mais”. Mas olha o 11º lugar?

11 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (4)
12 – Jadsa – “Lian” (5)
13 – Djonga – “Eu” (6)
14 – Lupe de Lupe – “Cabo Frio” (7)
15 – LEALL – “Pedro Bala” (8)
16 – Barro e Luísa e os Alquimistas – “De Novo” (9)
17 – Felipe Ret – “F* F* M*” (10)
18 – Jadsa – “Raio de Sol” (11)
19 – BNegão – “Salve 2 (Ribuliço Riddim)” (12)
20 – Vanessa Krongold – “Dois e Dois” (13)
21 – Ale Sater – “Peu” (14)
22 – Jupiter Apple – “AJ1” (15)
23 – Apeles – “Eu Tenho Medo do Silêncio” (16)
24 – Lupe de Lupe – “Goiânia” (17)
25 – Rohmanelli – “Viúvo” (18)
26 – Boogarins -“Far and Safe” (19)
27 – Rincon Sapiência – “Som do Palmeiras” (20)
28 – Monna Brutal – “Neurose” (21)
29 – Luna França – “Terapia” (22)
30 – Yannick Hara – “Antidepressivos” (23)
31 – Ale Sater – “Nós” (24)
32 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (25)
33 – Sessa – “Grandeza” (26)
34 – Artur Ribeiro – “Fragmentação” (27)
35 – Garotas Suecas – “Tudo Bem” (29)
36 – Winter – “Violet Blue” (30)
37 – Pluma – “Mais do Que Eu Sei Falar” (31)
38 – Tagore – “Tatu” (32)
39 – Kill Moves – “Perfect Pitch” (33)
40 – DJ Grace Kelly – “PPK” (34)
41 – Jamés Ventura – “Ser Humano” (35)
42 – Edgar – “Prêmio Nobel” (39)
43 – Jup do Bairro – “O Corre” e “O Corre” (Bixurdia Remix) (40)
44 – BK – “Mudando o Jogo” (41)
45 – Antônio Neves e Ana Frango Elétrico – “Luz Negra” (42)
46 – BaianaSystem e BNegão – “Reza Forte” (43)
47 – Zé Manoel – “Saudade da Saudade” (45)
48 – Gustavo Bertoni e Apeles – “Ricochet” (46)
49 – Kamau – “Nada… De novo” (48)
50 – Letrux – “Dorme Com Essa (Delirei)” (49)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora e guitarrista baiana Jadsa.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Popnotas CENA – A alma da Yma, o festival POC, o zine-arte-virtual do Coquetel Molotov e o Wry ao vivo

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– Hoje, às 20h, a cantora Yma finalmente lança o vídeo para seu mais recente single solitário solito “White Peacock”, lançado no ano passado, mais de um ano depois de seu disco de estreia e a alguns passos de seu próximo álbum, assim esperamos. E que vídeo! Yma (foto na home da Popload) não é necessariamente uma pessoa “retilínea” em sua produção, seja nas músicas, seja nos vídeos. O último trabalho visual dela, pelo que me lembro, ainda que não exatamente para uma música de sua autoria, mostrava a alma dos peixes-palhaços, mortos por anêmonas. As almas que “White Peacock” mostram agora são outras. Da própria Yma. “Aqui. Em casa. Pensando nas cortinas, nas telas, nos relógios girando no mesmo eixo há incontáveis dias. aqui. de dentro da minha sala o mundo está distante. cansada dos movimentos engessados do corpo e da automação do pensamento. quando, de súbito, um som desprende meu corpo. não sei se é um grito ou saxofone. mas estou dançando. Livre”, tenta explicar a bela cantora. Sem mais spoilers, 20h o vídeo estará rolando aqui embaixo.

– A forte noite underground paulista, que não existe mais mas uma hora vai voltar a existir, estará muito bem representada no Festival POC, armado pelo coletivo Bicuda, responsável por muitos agitos na cidade de Campinas, aqui “do lado” de SP. A sigla que sustenta o POC é legal: Projetos Organizacionais Culturais. E a idéia é reunir, nos dias 3, 10 e 17 de abril, três sábados a partir deste próximo, artistas, bandas, coletivos de festas, criativos em geral, empreendedores e influentes que movimentam à noite em toda sua diversidade de acontecimentos. Todo mundo dando valiosos pitacos sobre música, produção de eventos, moda, tudo para criar e fazer renascer bem essa economia criativa para quando o mundo voltar a funcionar. Porque um dia vai. Nomes a participar? Pois não: Bandas Rakta e NoPor, DJs Cashu (Mamba Negra) e Gezender (Sangra Muta), a multiartista CARNEOSSO (Mamba Negra, Teto Preto) e o artista multimídia Alma Negrot, os produtores Thiago Roberto (Dando) e Mafalda (Batekoo), as cantoras Saskia e Potyguara Bardo, entre muitos outros, num total de 40 atrações distribuídas em mesas de debate, oficinas, shows e DJ sets. O evento é obviamente online, gratuito e acontece no site da Bicuda, onde você pode ver a programação completa e se inscrever.

– O veterano grupo sorocabano Wry, ainda nos agitos de seu disco bilíngue lançado no ano passado, o bom “Noites Infinitas”, resolveu mostrar o álbum todo tocado ao vivo, na íntegra. Eles se deslocaram, mascarados (menos o vocalista Mario Bross, também guitarrista), até o famoso estúdio Deaf Haus, em Sorocaba mesmo, para a performance de pouco mais de meia hora. Wry ao vivo é responsa.

– Foi lançada a revista digital do Coquetel Molotov.EXE, como se fosse um zine digital bem construído, do tamanho da importância para a CENA brasileiro do famoso festival indie de Recife. Tem vídeos instalações, muita arte visual, oficinas e, claro, sessions. E ocupa o site do Coquetel Molotov. Uma session de destaque é o encontro de Benke (Boogarins) com Tagore (foto abaixo, Tagore à esq.), que rendeu músicas inéditas. Estão à disposição na revista. Psicodelia goiano-texana vs. Psicodelia pernambucana. O caldo é saboroso, vá à revista conferir. A extensão .EXE do Coquetel Molotov é um projeto criado pela inquieta Ana Garcia para mover seu evento de forma virtual pandêmica. E a revista é uma saudável fuga das lives. Além da parceria de Benke/Tagore, a revista ( traz ainda um vídeo Urias com participação de João Arraes, um filme musical de Vitor Araújo realizado pelo cineasta pernambucano Pedro Maia de Brito e uma performance ao vivo do pernambucano Jáder, entre outras coisas. O conteúdo é rico.

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Top 50 da CENA: E a liderança do ranking é do primeiro grande hino de 2021. Que na real é de 2017. Sabe qual?

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* Um som de 2017 na liderança de um ranking que puxa as novidades da semana (de 2021, no caso)? Talvez essa seja a pergunta que está na sua cabeça neste momento. Está na nossa também, haha. Mas fazer o quê?

Alguém não acredita que “Bum Bum Tam Tam” é a música do ano até aqui? Além do mais, o Top 50 não existia naquela época. Então a gente pode agora dar uma reajeitada na linha do tempo e oferecer um primeiro lugar justo e merecido ao MC Fioti e seu “Melô da Vacina”.

Mas, sim, temos espaço para as novidades costumeiras também no nosso ranking semanal. Mas só algumas. É que o ano ainda segue devagar.

Cadê as músicas novas, pessoal?

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1 – MC Fioti – “Bum Bum Tam Tam” (Estreia)
“Bum Bum Tam Tam” é a trilha sonora da vacina, é questão do ENEM, é o funk brasileiro mais popular no YouTube – 1,5 bilhão de plays. É um som histórico. Leandro Aparecido Ferreira, o MC Fioti, representa exatamente o que é “do it yourself” do funk brasileiro. A voz da música foi gravada no celular. A produção e um sample de Bach foram construídos em seu notebook “cheio de vírus”. Gênio é uma palavra que cabe aqui, ainda que numa concepção nada tradicional.

2 – Letrux – “Dorme Com Essa (Delirei)” (Estreia)
Integrantes da banda da Letrux andam revendo o repertório do álbum “Aos Prantos”, no que deve formar um EP chamado “Aos Prantos Pandêmicos”. Nas mão de Martha V, “Dorme Com Essa” ganhou ares acústicos e vozes adicionais. Outro clima mesmo. Tão bom quanto o original.

3 – MC Carol –  “Levanta Mina” (Estreia)
Reclamar que o funk, ou só o funk, é um gênero machista é uma imprecisão. Todos os outros gêneros musicais do país sofrem do problema. E, no funk, a luta por canções feministas está bem ativa. “Levanta Mina” é um som para levantar, mesmo, a autoestima de todas as minas. Petardado da sempre excelente MC Carol.

4 – Marrakesh – “To Comprehend” (Estreia)
Aqui um som do Marrakesh que já circulou nessa listinha quando saiu em single. É que a banda reuniu três singles do ano passado em um EP, “Knots”, lançado semana passada por selo gringo e que traz duas inéditas – que são bem boas também. Esta “To Comprehend” tem um clima irresistível demais. Dá uma chance, se não conhece ainda.

5 – Marabu – “Capítulo 5: Sereno” (1)
Nosso disco favorito de funk em 2020. Sim, disco. E conceitual. Em um gênero que ama os singles, Marabu chega com o excelente “Fundamento”. Um álbum que passeia por misturas do funk com outros ritmos apresentando diversos pontos de vistas de uma noite pelas quebradas de SP. “Sereno”, por exemplo, se aproveita de uma clave de funk que também está nos terreiros. Por isso que um Ogã puxa a batida.

6 – Criolo – “Fellini” (2)
30 anos de rap não é para qualquer um. E a experiência parece só fazer bem a Criolo. “Fellini” é em parte isso. Uma intersecção interessante de experiência e experimentação. Como em um filme de Fellini, Criolo consegue dar sentido a diversas pontas soltas, narrativas e ideias. Aparentemente, não há um sentido claro na letra. E, ainda que os ouvintes tirem mil conclusões diferentes, todas parecem friamente calculadas pelo compositor. Trabalho nível grande mestre.

7 – Linn da Quebrada – “quem soul eu” (3)
“quem soul eu” é um som conhecido do pessoal que viu a Linn no palco durante os shows de Trava Línguas, sua experimentação no palco ao lado de BadSista que vai dar em álbum neste ano. BadSista escreveu que criar uma versão definitiva de som que mudava cada vez que rolava ao vivo foi um desafio. A gente devolve que esse desafio foi cumprido com sucesso.

8 – Cambriana – “Induction Bread” (Estreia)
Vacilamos em não dar atenção no ano passado ao novo disco da Cambriana, banda esperta de Goiânia. Também eles não ajudaram – soltaram a novidade no final de dezembro. Mas já estamos apaixonados por essa canção cheia de diferentes climas, momentos, ritmos. Ezra Koenig do Vampire Weekend ligou com invejinha.

9 – Kamau – “Pensei” (4)
Por falar em experiência no rap, parece que “Pensei”, do Kamau, é uma boa reflexão sobre seu trabalho. Sempre calculando, refletindo. Na calma e seriedade de quem não transforma a obra em um mero produto, que nasce pronto para ser consumido e esquecido.

10 – IVYSON – “Trilho” (5)
Bem bonito e delicado o trabalho desse jovem compositor de Recife. No caso desta “Trilho”, do EP “Retalhos”, é uma mera canção cotidiana sobre a morte. Mas, delicadíssima, não cita a “maldita” uma vez sequer.

11 – Maglore (feat. Josyara) – “Liberta” (6)
12 – Wry – “Absoluta Incerteza” (7)
13 – Silva e Criolo – “Soprou” (8)
14 – Rico Dalasam e Jup do Bairro – “Reflex” (9)!
15 – YMA – “White Peacock” (10)
16 – Ana Frango Elétrico – “Mulher Homem Bicho” (11)
17 – Edgar – “Também Quero Diversão” (12)
18 – Luedji Luna – “Chororô” (13)
19 – Black Alien – “Chuck Berry” (14)
20 – Vovô Bebê – “Bolha” (15)
21 – Sabotage e MC Hariel – “Monstro Invisível” (16)
22 – The Baggios – “Mantrayam” (17)
23 – Emicida e Gilberto Gil – “É Tudo Pra Ontem” (18)
24 – JP – Essa Mulher Vai Acabar com a Minha Vida (19)
25 – Zé Manoel – “História Antiga” (21)
26 – Liniker – “Psiu” (22)
27 – Ítallo – “O Time da Mooca” (23)
28 – Tuyo – “Sonho da Lay” (24)
29 – Carabobina – “Pra Variar” (26)
30 – Mahal Pita – “Oração ao Pretos-moços” (27)
31 – KL Jay – “Território Inimigo” (29)
32 – Marcelo D2 – “4º AS 20h” (31)
33 – Rohmanelli – “Toneaí” (32)
34 – BK – “Movimento” (33)
35 – Vivian Kuczynski – “Pele” (34)
36 – Boogarins – “Cães do Ódio” (35)
37 – Jup do Bairro – “Luta por Mim” (36)
39 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (37)
40 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (38)
41 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (39)
42 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (41)
43 – Don L – “Kelefeeling” (42)
44 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (43)
45 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (44)
46 – ÀIYÉ – “Pulmão” (45)
47 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (46)
48 – Edgar – “Carro de Boy” (47)
49 – Jhony MC – F.A.B. (48)
50 – Djonga – “Procuro Alguém (16)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora carioca Letrux.
** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Top 50 da CENA: Marabu estreia 2021 no topo. Criolo crava seu nome duas vezes nas “dez mais”. Isso porque o ano está só começando

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* 2021 ainda está devagar. Normal. Com pandemia ou sem pandemia, o começo de ano dos brasileiros, na música, geralmente, sempre é menos apressado que os do gringos, que funcionam diferente nesta época do ano. Coisa do clima, coisas de país com Carnaval – se bem que…

Uma certeza é que está complicado colocar trabalhos novos na rua com todas as dificuldades de tempo, espaço e grana. Considerações iniciais feitas, algumas novidades aparecem na nossa primeira listagem do ano. Algumas já de 2021, outras perdidas do fim de 2020.

Vamos assim, devagar.

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1 – Marabu – “Capítulo 5: Sereno” (Estreia)
Nosso disco favorito de funk em 2020. Sim, disco. E conceitual. Em um gênero que ama os singles, Marabu chega com o excelente “Fundamento”. Um álbum que passeia por misturas do funk com outros ritmos apresentando diversos pontos de vistas de uma noite pelas quebradas de SP. “Sereno”, por exemplo, se aproveita de uma clave de funk que também está nos terreiros. Por isso que um Ogã puxa a batida.

2 – Criolo – “Fellini” (Estreia)
30 anos de rap não é para qualquer um. E a experiência parece só fazer bem a Criolo. “Fellini” é em parte isso. Uma intersecção interessante de experiência e experimentação. Como em um filme de Fellini, Criolo consegue dar sentido a diversas pontas soltas, narrativas e ideias. Aparentemente, não há um sentido claro na letra. E, ainda que os ouvintes tirem mil conclusões diferentes, todas parecem friamente calculadas pelo compositor. Trabalho nível grande mestre.

3 – Linn da Quebrada – “quem soul eu”
“quem soul eu” é um som conhecido do pessoal que viu a Linn no palco durante os shows de Trava Línguas, sua experimentação no palco ao lado de BadSista que vai dar em álbum neste ano. BadSista escreveu que criar uma versão definitiva de som que mudava cada vez que rolava ao vivo foi um desafio. A gente devolve que esse desafio foi cumprido com sucesso.

4 – Kamau – “Pensei” (Estreia)
Por falar em experiência no rap, parece que “Pensei” do Kamau parece ser uma boa reflexão sobre seu trabalho. Sempre calculado, pensando. Na calma e seriedade de quem não transforma a obra em um mero produto que nasce está pronto para ser consumido e esquecido.

5 – IVYSON – “Trilho” (Estreia)
Ainda não pesquisamos muito sobre o IVYSON, nem escutamos o disco todo. Mas é bem bonito e delicado o trabalho desse jovem compositor de Recife. Vamos ouvir esse EP “Retalhos” dele e voltamos com mais detalhes, porque merece.

6 – Maglore (feat. Josyara) – “Liberta” (Estreia)
A Maglore teve uma sacada e tanto. Revistar o baú de canções abandonadas pelo caminho todo mundo faz. A banda quis ir mais longe. Pegou as sobras do seu disco de estúdio mais recente, “Todas as Bandeiras”, e acrescentou participações especiais luxuosas. Essa com o feat. da Josyara levanta a pergunta aqui entre nós: “Quem cortou essa do disco?”

7 – Wry – “Absoluta Incerteza” (Estreia)
Da boa parte em português do álbum “Noites Infinitas” – a parte em inglês é tão boa quanto – se destaca “Absoluta Incerteza”. Não sei se a canção foi escrita antes ou depois da pandemia, mas é bem bom o encaixe de versos como “É louco pensar como vai ser depois, né?”.

8 – Silva e Criolo – “Soprou” (2)
Uma brisa leve. Um som relax onde Silva e Criolo quase que conversam com a música. Um som bom ainda para imaginar que se está indo para a praia neste ano de pouca praia.

9 – Rico Dalasam e Jup do Bairro – “Reflex” (3)
Na revisão de seu primeiro EP, Rico Dalasam abre o espaço onde antes botava uma reflexão sua para que Jup do Bairro mande seu texto. “Existem corpos que nunca viverão o amor de forma horizontal/ Muito cruel, eu sei bem/ Mas talvez esse sentimento criado por vocês/ Não tenha sido para ser vivido em plenitude por todos”. Pá!

10 – YMA – “White Peacock” (4)
Aqui no Top 50 a cena clássica de fim de ano é ver alguém se preparando para o próximo. É o caso da YMA em novo single-maravilha, com direito a sax, lógico, e todo um clima de amadurecimento completo – voz, produção, letra. Vem discão em 2021? Apostamos que sim.

11 – Ana Frango Elétrico – “Mulher Homem Bicho” (5)
12 – Edgar – “Também Quero Diversão” (6)
13 – Luedji Luna – “Chororô” (8)
14 – Black Alien – “Chuck Berry” (9)
15 – Vovô Bebê – “Bolha” (17)
16 – Sabotage e MC Hariel – “Monstro Invisível” (11)
17 – The Baggios – “Mantrayam” (12)
18 – Emicida e Gilberto Gil – “É Tudo Pra Ontem” (13)
19 – JP – Essa Mulher Vai Acabar com a Minha Vida (14)
20 – WillsBife, Don L – “Por Minha Conta” (15)
21 – Zé Manoel – “História Antiga” (19)
22 – Liniker – “Psiu” (22)
23 – Ítallo – “O Time da Mooca” (23)
24 – Tuyo – “Sonho da Lay” (24)
26 – Carabobina – “Pra Variar” (26)
27 – Mahal Pita – “Oração ao Pretos-moços” (27)
28 – Guilherme Held – “Corpo Nós” (28)
29 – KL Jay – “Território Inimigo” (29)
30 – Rodrigo Alarcon – “Na Frente” (30)
31 – Marcelo D2 – “4º AS 20h” (31)
32 – Rohmanelli – “Toneaí” (32)
33 – BK – “Movimento” (33)
34 – Vivian Kuczynski – “Pele” (34)
35 – Boogarins – “Cães do Ódio” (35)
36 – Jup do Bairro – “Luta por Mim” (36)
37 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (37)
38 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (38)
39 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (39)
40 – Letrux – “Vai Brotar” (40)
41 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (41)
42 – Don L – “Kelefeeling” (42)
43 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (43)
44 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (44)
45 – ÀIYÉ – “Pulmão” (45)
46 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (46)
47 – Edgar – “Carro de Boy” (47)
48 – Jhony MC – F.A.B. (48)
49 – Djonga – “Procuro Alguém (16)
50 – Troá! – “Bicho” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o rapper/cantor Criolo.
** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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