Em z carniceria:

Melhor palco da música independente, Z muda a cara com um olho no passado e os dois pés no futuro

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* O Z virou o novo Z. Seguindo sua vocação musical histórica de estar onde a movimentação cultural brasileira está, a casa de shows paulistana trocou de roupa, por dentro e por fora, mexeu em toda sua programação e barateou seus “combustíveis” para se consolidar como uma das sedes da música independente nacional bem ali no coração do fervido Largo da Batata, em São Paulo, também conhecido ironicamente mas nem tão despropositadamente como Potato Valley.

O Z só não teve seu palco mexido, porque não precisava. Eleito pela Folha de S.Paulo o melhor espaço para música ao vivo da cidade e “ímã para conhecer novas bandas”, o lugar, a partir desta quinta dia 1º de novembro, com a estreia da noite “Cena”(ver abaixo), se sente renovado. E já no gás.

Daqui ao final do ano, se você juntar num pôster só tudo o que vai acontecer em seu premiado palco, o Z vai parecer o maior festival indie do mundo.

Garage Fuzz , Guizado, Felipe Cordeiro, Menores Atos , Deep Sea Arcade (Austrália), Water Rats, Edgar, Luiza Lian, Anemone (Canadá),  Duda Beat , Heavy Baile, Winter, Raça,  Autoramas , Lucas Silveira, Mel, Guizado, EATNPTD, ATR , Pin Ups, Mickey Junkies, Glue Trip, MQN, Alexander Biggs (Austrália), Pessoas Estranhas, JP, Jonnata Doll e os Garotos Solventes, Brvnks, Mad Monkees, La Bronze (Canadá), Osorezan (Chile), Valv, Rasha Naras (Palestina), Ema Stoned e NDK são alguns dos muitos nomes que se apresentarão na casa, desta quinta até dezembro. 

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A programação do Z agora é feita por um time renovado e totalmente integrado nas movimentações independentes tanto de São Paulo, em particular, como do Brasil, num alcance geral. Junior Carvalho, Mexicano e a dupla Daianne Dias + Fabrício Nobre (realizadores do festival Bananada, em Goiânia) estão à frente de dar a melhor trilha sonora ao Largo da Batata.

A nova cara do Z tem assinatura de responsa. A cenografia foi feita pelo Studio Curva @studiocurva (que faz os palcos do Coala Festival, por exemplo), com a participação dos artistas visuais Gustavo Amaral @gustavoamaral , Thiago Nevs @thiago.nevs e Grafica Fidalga (@grafica_fidalga).

Todo esse chacoalho visual e de programação foi para ajustar o prumo do Z com sua principal vocação, que é de estar no lugar certo, na hora certa e fazendo a coisa certa, como foi quando era na Augusta e viu nascer a nova MPB, a nova eletrônica, o novo rock, depois assumiu o endereço do mitológico Aeroanta e agora chama a atenção, real-oficial, de um dos mais efervescentes endereços de São Paulo. Respeitando sua história passada e já escrevendo a história futura de muitos.

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Nesta quinta

CENA com Aeromoças e Tenistas Russas e Guizado no Z
Data: 1 de novembro
Horários:
Abertura da casa com DJ – 22h
DJ Set Popload – 22h30
ATR – 0h
Guizado – 01h30

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@zlargodabatata
https://www.facebook.com/zcarniceria/

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#SIMSP dia 2 – Os caras do Sxsw, as rádios e o Bike

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* A São Paulo indie segue chacoalhada com a programação oficial diurna e noturna da Semana Internacional da Música, que tem coração no Centro Cultural SP, mas se espalha por toda a cidade em shows e puxa ainda uma programação não-oficial de apresentações.

Ontem, na parte de palestras, demos uma olhada na que trouxe a galera do megauberhiperfestival indie South by Southwest, do Texas, a mais importante vitrine de música nova do planeta. O nome da mesa era “O SXSW e a porta de entrada para o mercado americano””. Teve Tracy Mann e Stacey Wilhelm, que trabalham para o SXSW, assim como Mark Gartenberg, que além de seu papel no festival de Austin é co-fundador da MG Limited, que trabalha com consultoria musical, e presidente da Adesso, uma boutique administrativa e editora/gravadora. O cara.

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O painel gastou seus primeiros 20 minutos basicamente apresentar o SXSW para quem ainda não conhecia, explicar o formato do festival que é mais uma feira que conecta gente do mundo inteiro, que está buscando, mais do que qualquer outra coisa, novidades de várias esferas, em modelos de negócios, mercado de filmes, atuações publicitárias modernas e diferenciadas e, claro, música.

Wilhelm (foto acima), que cuida basicamente da programação do festival, afirmou que chegam até ela e o pequeno grupo de oito pessoas que montam as edições do Sxsw cerca de 10.000 artistas interessados, e que no fim só 2.000 desses são selecionados. Falaram sobre a dificuldade de deslocamento e gastos que um artista novo selecionado precisa encarar para se deslocar até Austin e passar a semana por lá para se apresentar no festival.

Foi falado na conversa que o Brasil é o quinto país dentro do South by Southwest em representatividade, ficando atrás só de países tipo Alemanha, Inglaterra e Canadá, além dos próprios EUA. Muitos perguntaram “Mas, e aí, como faz para tocar no SXSW?” A resposta dos palestrantes foi que não existe uma fórmula, e que eles estão sempre atrás de coisas novas que supõem sejam interessantes ao público que lota Austin todo ano. E que, para o festival, não importa números de streaming, curtidas em Facebook ou número de followers no insta para um artista ou banda integrar uma edição do Sxsw. Todo mundo tem chance e começa no mesmo patamar.

** “Espaço na Rádio. Qual teu dial ou link?” trouxe à tona, na sequência, uma conversa sobre rádios, com a participação de Meggie Collins (Triple J Austrália), Patricia Palumbo (Rádio Vozes), Roberta Martinelli (Som a Pino, Rádio Eldorado), Patrickor4 (Frei Caneca FM), Paulo Proença (Rádio Inconfidência), Veronica Pessoa (Faro MPB, MPB FM), Julianna Sá (Programa Radar, Roquette-Pinto) e Alberto Benitez (Radio Ibero 90,9, México).

Foi o painel mais “fervido” que vimos, com a sala lotada. Talvez por serem radialistas e adorarem falar, ainda mais sobre música, a discussão com a plateia foi das mais saudáveis e divertidas. Todos os palestrantes falaram um pouco sobre a carreira e sobre os projetos que estão trabalhando, e o fator comum foi levar música de artistas pequenos, independentes, ou da MPB, até o ouvido dos ouvintes mais diversos. E instigar ao máximo que essa música seja dissipada dentro de um país continental que não conhece a música do estado vizinho, mas sabe o que toca fora do país.

A grande e articuladíssima Triple J australiana deixa claro que o que falta no Brasil é investimento do governo em rádios que tenham um pouco mais de, digamos, curadoria, e que permita que novos sons, novas bandas e artistas sejam descobertos. A BBC britânica e a Triple J tem algo em comum: são totalmente financiadas pelo governo, o que possibilita, no feliz caso delas, a liberdade cultural florescer. Não por acaso a Triple J vem crescendo bastante no “gosto comum” na Australia e toca um tipo de música tida como “alternativa”.

A noite ferveu novamente nos shows pela cidade. Conseguimos chegar à Casa do Mancha novamente para ver o paulistano Bike tingir a casinha com cores psicodélicas, na dobradinha com a doçura do Carne Doce goiano em versão acústico-amorosa, dentro do showcase do Festival Bananada. No Z Carniceria, em noite gaúcha lotada, o Wannabe Jalva, o Catavento e o Cartola fizeram o povo cantar letras de forma impressionante.

Abaixo, temos vídeo da música que encerrou o show do Bike no Mancha.

* Na foto da hom, as cores do Wannabe Jalva em show no Z Carniceria ontem, dentro da programação da SIM.

** A cobertura POPLOAD do SIM – SEMANA INTERNACIONAL DA MÚSICA é de Lúcio Ribeiro e Isadora Almeida.

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