Em zopelar:

CENA – O eletrônico é o novo rock. E o ator-cantor Chay Suede mostra isso com “Chora pra Ver como É”, sua primeira música em anos

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* Eles têm o Harry Styles, nós temos Chay Suede. Bastante famoso por sua consolidada carreira de ator global, Chay Suede não desencana da música.

Depois de quatro anos desde seu último projeto, “Aymoréco”, disco de brasilidades feito em parceria com o prolífico produtor e multiinstrumentista Diogo Strausz, Suede ressurge cantando, vai à eletrônica moderna e aparece com o projeto O Sal, que tem produção assinada por Pedro Zopelar, um dos fundadores do coletivo ODD, reconhecida marca de festas na fervida cena noturna paulistana (na era pré-covid).

Nessas, Chay Suede tira o chapéu de galã e reaparece em nova empreitada musical, numa avant-première que entrará aqui na Popload amanhã, apresentando o projeto O Sal e a música “Chora pra Ver como É”.

Afinal, nascido Roobertchay Domingues da Rocha Filho, ele assumiu o sobrenome artístico Suede por causa do filme “Johnny Suede”, de 1991, do “rebelde” que queria ser um astro da música.

Enquanto a música não chega aqui, Chay Suede conversa com a poploader Isadora Almeida sobre a volta à música e os caminhos eletrônicos que o guiam nesta nova fase sonora, depois de enfileirar novelas, filme, casamento e a primeira filha.

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Como surgiu a vontade de fazer esse novo projeto, O Sal?
Chay Suede – Desde o “Aymoréco”, eu e o Diogo [Strausz] seguimos com outros projetos. Eu na carreira de ator, ele se mudou para Paris. A vida seguiu, mas não continuei fazendo música.
Não estou compondo sempre. Precisa estar sempre rolando algo na minha vida, algo para me inspirar. Fiquei todos esses anos, desde 2016 até 2019, sem escrever.
No ano passado aconteceram muitas coisas, algumas repentinas. Me mudei pra São Paulo, tinha comprado uma casa havia um tempo e ela nunca ficava pronta.
Aí eu percebi que precisava parar e realizar certos sonhos, tipo ter uma família. E isso aconteceu. Casei com a Laura [Neiva] no quintal dessa casa nova e três meses depois ela engravidou.
Bom, eu repensei algumas coisas e modos meus que estavam no automático e fui me reconectando comigo. Foi aí que as músicas voltaram.

Qual foi a inspiração inicial de “Chora pra Ver como É”? Sobre o que ela fala?
Suede – Escrevi a música em abril, com versos sem definições. Eu estava lendo o “Livro de Daniel”, da Bíblia. Memória de criança, minha mãe tinha uma Bíblia e ela contava para mim a história de Daniel Aí comecei a traçar uma história do que aconteceu com o Daniel e o que está acontecendo comigo. Nada mais é do que o ponto de vista de Daniel numa conversa com Deus, se colocando num lugar de fidelidade ainda que a diversidade o cerque.


E sobre a produção do Zopelar nesse trabalho?
Suede – Eu não conhecia um produtor em São Paulo para trabalhar nesse projeto. Aí apareceu o nome do Zopelar. Eu precisava de um som que transmitisse uma imagética. Quando o Zopelar me mostrou o EP que ele estava fazendo, era exatamente isso, uma parada imagética, atmosférica. Até aí eu não estava pensando em lançar nada. O Davis [Genuino, sócio do Zopelar e também fundador da ODD] começou a ouvir “Verdadeira Onda”, que eu fiz para a minha filha, e ficou emocionado. Falou que eu precisava colocar isso para as pessoas ouvirem. A agência dele, a Havona, tava começando e o selo [In Their Feelings] também. Isso me inspirou e pensei: vamos colocar na rua.

Pretende subir aos palcos quando for possível?
Suede – Não penso em apresentação. Estou dando um passo de cada vez. Quando gravei, nem pensava que eu ia gravar, nem sabia com quem eu ia gravar. Eu sou um cara que gosta do processo de criação. Foi neste período triste em que a gente está vivendo que voltamos com a ideia de lançar esse projeto. Sem grandes planos. Por isso acho que nem pensei em shows. Vamos lançar o resto do EP e aí vemos como as coisas seguem.

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* Falamos também com Zopelar, produtor do EP de Chay Suede e nome forte da eletrônica moderna brasileira, integrante da banda Teto Preto. Zopelar contou que as referências que vieram como um “norte” para produção do EP.

“As influências desse EP são como um flerte entre as sonoridades clássicas, como “soul” e “funk”, com linguagens mais modernas de música eletrônica, como trap, por exemplo. Sem perder a cara de canção, acredito que essa mistura resulta em algo que vejo como uma nova onda contemporânea da música brasileira, pois consigo enxergar uma forte influência também de música brasileira nessas faixas.”

Indagado sobre bandas da cena alternativa de guitarras flertando bastante com o universo da eletrônica (por exemplo, a banda indie Supervão, do Sul, que cada vez mais traz essas referências para o som deles), Zopelar tem uma explicação direta.

“Eu acho que a eletrônica é o novo rock. Ano passado toquei com minha banda, Teto Preto, no festival Mada, em Natal. Observando da arquibancada os shows do Baço Exu do Blues, Luiza Lian, MC Tha, que dividiram palco com a gente, percebi como as bases eletrônicas dominaram essa noite e arrebataram o público”, falou.

“Essa atitude mais transgressora que o rock apresentou no passado hoje está muito mais inclusa no universo eletrônico. Além disso, a música eletrônica dá a possibilidade de qualquer pessoa fazer um som comum no computador ou com o mínimo de equipamento possível sem precisar de um estúdio. O que fez ser possível para muitos grupos de minorias mostrarem sua inventividade e dominar a cena, como podemos observar hoje em dia. Eu acho isso tudo maravilhoso.”

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* As fotos de Chay Suede usadas para este post são de Wilmore Oliveira.

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DGTL: São Paulo, a cidade mais eletrônica do mundo, recebe outro festival lindo. E artsy. E sem carne envolvida

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* Ok, não é exatamente em São Paaaaaaaaaaaulo. Mas é.

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* Se não bastassem as várias festas montadas por núcleos como Capslock, Mamba Negra, ODD, Selvagem, Babel, Gop Tun etc. e festivais como o excelente Dekmantel, que acaba de passar por aqui, São Paulo recebe agora mais um festival de música eletrônica com line-up bem respeitável e de visual cuidado nos mínimos detalhes.

Nascido na Holanda, mas com cria também em Barcelona, o DGTL fará uma edição paulistana no dia 6 de maio. O lugar: uma fábrica desativada no bairro Jardim Santa Cecília, em Barueri, perto de Alphaville, Castelo Branco e tals, coladinho à cidade.

Entre os nomes que vão tocar nesse festival de corpo e alma industrial-futurista estão rostos bem conhecidos do techno, como Carl Craig e Derrick May, além de gente como o alemão Apparat, a dupla italiana Mind Against, o holandês Speedy J, a ótima Tama Sumo em B2B com Lakuti.

A armada brasileira é de igual respeito. De Zopelar a Gui Scott, Vermelho e outros bons, o DGTL espertamente abraça a eletrônica local de forma bem decente.

Além da música, o DGTL, como é característico das edições de Amsterdã e Barcelona, terá performances e instalações de arte e sua parte de alimentação será toda sem carne.

O primeiro lote de ingressos está à venda. Custa R$ 60 (para estudantes e para quem doar um livro).

O line-up tá na mão:

Âme [DJ]
Apparat
Carl Craig
Carol Mattos
Davis
Derrick May
Eli Iwasa
Gui Scott
Márcio Vermelho
Maurício Lopes
Mind Against
Ney Faustini
Patrice Bäumel
Recondite (live)
Ryan Elliott
Speedy J
Tama Sumo B2B Lakuti
Tati Pimont
Teto Preto (live)
Vril (live)
Zopelar (live)

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Drone Lovers vai ao espaço (atrás do Bowie?)

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* Se você tem entendido a vibe das diversas festas paulistanas que estão dando nova oxigenação à música eletrônica brasileira, de Capslock a Mamba Negra, de ODD a Gop Tun, da música feita ao vivo em uma balada ao melhor mix de house com disco punk, disco funk, disco disco, das guitarras funkeadas ao baixo distorcidamente ritmado, você consegue chegar ao electrogroove especialíssimo do tripo paulistano The Drone Lovers, que lança nesta semana de Carnaval um single espacial.

“Space for All”, música que precede o lançamento do álbum inteiro do Drone Lovers, que sai agora em fevereiro com estampa da Skol Music e tem o dedo produtor de Dudu Marote, vem à reboque do lançamento do EP “Silence”, menos etéreo, mais terreno que este single de agora.

A cantora Érica Alves, o articuladíssimo Davis Genuino e o produtor Pedro Zopelar, em “Space for All”, chegam a ir ao pop, até. Um pop on acid, mas ainda assim…

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