Em zopelar:

Top 50 da CENA – O sangue negro de GIO tem poder. Parte 2 da Tuyo mantém trio no topo. E a Linn da Quebrada segue no pódio

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* Pensando aqui se esta semana tem algum marco temático. Parece que não. A gente já estava de olho no GIO, a gente já ama a Tuyo, o alcance sonoro do Valciãn, a Mary chegou na gente via Mahmundi, outro amor nosso. Bruno Bruni e Terno Rei também são outras obsessões da casa. Sem falar nos outros sons que seguem mais uma semana no nosso top 50. Acho que encontramos um tema: nossa playlist semanalmente atualizada é o nosso amor por essa CENA maravilhosa que é a brasileira. Você ainda não se apaixonou, não?

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1 – GIO – “Sangue Negro” (Estreia)
O novo álbum do baiano GIO, anteriormente conhecido como Giovani Cidreira, é uma ida a sua ancestralidade com a chave do afrofuturismo. A faixa “Sangue Negro”, escrita com o primo Filipe Castro, abre a obra – no YouTube um curta deles mostra as origens da família de GIO e suas histórias. Ao resumir um pouco da ideia do disco, Gio escreveu: “É sobre não esquecer que somos pessoas iluminadas, detentoras de um poder ancestral, de um potencial que o sistema racista, que nos mata todos os dias e nos entrega sobras, descarta e nos faz esquecer, retirando o direito de existir na memória, na musicalidade e nas experiências culturais deste país.” Este álbum vai longe, em vários sentidos.

2 – Tuyo – “Turvo” (Estreia)
Velha conhecida dos fãs, “Turvo” é uma canção que finalmente o trio curitibano resolveu colocar em disco. E a vez dela chegou em “Chegamos Sozinhos em Casa, Vol. 2”. Porém, “Turvo” aparece totalmente descontruída da versão conhecida pelos fãs. Acelerada, mais eletrônica e mais suingada, é de longe das canções mais viciantes do álbum. Esta é para tocar um milhão de vezes por aí.

3 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (1)
Que álbum é esse, Linn Da Quebrada? Ela conseguiu repetir o difícil feito de bater de frente com uma grande estreia e seu segundo disco é uma nova superobra em uma simbiose linda com a parceria/DJ/produtora Badsista. Ao propor uma nova sonoridade, Linn lança o questionamento e provoca “algoritmos, gêneros e rótulos” e também a plateia ao apresentar um lado seu que ainda não observamos.

4 – Mary Olivetti – “Black Coco” (Estreia)
Filha do mestre Lincoln Olivetti, a DJ e produtora Mary resolveu reler uma joia do pai, no caso este hit dos anos 70. Na versão atualizada, os vocais são da maravilhosa Mahmundi, que só chegam aos 2 minutos da música. Deu para entender um pouquinho da brisa que são esses seis minutos de som?

5 – Rodrigo Amarante – “Maré” (2)
Um outro segundo disco solo que honrou o compromisso é esse do Amarante, o recém-lançado “Drama”, tão bom quanto a estreia solo. Belas canções e proposta acertada de cantar outros mundos e amores possíveis – sem medo do drama. Falar de amor é sempre revolucionário.

6 – Valciãn Calixto – “Desmitificando Pombagira” (Estreia)
O piauiense registra aqui sua mistura única de funk, axé, swingueira, capoeira, salsa, candomblé e xote, temperada pela sua capacidade enorme para fazer letras simples e bacanas, diretas. E parte para cima de uma tema urgente no Brasil: desmitificar elementos do candomblé e da umbanda. Não por acaso, seu novo EP que saí em breve vai levar o nome de “Macumbeiro 2.0”. Menino bom.

7 – Tagore – “Capricorniana” (3)
Rapaz, que hit imediato o pernambucano Tagore conseguiu criar aqui. Uma conversa direta com o melhor que a música psicodélica na tradição brasileira já produziu – e pop até umas horas, já que a turma curte papo de signo ou “astrologia de buteco”, segundo o próprio vocalista/compositor/guitarrista Tagore Suassuna – até os haters. Afinal haters gonna hate.

8 – Zopelar – “Jump” (4)
Bem interessante esse espertíssimo trabalho do conhecido DJ e produtor de eletrônica da agitada noite e madrugada paulistana, o Pedro Zopelar, de olhar para o passado da música brasileira a partir das pistas – um dos locais onde a música que o toca respira e vive. E conta história. “Um tributo aos DJs dos Bailes das antigas que foram responsáveis por disseminar a mensagem do Funk e Soul em SP”, ele diz. E, ouvindo, nos sentimos indo a esse passado bonito.

9 – Bruno Bruni – “A Onda” (Estreia)
Indie de alma jazz ou o contrário, Bruno Bruni começa a dar as pistas de seu novo álbum. Se “Broovin”, sua estreia, era o trabalho de um homem só, “Broovin II” traz muitos músicos em cada som. A festiva “A Onda” é só o primeiro indicio do que essa mudança de temperatura traz para a obra do músico.

10 – Terno Rei – “Medo” (Estreia)
Chapamos na estética anos 80/rádio retrô desse som. Ainda que esteja em “Violeta”, álbum do Terno Rei lançado em 2019, a banda lançou só agora um vídeo para ela e fez a gente relembrar o quanto ali está um puta disco. Dali a gente vai por “Yoko”, “São Paulo”, “Dia Lindo”. É esperar a pandemia acabar para ver um show dos caras.

11 – Bonifrate – “Cara de Pano” (5)
12 – Nelson D – “Nossa Flecha (L_cio Remix) (6)
13 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (7)
14 – Criolo – “Fellini” (8)
15 – Bruxas Exorcistas – “Vade Retro Satanás” (9)
16 – Fusage – “Fearless Soul” (10)
17 – Marisa Monte – “Medo do Perigo” (11)
18 – Yannick Hara e Dy Fuchs – “Stalkers e Haters” (12)
19 – Lucas Ranke – “Alucina” (13)
20 – ATR – “Intro’ (14)
21 – Amaro Freitas – “Sankofa” (16)
22 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (17)
23 – Nill – “Singular” (23)
24 – Ana Frango Elétrico – “Promessas e Previsões” (24)
25 – Mineiros da Lua – “Armadilha” (25)
26 – Iara Rennó – “Ava Viva” (26)
27 – Isabel Lenza – “Tudo Que Você Não Vê” (27)
28 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (28)
29 – BNegão feat. Paulão King – “Cérebros Atômicos” (29)
30 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (30)
31 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (31)
32 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (32)
33 – Jonathan Ferr – “Amor” (33)
34 – Jadsa – “Mergulho” (34)
35 – Mulungu – “A Boiar” (35)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (36)
37 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
38 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (38)
39 – Zé Manoel – “Como?” (39)
40 – Yung Buda – “Digimon” (40)
41 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (41)
42 – FEBEM – “Crime” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
47 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, GIO, ex-Giovani Cidreira.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

Top 50 da CENA – Parada desta semana é quase temática, entenda! No topo, temos a Linn Da Quebrada quebrando a banca com seu segundo disco. Amarante e Tagore brilhan no pódio

1 - cenatopo19

* Semana quase temática de lançamentos de segundos discos – sem querer, mas rolou. Linn Da Quebrada, Rodrigo Amarante, Rodrigo Brandão, Fusage. Todos esses artistas se aventuram pela complicada segunda missão de apresentar um conjunto de músicas com começo, meio e fim. Lógico, também trabalhamos com singles e outros papos. O que não muda é qualidade da playlist que dá a temperatura atual da CENA brasileira, invariavelmente quente.

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1 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (27)
Que álbum é esse, Linn Da Quebrada? Ela conseguiu repetir o difícil feito de bater de frente com uma grande estreia e seu segundo disco é uma nova superobra em uma simbiose linda com a parceria/DJ/produtora Badsista. Ao propor uma nova sonoridade, Linn lança o questionamento e provoca “algoritmos, gêneros e rótulos” e também a plateia ao apresentar um lado seu que ainda não observamos.

2 – Rodrigo Amarante – “Maré” (Estreia)
Um outro segundo disco solo que honrou o compromisso é esse do Amarante, o recém-lançado “Drama”, tão bom quanto a estreia solo. Belas canções e proposta acertada de cantar outros mundos e amores possíveis – sem medo do drama. Falar de amor é sempre revolucionário.

3 – Tagore – “Capricorniana” (Estreia)
Rapaz, que hit imediato o pernambucano Tagore conseguiu criar aqui. Uma conversa direta com o melhor que a música psicodélica na tradição brasileira já produziu – e pop até umas horas, já que a turma curte papo de signo ou “astrologia de buteco”, segundo o próprio vocalista/compositor/guitarrista Tagore Suassuna – até os haters. Afinal haters gonna hate.

4 – Zopelar – “Jump” (2)
Bem interessante esse espertíssimo trabalho do conhecido DJ e produtor de eletrônica da agitada noite e madrugada paulistana, o Pedro Zopelar, de olhar para o passado da música brasileira a partir das pistas – um dos locais onde a música que o toca respira e vive. E conta história. “Um tributo aos DJs dos Bailes das antigas que foram responsáveis por disseminar a mensagem do Funk e Soul em SP”, ele diz. E, ouvindo, nos sentimos indo a esse passado bonito.

5 – Bonifrate – “Cara de Pano” (3)
Voltamos a comentar (pela segunda semana) esse som do músico carioca Bonifrate por aqui. Porque, primeiro, a gente curtiu bem; e, segundo, finalmente e recentemente, chegou o seu novo álbum solo, “Corisco”, que celebramos single a single neste mesmo espaço. Discaço.

6 – Nelson D – “Nossa Flecha (L_cio Remix)
Por aqui Nelson D abraça suas raízes brasileiras indígenas e sua posterior cidadania europeia em um som sobre união, empatia e equidade. Vale sempre lembrar, ele nasceu por aqui, mas após ser abandonado em um orfanato foi criado por italianos. Não por acaso, esse retorno ao Brasil nomeia seu álbum, “Em Sua Própria Terra”. A música original é bem boa, mas caiu no nosso gosto meeesmo a segunda versão da canção, um remix de L_cio que ressalta a questão eletrônica na obra de Nelson e sua proposta no futurismo indígena. Música carregada de história. E histórias.

7 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (11)
É sublime a força de Rodrigo de criar de improviso um segundo álbum solo (estamos em uma série de segundas incursões solo, acho que você já percebeu). Por aqui, ele se une a Marshall Allen, líder da Sun Ra Arkestra, com participação de um timaço de músicos nacionais (Tulipa Ruiz e Juçara Marçal, os saxofonistas Thiago França e Thomas Rohrer, o percussionista Paulo Santos, do Uakti, e mais um par de integrantes do Hurtmold, Guilherme Granado e Marcos Gerez), além de três membros da Sun Ra (Knoell Scott, o brasileiro Elson Nascimento, e Danny Ray Thompson). Tudo que está ali no disco é pura improvisação.

8 – Criolo – “Fellini” (4)
A gente já tinha ficado de cara que, em “Fellini”, Criolo usava os recursos narrativos do cineasta italiano para contar uma história múltipla. As mil faces geniais dessa conversa criada pelo rapper cantor ganharam recentemente um supervídeo que novamente dialoga com a obra do famoso diretor de cinema. Era obrigatório que esse som voltasse ao Top 50.

9 – Bruxas Exorcistas – “Vade Retro Satanás” (Estreia)
As bruxas são Virginie Boutaud (Metrô), Érika Martins (Autoramas), Lovefoxxx (Cansei de Ser Sexy) , Apolônia Alexandrina (Anvil FX), Maria Paraguaya (Cigarras, Escambau), Camila Costa e Emilie Ducassé. Esse timaço que se divide pelo mundo se reuniu virtualmente para cantar uma canção composta por Virginie, afim de expressar a revolta de todos com o cenário de terror pelo qual passa o Brasil atualmente. Hora de gritar.

10 – Fusage – “Fearless Soul” (Estreia)
E estamos mesmo em uma semana de segundos álbuns. Os paranenses do Fusage e seu stoner rock também estão de volta após a estreia em 2017. Este é o primeiro single de “Outburst Desert”, elaborada remotamente durante a pandemia. Classe.

11 – Marisa Monte – “Medo do Perigo” (5)
12 – Yannick Hara e Dy Fuchs – “Stalkers e Haters” (6)
13 – Lucas Ranke – “Alucina” (7)
14 – ATR – “Intro’ (8)
15 – Rubel – “O Homem da Injeção II” (9)
16 – Amaro Freitas – “Sankofa” (10)
17 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (12)
18 – 2DE1 – “Emersão” (13)
19 – Marisa Monte – “Totalmente Seu” (14)
20 – Letrux – “I’m Trying to Quit” (15)
21 – Giovanna Moraes – “Rosalía” (16)
22 – Taco de Golfe – “Tratados de Obrigação” (17)
23 – Nill – “Singular” (18)
24 – Ana Frango Elétrico – “Promessas e Previsões” (19)
25 – Mineiros da Lua – “Armadilha” (20)
26 – Iara Rennó – “Ava Viva” (21)
27 – Isabel Lenza – “Tudo Que Você Não Vê” (23)
28 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (24)
29 – BNegão feat. Paulão King – “Cérebros Atômicos” (29)
30 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (30)
31 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (31)
32 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (32)
33 – Jonathan Ferr – “Amor” (33)
34 – Jadsa – “Mergulho” (34)
35 – Mulungu – “A Boiar” (35)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (36)
37 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
38 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (38)
39 – Zé Manoel – “Como?” (39)
40 – Yung Buda – “Digimon” (40)
41 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (41)
42 – FEBEM – “Crime” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
47 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora e atriz Linn Da Quebrada.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

Top 50 da CENA – Amarante traz seu “Tango” para a liderança do ranking. Zopelar eletroniza nossa história. Bonifrate não larga do topo

1 - cenatopo19

* Tem um clássico da produção do nosso Top 50 da CENA em trocas de mensagem: “Achei que a semana está fraca de lançamentos” seguido de um “Peraí, vou olhar direito”. E invariavelmente a gente cai no meio de muita coisa boa. Nesta semana, em que estavávamos considerando umas três ou quatro músicas de destaque, alcançamos nove verdadeiros achados. Mais um prova do nosso mantra aqui: a CENA brasileira é talentosa. E nós, às vezes, nem tanto.

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1 – Rodrigo Amarante – “Tango” (Estreia)
Uau. Agora só aumenta a expectativa pelo segundo disco solo do Rodrigo Amarante que saí nesta sexta, dia 16. Em “Tango”, a letra usa as instruções da dança para descrever um relacionamento onde existe confiança e parceria. Musicalmente aponta para uma leveza e alegria que lembra as faixas mais bem-humoradas de Amarante tanto nos Los Hermanos quanto no Little Joy. Não é um passo nostálgico, longe disso, ainda que leve a gente novamente para alguns verões de carnavais possíveis. Ouvimos outras do disco, tão boas quanto, adiantamos. Mas não vamos atropelar os processos e vamos com esta primeirona do Top aqui, por ora.

2 – Zopelar – “Jump” (Estreia)
Bem interessante esse espertíssimo trabalho do conhecido DJ e produtor de eletrônica da agitada noite e madrugada paulistana, o Pedro Zopelar, de olhar para o passado da música brasileira a partir das pistas – um dos locais onde a música que o toca respira e vive. E conta história. “Um tributo aos DJs dos Bailes das antigas que foram responsáveis por disseminar a mensagem do Funk e Soul em SP”, ele diz. E, ouvindo, nos sentimos indo a esse passado bonito.

3 – Bonifrate – “Cara de Pano” (13)
Voltamos a levantar esse som do músico carioca Bonifrate por aqui porque, primeiro, a gente curtiu bem e, segundo, finalmente chegou o seu novo álbum solo, “Corisco”, que celebramos single a single neste mesmo espaço. Discaço.

4 – Criolo – “Fellini” (Re-Estreia)
A gente já tinha ficado de cara que, em “Fellini”, Criolo usava os recursos narrativos do cineasta italiano para contar uma história múltipla. As mil faces geniais dessa conversa criada pelo rapper cantor agora ganharam um supervídeo que novamente dialoga com a obra do famoso diretor de cinema. Era obrigatório que esse som voltasse ao Top 50.

5 – Marisa Monte – “Medo do Perigo” (Estreia)
Mais uma da Marisa, especialmente por conta de uma reflexão rápida. A gente já elogiou ela por aqui, hora de reverenciar um de seus parceiros no disco. Se destacam na obra as faixas dela com Chico Brown, filho de Carlinhos, neto de Chico Buarque, um sobrinho de João Gilberto. É com Chico os melhores momentos de Marisa no álbum “Portas”. “Medo do Perigo”, por exemplo, revela que ele está cumprindo a promessa de juntar as peças do quebra-cabeça deixado por João.

6 – Yannick Hara e Dy Fuchs – “Stalkers e Haters” (Estreia)
Duas pragas da vida digital são o alvo em mais um trabalho quase cyberpunk do rapper oriental-paulistano Yannick. Se a estrutura musical não fosse tão eletrônica poderia ser fácil uma letra do Ratos de Porão, saca?

7 – Lucas Ranke – “Alucina” (Estreia)
Ranke, uma referência do rock gaúcho, reuniu outras referências do rock gaúcho para uma série de compactos que celebram sensações. O primeiro tema é a mente, e daí que o título “Alucina” é bem apropriado. A banda desta faixa reúne Marcelo Gross (Cachorro Grande), Giovanni Caruso (Faichecleres, Escambau), Eduardo Dolzan (Identidade, Júpiter Maçã, Wander Wildner) e Tuba Caruso (Faichecleres)

8 – ATR – “Intro’ (Estreia)
Aqui a gente não fala exatamente de uma música só, por isso optamos pela introdução de uma ideia incrível que o ART teve. A banda paulista resolveu criar sua própria trilha sonora para “Encouraçado Potemkin”, clássico do Eisenstein. E, melhor, não é preciso muito esforço para ver o filme com a nova trilha, porque está tudo disponível no YouTube da banda.

9 – Rubel – “O Homem da Injeção II” (Estreia)
Rubel lançou aqui um samba politizado sobre a vacina – onde uma revolta contra o pancrácio que rege o país deixa apenas o “rei” vestido. E em estúdio conseguiu reunir um dos times mais brilhantes de música brasileiros. Pega só: tem Arthur Verocai no arranjo de cordas, Antonio Neves nos arranjo de metais e uma banda com Esguleba e Jaguara na percussão, Mauro Diniz no cavaquinho, Carlinhos 7 Cordas no violão, Teo Lima na bateria e Jorge Helder no baixo. Caramba!

10 – Amaro Freitas – “Sankofa” (1)
Amaro Freitas, pianista de Recife escreveu bastante e bem sobre sua proposta no álbum “Sankofa” e a gente pirou na ideia: “Trabalhei para tentar entender meus ancestrais, meu lugar, minha história, como homem negro. O Brasil não nos disse a verdade sobre o Brasil”. A expressão “sankofa” é justamente sobre esse tipo de processo, visitar o passado para possibilitar novas compreensões e futuros. Uma busca, que como revela Amaro, apresenta as inconsistências do que temos em nossas mãos atualmente. Muita coisa foi contada errado, muita coisa foi apagada e isso é um dos motivos de termos problemas de imaginar futuros novos. Sem dúvida, um mundo trilhado por esse álbum de Amaro não dá chance para fascistas, por exemplo. Essa é a energia aqui.

11 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (2)
12 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (3)
13 – 2DE1 – “Emersão” (4)
14 – Marisa Monte – “Totalmente Seu” (5)
15 – Letrux – “I’m Trying to Quit” (6)
16 – Giovanna Moraes – “Rosalía” (7)
17 – Taco de Golfe – “Tratados de Obrigação” (8)
18 – Nill – “Singular” (9)
19 – Ana Frango Elétrico – “Promessas e Previsões” (10)
20 – Mineiros da Lua – “Armadilha” (11)
21 – Iara Rennóo – “Ava Viva” (12)
22 – Mallu Magalhães – “Pé de Elefante” (18)
23 – Isabel Lenza – “Tudo Que Você Não Vê” (14)
24 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (15)
25 – Nelson D – “Algo Em Processo” (16)
26 – Ella from the Sea – “Lonely” (17)
27 – Linn da Quebrada – “I Míssil” (18)
28 – GIO – “Joias” (19)
29 – BNegão feat. Paulão King – “Cérebros Atômicos” (20)
30 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (25)
31 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (26)
32 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (27)
33 – Jonathan Ferr – “Amor” (33)
34 – Jadsa – “Mergulho” (34)
35 – Mulungu – “A Boiar” (35)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (36)
37 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
38 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (38)
39 – Zé Manoel – “Como?” (39)
40 – Yung Buda – “Digimon” (40)
41 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (41)
42 – FEBEM – “Crime” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
47 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o músico Rodrigo Amarante.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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CENA – O eletrônico é o novo rock. E o ator-cantor Chay Suede mostra isso com “Chora pra Ver como É”, sua primeira música em anos

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* Eles têm o Harry Styles, nós temos Chay Suede. Bastante famoso por sua consolidada carreira de ator global, Chay Suede não desencana da música.

Depois de quatro anos desde seu último projeto, “Aymoréco”, disco de brasilidades feito em parceria com o prolífico produtor e multiinstrumentista Diogo Strausz, Suede ressurge cantando, vai à eletrônica moderna e aparece com o projeto O Sal, que tem produção assinada por Pedro Zopelar, um dos fundadores do coletivo ODD, reconhecida marca de festas na fervida cena noturna paulistana (na era pré-covid).

Nessas, Chay Suede tira o chapéu de galã e reaparece em nova empreitada musical, numa avant-première que entrará aqui na Popload amanhã, apresentando o projeto O Sal e a música “Chora pra Ver como É”.

Afinal, nascido Roobertchay Domingues da Rocha Filho, ele assumiu o sobrenome artístico Suede por causa do filme “Johnny Suede”, de 1991, do “rebelde” que queria ser um astro da música.

Enquanto a música não chega aqui, Chay Suede conversa com a poploader Isadora Almeida sobre a volta à música e os caminhos eletrônicos que o guiam nesta nova fase sonora, depois de enfileirar novelas, filme, casamento e a primeira filha.

***

Como surgiu a vontade de fazer esse novo projeto, O Sal?
Chay Suede – Desde o “Aymoréco”, eu e o Diogo [Strausz] seguimos com outros projetos. Eu na carreira de ator, ele se mudou para Paris. A vida seguiu, mas não continuei fazendo música.
Não estou compondo sempre. Precisa estar sempre rolando algo na minha vida, algo para me inspirar. Fiquei todos esses anos, desde 2016 até 2019, sem escrever.
No ano passado aconteceram muitas coisas, algumas repentinas. Me mudei pra São Paulo, tinha comprado uma casa havia um tempo e ela nunca ficava pronta.
Aí eu percebi que precisava parar e realizar certos sonhos, tipo ter uma família. E isso aconteceu. Casei com a Laura [Neiva] no quintal dessa casa nova e três meses depois ela engravidou.
Bom, eu repensei algumas coisas e modos meus que estavam no automático e fui me reconectando comigo. Foi aí que as músicas voltaram.

Qual foi a inspiração inicial de “Chora pra Ver como É”? Sobre o que ela fala?
Suede – Escrevi a música em abril, com versos sem definições. Eu estava lendo o “Livro de Daniel”, da Bíblia. Memória de criança, minha mãe tinha uma Bíblia e ela contava para mim a história de Daniel Aí comecei a traçar uma história do que aconteceu com o Daniel e o que está acontecendo comigo. Nada mais é do que o ponto de vista de Daniel numa conversa com Deus, se colocando num lugar de fidelidade ainda que a diversidade o cerque.


E sobre a produção do Zopelar nesse trabalho?
Suede – Eu não conhecia um produtor em São Paulo para trabalhar nesse projeto. Aí apareceu o nome do Zopelar. Eu precisava de um som que transmitisse uma imagética. Quando o Zopelar me mostrou o EP que ele estava fazendo, era exatamente isso, uma parada imagética, atmosférica. Até aí eu não estava pensando em lançar nada. O Davis [Genuino, sócio do Zopelar e também fundador da ODD] começou a ouvir “Verdadeira Onda”, que eu fiz para a minha filha, e ficou emocionado. Falou que eu precisava colocar isso para as pessoas ouvirem. A agência dele, a Havona, tava começando e o selo [In Their Feelings] também. Isso me inspirou e pensei: vamos colocar na rua.

Pretende subir aos palcos quando for possível?
Suede – Não penso em apresentação. Estou dando um passo de cada vez. Quando gravei, nem pensava que eu ia gravar, nem sabia com quem eu ia gravar. Eu sou um cara que gosta do processo de criação. Foi neste período triste em que a gente está vivendo que voltamos com a ideia de lançar esse projeto. Sem grandes planos. Por isso acho que nem pensei em shows. Vamos lançar o resto do EP e aí vemos como as coisas seguem.

***

2 - CAPA_CHORA PRA VER COMO E_O SAL

***

* Falamos também com Zopelar, produtor do EP de Chay Suede e nome forte da eletrônica moderna brasileira, integrante da banda Teto Preto. Zopelar contou que as referências que vieram como um “norte” para produção do EP.

“As influências desse EP são como um flerte entre as sonoridades clássicas, como “soul” e “funk”, com linguagens mais modernas de música eletrônica, como trap, por exemplo. Sem perder a cara de canção, acredito que essa mistura resulta em algo que vejo como uma nova onda contemporânea da música brasileira, pois consigo enxergar uma forte influência também de música brasileira nessas faixas.”

Indagado sobre bandas da cena alternativa de guitarras flertando bastante com o universo da eletrônica (por exemplo, a banda indie Supervão, do Sul, que cada vez mais traz essas referências para o som deles), Zopelar tem uma explicação direta.

“Eu acho que a eletrônica é o novo rock. Ano passado toquei com minha banda, Teto Preto, no festival Mada, em Natal. Observando da arquibancada os shows do Baço Exu do Blues, Luiza Lian, MC Tha, que dividiram palco com a gente, percebi como as bases eletrônicas dominaram essa noite e arrebataram o público”, falou.

“Essa atitude mais transgressora que o rock apresentou no passado hoje está muito mais inclusa no universo eletrônico. Além disso, a música eletrônica dá a possibilidade de qualquer pessoa fazer um som comum no computador ou com o mínimo de equipamento possível sem precisar de um estúdio. O que fez ser possível para muitos grupos de minorias mostrarem sua inventividade e dominar a cena, como podemos observar hoje em dia. Eu acho isso tudo maravilhoso.”

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* As fotos de Chay Suede usadas para este post são de Wilmore Oliveira.

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DGTL: São Paulo, a cidade mais eletrônica do mundo, recebe outro festival lindo. E artsy. E sem carne envolvida

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* Ok, não é exatamente em São Paaaaaaaaaaaulo. Mas é.

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* Se não bastassem as várias festas montadas por núcleos como Capslock, Mamba Negra, ODD, Selvagem, Babel, Gop Tun etc. e festivais como o excelente Dekmantel, que acaba de passar por aqui, São Paulo recebe agora mais um festival de música eletrônica com line-up bem respeitável e de visual cuidado nos mínimos detalhes.

Nascido na Holanda, mas com cria também em Barcelona, o DGTL fará uma edição paulistana no dia 6 de maio. O lugar: uma fábrica desativada no bairro Jardim Santa Cecília, em Barueri, perto de Alphaville, Castelo Branco e tals, coladinho à cidade.

Entre os nomes que vão tocar nesse festival de corpo e alma industrial-futurista estão rostos bem conhecidos do techno, como Carl Craig e Derrick May, além de gente como o alemão Apparat, a dupla italiana Mind Against, o holandês Speedy J, a ótima Tama Sumo em B2B com Lakuti.

A armada brasileira é de igual respeito. De Zopelar a Gui Scott, Vermelho e outros bons, o DGTL espertamente abraça a eletrônica local de forma bem decente.

Além da música, o DGTL, como é característico das edições de Amsterdã e Barcelona, terá performances e instalações de arte e sua parte de alimentação será toda sem carne.

O primeiro lote de ingressos está à venda. Custa R$ 60 (para estudantes e para quem doar um livro).

O line-up tá na mão:

Âme [DJ]
Apparat
Carl Craig
Carol Mattos
Davis
Derrick May
Eli Iwasa
Gui Scott
Márcio Vermelho
Maurício Lopes
Mind Against
Ney Faustini
Patrice Bäumel
Recondite (live)
Ryan Elliott
Speedy J
Tama Sumo B2B Lakuti
Tati Pimont
Teto Preto (live)
Vril (live)
Zopelar (live)

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