Top 10 Gringo – girl in red roqueira vai para as cabeças. Jorja Smith dolorida cola no topo. E o Black Keys fecha a trinca com uma novinha dos anos 20

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* A gente é meio tradicional das ideias às vezes, gostamos de álbum. Daí a estranheza de uma semana onde nenhum álbum nos impactou. Por isso, o Top 10 desta vez está com muitos singles – que prometem, já que é para botar sob essa perspectiva, grandes álbuns para logo mais. Ou grandes EPs, vá lá. Tudo bem, tem material do disco de releituras do Paul McCartney – que saiu talvez até melhor que o “McCartney III” original, na nossa modesta opinião. Mas, em single ou em disco, a gente garante uma boa seleção semanal. E, principalmente, uma boa e significativa playlist para o momento.

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1 – girl in red – “You Stupid Beach”
E seguimos amando o som da norueguesa Marie Ulven, a garota de vermelho. “if i could make it go quiet”, seu álbum de estreia agendando para o próximo dia 30, apresenta mais um single nota 10. “You Stupid Beach”, assim como o último single, a ótima “Serotonin”, vem no embalo indie-rock que parece até som inglês. Longe de ser melosa, lamuriosa. Traz o gás que parece ser a real de girl in red, para além do que projetam em sua música “de menininha”, principalmente pelo séquito especial de fãs que a perseguem. Jogando isso tudo para o alto, “You Stupid Bitch” vai ao rock “puro” mais do que costuma ir Lorde e Billie Eilish, a quem com certa razão gostam de associar sua existência.

2 – Jorja Smith – “Gone”
Saudade do sotaque britânico da Jorja. Aqui ela se derrete em uma música dolorida de perda. Aquele fim de relacionamento que deixa a pessoa sem chão, sabe? Mas tudo isso naquele flow dela que quase chega ao rap, mas ainda é muito cantado, muito interessante, novo e fresco. O que nos empolga é que este é só o segundo single de um EP que ela está preparando para maio.

3 – Black Keys – “Crawling Kingsnake”
“Crawling Kingsnake” é daqueles blues que datam dos anos 20 e que a primeira gravação conhecida é dos anos 40. É nesse pique de ir atrás de relíquias que o Black Keys prepara um disco de covers. Mas tudo tocado daquele jeitão deles, que quem não manja pode até confundir com inédita. E tudo bem também.

4 – Jarv Is… – “Swanky Modes” (Dennis Bovell Remix)
O dândi Jarvis Coker tem esse projeto dele chamado Jarv Is…. Com ele lançou um álbum, “Beyond the Pale”. “Swanky Modes”, um dos sons deste disco, reapareceu em single com três versões: um remix do pioneiro do reggae Dennis Bovell e mais duas encharcadas em dub. Dennis deu um show aqui com seu leve toque que tira a coisa mais reta e caretinha da versão original. Uma provocação leve que dá um outro sabor a música.

5 – Liz Phair – “Spanish Doors”
Sem lançar um álbum novo há 11 anos, a veterana cantora e multiinstrumentista Liz Phair mostra que manteve o fôlego. Em um caldo que mistura, segundo a própria, The Specials, Madness, R.E.M., Yazoo, the Psychedelic Furs, Talking Heads, Velvet Underground, Laurie Anderson e The Cars, temos um bom saldo de seus dias de roqueira e de dias mais pop. Lá atrás Liz ajudou a formar esse rock feminino de posicionamento. Depois observou tudo o que veio. E agora ainda quer dizer, e bem, uma coisa e outra sobre isso.

6 – Chvrches – “He Said She Said”
Os escoceses do Chvrches estão de volta com a primeira inédita desde 2018. “He Said She Said” mantém os parâmetros iniciais da banda quando surgiu, a começar pela voz inconfundível da vocalista Lauren Mayberry. Em outras palavras, um indie feito para as pistas de dança. Aliás, é escutar a música e já imaginar um remix que dê uma acelerada ali ou torne a canção ainda mais chiclete, ainda que o assunto, aqui, seja misoginia daquelas bem pesadas.

7 – Rina Sawayama – “Chosen Family”
Rina encontrou um par perfeito em Elton John para esta letra sobre a família que construímos pela vida em encontros que não são de sangue, mas de algo ainda mais profundo – uma experiência que Elton tem. Além de emprestar sua voz com conhecimento de causa, o veterano Sir britânico ainda adiciona seu piano na música, dando um brilho extra e clássico onde na versão original tínhamos um instrumental mais sintético, digamos. Fino.

8 – Bomba Estéreo – “Deja”
A conhecidíssima e sempre bacana banda colombiana Bomba Estéreo, na real um duo formado por Li Saumet e Simon Mejia que é inchado quando a dupla sai em suas bombásticas turnês dance estereofônicas, está preparando sua volta e soltaram mais um single do álbum que vem por aí. “Deja”, a faixa-título, é um estouro daqueles. Sabe quando os graves tremem? Pois é.

9 – Paul McCartney – “When Winter Comes (Anderson .Paak Remix)”
A versão original da música é um típico McCartney ao violão em uma história do campo. Anderson .Paak chega no rolê com piano e bateria, joga o refrão para o começo da música e está lá: é outra canção quase. E tão boa quanto – sim, acho que comentamos isso em outras versões desse disco de releituras do “McCartney III” aqui, mas é a realidade. Será que o Paul topa dar seus outros discos para o mesmo experimento? É uma ideia. Lembra de creditar a gente, Sir Paul.

10 – White Stripes – “Fell In Love With A Girl (Alternate Take)”
O White Stripes celebra os 20 anos de “White Blood Cells”, seu terceiro disco, e solta um take alternativo da música que colocou eles no mundo – se bem que alguns anos depois outra música ia colocar eles no universo, mas essa é outra história. Uma delícia ver a dupla ainda tateando o clássico, deixando brechas nos versos, passagens instrumentais em dúvida. É como ver um hit no berço ainda. Esta versão ainda não está nos streamings, só no Youtube. Enquanto não chega, vamos com a original na playlist. Depois trocamos.

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* A imagem que ilustra este post é da cantora norueguesa girl in red.
** Repare na playlist. A gente inclui as 10 mais da semana, ou quase isso, mas sempre deixa todas as músicas das semanas anteriores. Pensa no panorama que isso vai dar conforme o ano for seguindo…
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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