Top 50 da CENA – Bebé, 17, vai ao topo do Top. Nelson D e Marina Sena, cada qual com sua geografia, completam o pódio

1 - cenatopo19

* Corpo, religião, imaginação, várias coisas que estão por aí são território de liberdade. Ou eram para ser, já que muitos usam sua potência para construir prisões. Nesta semana, reparamos que várias músicas pedem, a seu modo, liberdade.
“Me Toca” é um convite à liberdade do corpo, do prazer. “Ogunté” é um elogio à liberdade da espiritualidade que respeita as outras espiritualidades.
Nelson D em “Toy Boy” apresenta uma música que deixa o ouvinte livre para se permitir, imaginar, passear em sua criação.

Isso para ficar em três exemplos. Quando a gente repara em Bebé, por exemplo, vê que ela se liberta como criadora e compositora em seu primeiro álbum. Sebastianismos desabafa sobre a prisão de se medir pelo outros. E assim vai. A gente, que existe para defender a CENA por aqui, acha que este é um capítulo para sublimar a música brasileira que canta sobre temas muito relevantes com letras boas e musicalidade bonita de tão diversificada, plural, global. Chega na playlist, que ilustramos lindo todo esse papo, como sempre.

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1 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (Estreia)
Com larga experiência musical em apenas 17 anos de idade, Bebé Salvego apresenta em sua estreia em álbum uma originalidade e criatividade impressionantes. Entre as melhores músicas do disco, se destaca esta que ela escreveu, tocou e produziu praticamente sozinha, muito por incentivo dos seus produtores, entre eles Sérgio Machado, um dos melhores bateristas da CENA e que um dos trabalhos do álbum foi transformar Bebé em compositora. Veio dele o desafio de que ela fizesse um som sozinha de tudo. Olha, capaz que Bebé aposente todos os produtores no álbum seguinte. Brincadeira à parte, a mina de Piracicaba arrebenta.

2 – Nelson D – “Toy Boy”
O artista electroindígena Nelson D vai muito bem em seu segundo álbum, “Anga” (“Alma”, em nheengatú). Em “Toy Boy”, por exemplo, ele mostra todo seu conhecimento de música eletrônica e desenvolve uma longa e hipnotizante faixa. Como ele gosta de dizer: “A parte instrumental de muitas das minhas músicas são uma tentativa de criar uma trilha musical para essa geografia pessoal”. E aqui impressiona que ele deixe um território tão livre para a nossa imaginação flutuar.

3 – Marina Sena – “Me Toca” (Estreia)
Por algum vacilo a gente já nao botou esta “Me Toca” aqui, em altos lugares. Mas ficamos vendo de longe esse hit da mineira Marina Sena, ex-Rosa Neon, abrir os caminhos para sua empolgante estreia solo, o disco “De Primeira”. De primeira, são vários potencias hits ali. Mas aproveitamos para fazer justiça ao primeiro enquanto já vemos alguns outros destaques surgindo (“Voltei Pra Mim” e “Pelejei” são superacertos e já estão cavando seus lugares no nosso ranking semanal).

4 – Majur – Ogunté (Estreia)
Nesta bonita música com participação de Luedji Luna, a também baiana Majur homenageia Ogunté, “que é o nome da minha Iemanjá”, ela explica. Uma canção que fala sobre acreditar em algo que te potencialize, te dê segurança e força. Majur comenta que a mensagem vale para qualquer expressão de espiritualidade – uma mensagem para tempos de tanta intolerância religiosa.

5 – Fresno – “12 Words 30000 Stones” (Estreia)
A Fresno está de projeto secreto. Aos poucos lança uma série de músicas sob o selo Inventário – o que isso significa ninguém sabe ainda. Tem gente até especulando que é um ensaio para o fim da banda – uma teoria exagerada a nosso ver. A primeira música da série tem participação de Cheadiak, Arthur Mutanen e Adieu e usa versos que Lucas Silveira tinha postado em versão demo no seu Instagram há meses. A segunda aproveita uma conhecida música da Fresno com participação de outros músicos, uma ideia meio remix – dando a entender que o projeto poderia ser uma junção de inéditas, remixes, sobras, que não vão se encaixar em um álbum tradicional da banda. Será que é isso?

6 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (1)
Quem tá ligado no mundo da moda já conhece as gêmeas paulistanas Tasha e Tracie há um tempo. Elas ficaram famosas pelo blog “Expensive Shit”, onde ensinavam a se vestir bem sem gastar muita grana. No blog, elas também davam seu show de conhecimento com uma pesquisa sobre arte, cultura e som. Elas não rimavam quando apareceram pela primeira vez, mas eram do rap. Foi um toque do mestre racional Kl Jay que acertou esse detalhe. Ele as alertou que na cultura hip hop todos podem fazer a arte que quiserem. E elas resolverem investir nas rimas. E que belo investimento. Seu primeiro álbum, o recém-lançado “Diretoria”, é arrasador. E, no pique, são 22 minutos de ideia boa atrás de ideia boa. “Igual nós vocês quer viver/ Mas igual nós ‘cês não quer morrer”, “Nasci com a boca que elas compra”, “Pra ter o que você tem só precisa de um paicpague/ Pra fazer como eu faço; muita vivência de base”. São só alguns exemplos das boas linhas. A gente escolheu “Lui Lui” aqui no ranking, mas poderia ser qualquer um dos outros sons.

7 – Papangu – “Ave-Bala” (2)
Muito interessante o som metaleiro e progressivo dessa banda de João Pessoa, Paraíba. A gente que nem é tão versada nesse ramo sabe pelo menos reconhecer algo muito bem-feito – e tem um rolê conceitual muito bem construído ali, com referências à literatura brasileira, ao imaginário nordestino e ainda carrega um papo político sobre relações sociais e com a natureza que corre por fora da narrativa mais explícita da banda. Preste atenção nesses caras.

8 – Sebastianismos – “Se Nem Deus Agrada Todo Mundo Muito Menos Eu” (Estreia)
Neste desabafo, o “hombre” Sebastianismos se reúne com sua parceira de crime, um jeito romântico de falar da companheira Malfeitona, superartista e pior tatuadora do mundo. Rock desabafo é tendência.

9 – Giovanna Moraes – “Maluco Beleza” (Estreia)
Na difícil missão de encarar a obra de Raul Seixas não sendo o Raul, a multitarefas Giovanna Moraes e sua espertíssima banda dão conta de dar uma subvertida nos arranjos, tanto instrumental quanto vocal. Dá nuances novas e interessantes a um cara que foi papo-reto.

10 – Autoramas + Dead Fish – “Sem Tempo” (Estreia)
Mais uma parceria de Gabriel Thomaz e Rodrigo Lima do Dead Fish nos vocais. Desta vez a composição também é da dupla, que coloca o tempo em uma discussão com o próprio tempo – um debate daqueles em ritmo de hardcore.

11 – Isabel Lenza – “Eu Sou o Meu Lugar” (3)
12 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (4)
13 – Jade Baraldo – “Não Ama Nada” (5)
14 – Cadu Tenório – “Psycho Zaku” (6)
15 – 1LUM3 – “Lovecrime” (7)
16 – Letrux – “Isso Aqui É um Campo Minado” (8)
17 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (11)
18 – GIO – “Sangue Negro” (14)
19 – Tuyo – “Turvo” (15)
20 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (16)
21 – Priscilla Alcântara – “Tem Dias” (17)
22 – Macaco Bong – “Hacker de Sol” (18)
19 – Rodrigo Amarante – “Maré” (19)
20 – Tagore – “Capricorniana” (20)
21 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (21)
22 – Criolo – “Fellini” (22)
23 – Amaro Freitas – “Sankofa” (23)
24 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (22)
25 – Nill – “Singular” (23)
27 – Iara Rennó – “Ava Viva” (26)
28 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (28)
30 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (30)
31 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (31)
33 – Jonathan Ferr – “Amor” (33)
34 – Jadsa – “Mergulho” (34)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (36)
37 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
38 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (38)
40 – Yung Buda – “Digimon” (40)
41 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (41)
42 – FEBEM – “Crime” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
47 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a Bebé.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.