Top 50 da CENA – Coruja BC1 e Thiago França apontam ao futuro incerto. Eliminadorzinho resgata o passado certeiro. E assim vamos

1 - cenatopo19

* Que futuro você quer? É curioso que no nosso pódio os dois primeiros lugares discutam cada um a seu modo o mesmo assunto. O rapper Coruja comenta a tragédia de um futuro imaginado por hipócritas, coisa que virou realidade no Brasil. Thiago França, também de seu jeito, sem palavras, imagina um futuro já sonhado retornando. Interessante a conexão. E o futuro pode e está nas mãos de artistas novos, como Eliminadorzinho, Tainá e Pluma, que completam o time de novidades da semana.

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1 – Coruja BC1 – “Brasil Futurista” (Estreia)
Uma das coisas mais interessantes do novo álbum do Coruja BC1 é que ele investiu em formatos diferentes para suas canções. Em muitas músicas, fica o destaque para estrofes mais curtas, com pique de refrão, e um forte investimento em refrões, pré-refrões, que deixam o álbum na mente de cara. Tudo isso sem enfraquecer a ideia, lógico. Não é porque tem menos texto que tem menos texto, sacou? E isso rola na potente “Brasil Futurista”. “O seu Brasil futurista/ Vive na idade média/ Fazendo média com comédia.”

2 – Thiago França – “O Futuro um Dia Volta” (Estreia)
E, por falar em futuro, em seu disco solo de experimentações na pandemia, gravado em casa, Thiago França coleta ideias e nessa bela instrumental anuncia que o futuro perdido por conta desse outro “Brasil Futurista” um dia volta. A gente acredita nessa ideia, Thiago.

3 – Eliminadorzinho – “Verde” (Estreia)
Trio de rock alternativo paulista com fortes influências de Sonic Youth, que o proprio nome da banda já entrega, mais Dinosaur Jr e um monte de outras referências, o grupo chega firme em seu primeiro álbum, “Rock Jr.”, após muitos EPs. O clima lo-fi do começo ainda está lá, mas o corpo da experiência sonora é mais carregado e chega a flertar até com um rock mais radiofônico. Se as rádios brasileiras que ainda tocam rock não vacilarem, é umas. Energia bruta.

4 – Tainá – “Brilho” (Estreia)
A gente tem um tempo que elogia a boa e criativa cena alternativa carioca, que lembra muito a cena alternativa paulistana dos anos 80. Tainá faz parte dessa turma e entrega um belo álbum em “Brilho”. Dançante na medida que é reflexivo. E a voz de Tainá revela um lugar onde a gente quer ficar por um tempo.

5 – Pluma – “Revisitar” (Estreia)
A esperta banda paulista Pluma soltou um bom EP com alguns singles que já circulavam por aí, fora umas inéditas. Entre elas, “Revisitar”, que conta com participação do superguitarrista Pedro Martins, que já colou em álbuns de muitos artistas gringos conhecidos, entre eles o superbaixista Thundercat. Esse diálogo entre erudito e pop que existe no trabalho dos dois artistas casou bem aqui.

6 – Céu – “Bim Bom” (1)
Em seu disco de interprete, “Um Gosto de Sol”, Céu apresenta sua visão para uma ampla gama de composições que marcaram sua vida. Canções que você conheceu através de Fiona Apple, Rita Lee, Revelação, Nina Simone. Se destaca a aventura por uma das raras composições de João Gilberto, a balançada (e até pouco lembrada, já que ganhou poucos covers) “Bim Bom”.

7 – FBC – “Se Tá Solteira” (2)
Voltamos a dar destaque para a sacada genial da dupla FBC e VHOOR em usar a estética visual e sonora do funk consciente de nomes como MC Dodô para criar uma nova gama de hits. Ao recuperar que funk e rap têm um parentesco que às vezes fica de lado em muitos papos, FBC talvez tenha não só feito um belo trabalho de resgate cultural como também acertado potenciais grandes hits – “Se Tá Solteira” tem cara de que vai explodir no TikTok, se é que já não explodiu.

8 – Fresno – “Casa Assombrada” (4)
“Vou Ter Que Me Virar” parece ser a segunda parte de uma trilogia que a Fresno começou em 2019 com “sua alegria foi cancelada”. Palavra do próprio Lucas, vocalista da banda. Se a primeira parte parecia adivinha o que vinha pela frente no Brasil arrasado por um governo terrível, a segunda parte se balança entre momentos de esperança e outros nem tanto assim, como é o dia comum de um brasileiro. Na nova coleção de boas músicas, o primeiro destaque é esse olhar para dentro que Lucas lança a partir de suas experiências na terapia. É quase uma música que revê muitas outras músicas da Fresno (“Desculpa por eu sempre ser assim/Uh, terceirizando a minha dor/Confundindo carência com amor”). Não é todo artista que tem a manha de se criticar tão abertamente na própria obra.

9 – Duda Brack – “Oura Lata” (5)
De Porto Alegre, Duda arrebenta em seu segundo álbum. Entre tantos bons momentos, vale a redescoberta que ela lança aqui ao sacar uma bela música de Alzira E e Itamar Assumpção em arranjo meio “Rubber Soul”. Coisa linda.

10 – Wry – “Where I Stand” (6)
Se tem uma banda que não falha na entrega, essa é o Wry. Na retomada dos sorocabanos, que já tinha rendido um álbum ano passado, eles voltam em 2021 com toda a força em um álbum de inéditas de configuração um pouco não usual. Ainda que tenha sido gravadas agorinha, todas as canções são composições que ficaram pelo caminho na trajetória da banda – aquelas que ficavam no quase a cada álbum e EP.

11 – Manu Gavassi – “Gracinha (part. Tim Bernardes e Amaro Freitas)” (7)
12 – Luiza Brina, Sara Não Tem Nome e Julia Branco – “Exausta” (8)
13 – Vuto – “22 a Queima Roupa” (9)
14 – Primitivo – “Pretos de Classe como Marighella (part. THC das Ruas e Camarada Janderson)” (10)
15 – Gab Ferreira – “Karma” (11)
16 – Serapicos – “Caminhei, Caminhei, Caminhei” (12)
17 – Alessandra Leão – “Borda da Pele” (13)
18 – Taxidermia – “Taxidermia Punk” (14)
19 – brvnks – “as coisas mudam” (16)
20 – João Donato e Jards Macalé – “Côco Táxi” (17)
21 – Rabo de Galo, DJ Ubunto e Luedji Luna – “Me Abraça e Me Beija” (18)
22 – Stefanie e Gigante no Mic – “Coroa de Flores” (19)
23 – Vandal – “BALAH IH FOGOH” (20)
24 – Johnny Hooker – “Amante de Aluguel” (21)
25 – Don L – “Na Batida da Procura Perfeita” (22)
26 – Alice Caymmi – “Serpente” (23)
27 – Juçara Marçal – “Ladra” (24)
28 – Criolo – “Cleane” (25)
29 – Caetano Veloso – “Não Vou Deixar” (26)
30 – Marina Sena – “Pelejei” (27)
31 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (28)
32 – Liniker – “Mel” (29)
33 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (30)
34 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (31)
35 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (32)
36 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (34)
37 – GIO – “Sangue Negro” (35)
38 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (36)
39 – Rodrigo Amarante – “Maré” (37)
40 – Amaro Freitas – “Sankofa” (38)
41 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (39)
42 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (40)
43 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (41)
44 – Jadsa – “Mergulho” (42)
45 – FEBEM – “Crime” (43)
46 – Boogarins – “Supernova” (44)
47 – Mbé – “Aos Meus” (47)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (48)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (49)
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o rapper cantor Coruja BC1.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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