Top 50 da CENA: Jadsa e a maior menor música no topo. Tagore bem na playlist e um salve ao Jamés Ventura, que completam o pódio. Mais: Jovem Dionísio, Píncaro e Atalhos

1 - cenatopo19

* A gente peca pela empolgação de vez em quando. É verdade, tudo bem. É a nossa paixão pela CENA. Mas já dá para arriscar dizer que estamos com algumas novidades neste top 50 que perigam permanecer por aí o ano todo. Algumas músicas que são bem fora da curva dos lançamentos de todas as semanas. Quais são esses candidatos? Vamos deixar que os textos te joguem algumas dicas, porque não trabalhamos com spoiler, não.

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1 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (Estreia)
Há um quê de divino e de mântrico no primeiro single da guitarrista e cantora baiana Jadsa, “A Ginga do Nêgo”. Acredite quando ler que a música serve para “abrir caminhos” para o primeiro álbum da artista, “Olho de Vidro”, que sai no dia 26 de março. “A Ginga do Nêgo” é atravessada por uma guitarra cortante, evoca Exu, orixá da encruzilhada, o mensageiro da comunicação entre os vivos e as divindades, tem um baixo potente de Caio Terra e certamente deixaria orgulhoso Itamar Assumpção. Que musica gigante, embora com menos de dois minutos de duração.
2 – Tagore – “Tatu” (Estreia)
No ano passado a gente comentou por aqui que o músico pernambucano Tagore preparava seu novo álbum, “Maya”. 2020 acabou e nada do disquinho. Mas agora parece que vai e eis “Tatu”, o primeiro single deste novo trabalho. Pelo inspirado refrão “Tatu, tá tudo muito louco” você já tem um grau da viagem. Um som para aliviar as pressões do mundo ali de fora.
3 – Jamés Ventura – “Ser Humano” (Estreia)
Experiente rapper da cena paulista, Jamés Ventura, que viu o movimento crescer de perto na rua, anda em seu melhor momento. Após lançar em 2019 o excelente “Espelho” e um EP no ano passado, agora ele já chega com dois singles que mantém o alto nível: “Ser Humano”, nossa escolha, e “Mentiras”. Procurem. Pode não ser o rapper mais badalado do momento, mas quem conhece do assunto sempre indica o som do cara.
4 – Jovem Dionísio – “Copacabana” (Estreia)
Parece uma música que falava de uma certa praia de um outro estado brasileiro, mas é “apenas” a nova do Jovem Dionísio, banda curitibana que a gente sempre posta por aqui e que parece estar em grande fase. Um remix de sucesso de um som da banda colocou os caras com um milhão de ouvintes mensais no Spotify. Acha pouco perto dos grandalhões do pop brasileiro? Pois é um número quase irreal na CENA.
5 – Píncaro – “Leito de Migalhas” (Estreia)
Projeto de Roger Valença, ex-integrante da banda Onagra Claudique. Impossível não ficar impactado de cara com a faixa que abre o álbum “Um Delírio Madrepérola”. Em seus cinco minutos e pouco, “Leite de Migalhas” arrepia pelos diferentes climas, pela bela voz de Roger e por um violão daqueles que você escuta a mão passando pelas cordas, sabe?
6 – Atalhos – “A Tentação do Fracasso” (Estreia)
“Um ótimo dreampop veloz, de pegada oitentista.” Deste jeito que a gente elogiou o single anterior da dupla paulista com conexões argentinas Atalhos, formada pelo vocalista Gabriel Soares e pelo guitarrista Conrado Passarelli. A história se repete aqui em “A Tentação do Fracasso”. A letra que não entrega tanto assim sobre o que se canta é um playground para diferentes interpretações.
7 – Edgar – “Prêmio Nobel” (1)
A gente gosta de dar nossa opinião suuuuuperanalítica, mas aqui vale abrir espaço ao artista. Edgar escreveu um belo texto sobre sua nova composição e seu novo vídeo: “Imagine que o menino João e a menina Ágata poderiam muito bem terem ganhado um prêmio Nobel de literatura ou ciências, Marielle Franco um prêmio Nobel da paz. Diversas vidas que são arrancadas do seu destino todos os dias por uma necropolítica que nos extermina como se fôssemos presas fáceis. No filme “Bacurau” algumas pessoas se identificam com aquele Brasil distante e perto ao mesmo tempo. Só Jesus salva, e nesse filme ele vem armado com diversos inocentes que foram mortos pelas mãos do governo, para poder proteger os trabalhadores e estudantes que moram na favela. Em toda favela tem um prêmio Nobel. Que a polícia caça e mata.”
8 – Jup do Bairro – “O Corre” e “O Corre” (Bixurdia Remix) (2)
“O Corre – Bixurdia Remix” é a mexida que a multiartista Jup do Bairro deu na faixa de seu incrível EP, o “Corpo Sem Juízo”, do ano passado. A Bixurdia, que assina o remix, é uma produtora de áudio tocada por uma galera 100% LGBTQIA+, que já armaram mais de 30 projetos de pessoas trans, travestis e não-binárias de forma totalmente gratuita. “O Corre”, que já tinha uma levada funky, agora descamba para os clubes – quando tudo voltar, né? Fora isso, a original virou single, ganhou vídeo lindo, voltou a tocar em nós. O ideal é ouvir as duas no repeat, que dá uma liga campeã.
9 – BK – “Mudando o Jogo” (3)
Interessante a escolha do BK. Em vez de abrir em singles seu conceitual álbum “Movimento”, lançado no ano passado, ele chega a 2021 com uma música inédita – curando a ansiedade dos fãs por novidades e deixando intacta a obra que ele escreveu para ser apreciada com começo, meio e fim. Novos tempos exigem novas estratégias.
10 – Antônio Neves e Ana Frango Elétrico – “Luz Negra” (4)
Antônio Neves é compositor, arranjador e multintrumentista. E está nos preparativos do lançamento de seu segundo álbum, “A Pegada Agora É Essa”. Entre os singles já lançados, vale notar esta versão supercaprichada para o clássico de Nelson Cavaquinho e Amâncio Cardoso, uma lenta construção instrumental que nos leva à voz maravilhosa de Ana Frango Elétrico, que se derrama pela letra e melodia das mais bonitas já feitas por um brasileiro. Pouca coisa?
11 – BaianaSystem e BNegão – “Reza Forte” (5)
12 – Compositor Fantasma – “Pedestres Violentas” (6)
13 – Zé Manoel – “Saudade da Saudade” (7)
14 – Gustavo Bertoni e Apeles – “Ricochet” (8)
15 – Jair Naves – “Todo Meu Empenho” (9)
16 – Kamau – “Nada… De novo” (10)
17 – Letrux – “Dorme Com Essa (Delirei)” (11)
18 – MC Fioti – “Bum Bum Tam Tam” (12)
19 – Rincon Sapiência – “Tem Que Tá Veno” (Verso Livre) (13)
20 – MC Carol – “Levanta Mina” (14)
21 – Marrakesh – “To Comprehend” (15)
22 – Marabu – “Capítulo 5: Sereno” (16)
23 – Dom Pescoço – “Delicadinho” (17)
24 – Dizin – “Human Bomb (Explode)” (18)
25 – Criolo – “Fellini” (19)
26 – Linn da Quebrada – “quem soul eu” (20)
27 – Cambriana – “Induction Bread” (21)
28 – Maglore (feat. Josyara) – “Liberta” (22)
29 – Wry – “Absoluta Incerteza” (23)
30 – Rico Dalasam e Jup do Bairro – “Reflex” (24)
31 – YMA – “White Peacock” (25)
32 – Ana Frango Elétrico – “Mulher Homem Bicho” (26)
33 – Luedji Luna – “Chororô” (27)
34 – Black Alien – “Chuck Berry” (28)
35 – Vovô Bebê – “Bolha” (29)
36 – Sabotage e MC Hariel – “Monstro Invisível” (30)
37 – Emicida e Gilberto Gil – “É Tudo Pra Ontem” (31)
38 – Liniker – “Psiu” (32)
39 – Tuyo – “Sonho da Lay” (33)
40 – KL Jay – “Território Inimigo” (34)
41 – Marcelo D2 – “4º AS 20h” (35)
42 – Rohmanelli – “Toneaí” (36)
43 – Vivian Kuczynski – “Pele” (37)
44 – Boogarins – “Cães do Ódio” (38)
45 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (39)
46 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (40)
47 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (41)
48 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (42)
49 – Don L – “Kelefeeling” (43)
50 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (44)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a guitarrista baiana Jadsa.
** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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