Top 50 da CENA – O Nordeste global do Mulungu tá no topo. O corpo da Jup do Bairro vem na cola. E o top saúda a volta de Bonifrate

1 - cenatopo19

E nosso ranking tem uma banda novíssima em seu primeiro disco, o retorno da Jup do Bairro com um de seus mais fortes singles, um velho conhecido dos indies que também resolveu reaparecer, BK em casa nova e a Karina Buhr dando um rolê na roda gringa mais brasileira que tem. Semana movimentada como é de costume. Pronto para achar um som que vai fazer sua cabeça? Chega na nossa playlist bonita.

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1 – Mulungu – “A Boiar” (Estreia)
Demorou, mas saiu o primeiro álbum da banda guitar-zen nordestina Mulungu – um trio de dois recifenses e um potiguar. Sem colocar em cheque a originalidade da banda, dá para dizer que os meninos pegam muito do caminho desbravado pelo Boogarins, uma música brasileira e muito universal e de letras caprichadas. Por aqui, reflexões sobre autocuidado – muito na brisa da onda de indie mental health que a gente comenta direto por aqui.

2 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (Estreia)
Escrever e pensar sobre música é legal, lógico, é nosso trabalho, oras. Mas é muito bom também quando o artista faz questão de traduzir em algumas palavras suas ideias sobre suas músicas. Além de facilitar nossa missão, ajuda a decodificar e a convidar a prestar atenção em alguns detalhes que só eles sabem onde estão. Mas toda essa volta para puxar aqui a ideia que a própria Jup do Bairro dá sobre seu novo single: “Acredito que esta faixa é uma de minhas composições mais viscerais (literalmente). É uma viagem filosófica ao meu corpo e como o entendo. Entre dores e delícias, como podemos projetar o futuro se o presente é incerto?”.

3 – Bonifrate – “Rei Lagarto” (Estreia)
Bonifrate que sumiu ou a gente que marcou bobeira? Seja lá qual for a resposta envolvendo o ex-Supercordas, é bom escutar sua nova música, uma produção solitária, analógica e filosófica, cujo combo dá toda uma textura e clima únicos à canção. Tudo indica que vem um novo álbum solo por aí. E pelo mesmo selo gringo que cuida de nomes como Boogarins, Wry e Carabobina. Saudamos a volta do Bonifrate com um top3, que ele merece.

4 – GIO – “Nebulosa” (1)
O baiano ex-Giovani Cidreira segue bem por aqui com a bonitaça e recém-lançada “Nebulosa”, canção sua com a conterrânea Jadsa no rolê. “Nebulosa” chega dentro de um projeto que Cidreira está iniciando, que envolve um novo álbum, uma websérie no Youtube deles e até uma mudança de nome para GIO, já adotado por aqui e batismo com o qual ele já assinava outros trabalhos. “Nebulosa”, que vai estar no álbum “Nebulosa Baby”, a sair em junho, ainda traz a marca da não convencionalidade sonora que marca o ex-Cidreira, mas com um ar moderno e em voga com um pop meio melancólico e para cima ao mesmo tempo.

5 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (2)
Esperta, achamos, a sacada dos mineiros da Lupe de Lupe de renomear no último minuto seu novo álbum, uma reflexão sobre o Brasil, de “Lula”. Que personagem da nossa história consegue reunir nosso melhor e nossas maiores contradições? Ao nomear cada música como uma cidade, neste disco que acaba de ser lançado, a banda percorre este país como o ex-presidente percorreu algumas vezes atrás não só de respostas, mas de questões. Por que no Brasil tem moleques tocando pensando som em uma formatação gringa que é a banda punk, guitarra, baixo e bateria? E quanto eles produzem um som que só poderia ser brasileiro? Isso para ficar em uma das muitas questões. Um disco irregular, mas muito bom quando é bom, que é para ser absorvido devagar. Até porque ele é um tanto longo para os padrões atuais, quase uma hora. Mas vale prestar atenção quando artistas tão atentos e cuidadosos preparam algo com essa ambição.

6 – BK – “Dinheiro, Poder, Respeito” (Estreia)
Este bom som é mais que um som bom. É a inauguração de uma nova fase na carreira do rapper BK, que agora tem seu próprio selo, Gigantes – algo que provavelmente deve lhe dar mais autonomia e quem sabe (se for possível) mais dinheiro, poder e respeito.

7 – Jomoro e Karina Buhr – “Saudades de Lá” (Estreia)
Jomoro é a junção de dois feras da percussão: Joey Waronker (que já tocou com Beck e REM) e o brasileiro Mauro Refosco (que já tocou com Red Hot e David Byrne). Dentro desse projeto da dupla, um single composto com participação de mais dois brasileiros, Karina Buhr e Bruno Buarque. Ah, mas se tem gringo não é CENA, pode-se pensar. Que nada!! Som brasileiríssimo.

8 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (Estreia)
A distinta goiana Bruna Mendez lançou este som delicioso e inédito para a edição estrangeira de seu álbum “Corpo Possível”, de 2019. As vibrações do disco parecem atualizadas por aqui, em uma letra sobre um romance novo, se a gente entendeu bem. Certeza é que gostamos bastante.

9 – Rodrigo Campos, Juçara Marçal e Gui Amabis – “Ladeira” (3)
Em 2017, o trio se reuniu em torno de letras de Nuno Ramos, que por sua vez foi inspirado em uma obra de Camus para os “Sambas do Absurdo”. E agora Campos&Marçal&Amabis voltam com “Sambas do Absurdo II”, a partir deste single que tem letra de Rómulo Froes e indica que no álbum não veremos a ideia do primeiro disco com músicas com o mesmo título. Atenção para os próximos passos do trio e também pelo álbum solo da Juçara, que já está prometido para breve. Turma muito boa.

10 – Zé Manoel – “Como?” (4)
Não é segredo o quanto amamos o som do Zé Manoel e em especial seu disco mais recente, “Do Meu Coração Nu”. Quando esse álbum ganha para sua edição em LP uma faixa extra, é bem lógico que a gente passe a amar essa faixa tanto quanto todas do álbum. E foi o que rolou. Em “Como?”, Zé regrava uma composição do gaúcho Luís Vagner conhecida na voz do pernambucano Paulo Diniz. Belíssima versão. Nos ganhou facinho.

11 – Os Amantes – “Linda” (5)
12 – Rashid – “Diário de Bordo 6” (6)
13 – Isabel Lenza – “Imenso Verão” (7)
14 – Rodrigo Amarante – “Maré” (8)
15 – Rincon Sapiência – “Cotidiano” (9)
16 – Saulo Duarte com Luedji Luna – “Lumina” (10)
17 – Anitta – “Girl from Rio” (11)
18 – Gustavo Bertoni e Giovanna Moraes – “Como Queria Te Deixar Entrar” (12)
19 – Jupiter Apple – “Cerebral Sex (The Apple Sound)” (14)
20 – Salma e Mac – “Amiga” (15)
21 – Yung Buda – “Digimon” (16)
22 – Hierofante Púrpura – “Na Terra das Cartas” (17)
23 – AKEEM MUSIC – “Eu Já Amei uma Ginasta” (18)
24 – Plutão Já Foi Planeta – “Depois das Dez” (19)
25 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (20)
26 – FEBEM – “Crime” (21)
27 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (22)
28 – Boogarins – “Supernova” (23)
29 – Moons – “Love Hurts” (24)
30 – BaianaSystem – “Brasiliana” (25)
31 – Bárbara Eugênia – “Hold Me Now” (26)
32 – NoPorn – “Festa No Meu Quarto” (27)
33 – Jair Naves – “Vai” (28)
34 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (30)
35 – Carmem Red Light – “Faith No More” (31)
36 – Yannick Hara – “Raça Humana” (34)
37 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (35)
38 – Thiago Elniño – “Dia De Saída” (37)
39 – Luna Vitrolira – “Aquenda” (38)
40 – FBC – “Gameleira” (39)
41 – Mbé – “Aos Meus” (40)
42 – Giovanna Moraes – “Tudo Bem?” (41)
43 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (42)
44 – Djonga – “Eu” (43)
45 – LEALL – “Pedro Bala” (44)
46 – BNegão – “Salve 2 (Ribuliço Riddim)” (46)
47 – Ale Sater – “Peu” (47)
48 – Apeles – “Eu Tenho Medo do Silêncio” (48)
49 – Rohmanelli – “Viúvo” (49)
50 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a imagem é do trio nordestino Mulungu.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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