Top 50 da CENA – O rap e o metal comandam nosso ranking, puxadas pelas gêmeas Tasha e Tracie e pelo grupo Papangu. A Isabel Lenza completa o pódio oferecendo equilíbrio

1 - cenatopo19

* Rap e rock juntos. Não é “Judgement Night”, disco clássico do filme clássico que reuniu nomes dos dois gêneros lá nos anos 90. São os nossos dois primeiros lugares desta semana – um recorte deste 2021 ainda muito loko que também traz outras boas novidades em clima mais MPB, clima pop e até cyberpunk. A CENA brasileira é ampla, geral e irrestrita. A gente não cansa de dizer isso por aqui. Assim como não cansamos de avisar que a nossa playlist é o jeito mais eficaz de se atualizar sobre a CENA. Já segue ela?

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1 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (Estreia)
Quem tá ligado no mundo da moda já conhece as gêmeas paulistanas Tasha e Tracie há um tempo. Elas ficaram famosas pelo blog “Expensive Shit”, onde ensinavam a se vestir bem sem gastar muita grana. No blog, elas também davam seu show de conhecimento com uma pesquisa sobre arte, cultura e som. Elas não rimavam quando apareceram pela primeira vez, mas eram do rap. Foi um toque do mestre Kl Jay que acertou esse detalhe. Ele as alertou que na cultura hip hop todos podem fazer a arte que quiserem. E elas resolverem investir nas rimas. E que belo investimento. Seu primeiro álbum, o recém-lançado “Diretoria”, é arrasador. E, no pique, são 22 minutos de ideia boa atrás de ideia boa. “Igual nós vocês quer viver/ Mas igual nós ‘cês não quer morrer”, “Nasci com a boca que elas compra”, “Pra ter o que você tem só precisa de um paicpague/ Pra fazer como eu faço; muita vivência de base”. São só alguns exemplos das boas linhas. A gente escolheu “Lui Lui” aqui no top, mas poderia qualquer um dos outros sons.

2 – Papangu – “Ave-Bala” (Estreia)
Muito interessante o som metaleiro e progressivo dessa banda de João Pessoa, Paraíba. A gente que nem é tão versada nesse ramo sabe pelo menos reconhecer algo muito bem-feito – e tem um rolê conceitual muito bem construído ali, com referências à literatura brasileira, ao imaginário nordestino e ainda carrega um papo político sobre relações sociais e com a natureza que corre por fora da narrativa mais explícita da banda. Preste atenção nesses caras.

3 – Isabel Lenza – “Eu Sou o Meu Lugar” (Estreia)
No belo disco conceitual de Isabel Lenza sobre se descontruir e reconstruir após um relacionamento complicado, um dos momentos bonitos é a afirmação de saber que você é seu lugar, responsável por seus atos e por sua felicidade. Uma resolução que permite que a personagem volte a amar a si e outros na sequência. Uma boa lição, cantada dentro de uma atmosfera confiante e acolhedora, o que serve como mais uma arma de enfrentamento de situações delicadas. Boa, Lenza.

4 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (1)
Em “Macumba 2.0”, álbum recém-lançado, o músico piauiense Valciãn Calixto dá uma aula sobre as religiões de matriz africana buscando desmistificar conceitos errados criados com a intenção de desarticular e criminalizar sua prática. Neste som, Exu é comtemplado e explicado por Valciãn em um forró que mantém sua pesquisa sonora avançando sobre o indie e experimentações lo-fi. Se isso não é uma riqueza sonora brasileira por onde quer que se olhe, não sabemos mais o que é. Valciãn é o nosso Sufjan Stevens do Nordeste, fala que não.

5 – Jade Baraldo – “Não Ama Nada” (Estreia)
Jade em seu primeiro single por uma gravadora grande mantém sua busca por um pop esperto. E chega mirando nos aproveitadores, que sugam sua confiança, seu trabalho e sua fama. Falam que amam, não amam nada.

6 – Cadu Tenório – “Psycho Zaku” (2)
Não que a gente entenda tudo, mas é um barato a viagem experimental do carioca Cadu Tenório. Em “Are You Okay” temos uma porção de músicas longas que vão se construindo e desconstruindo em loops, ruídos, colagens. E, pensando melhor, será que tem algo mesmo para ser entendido? É sentir, talvez, o verbo mais apropriado.

7 – 1LUM3 – “Lovecrime” (3)
A voz da 1LUM3 segue sendo uma das mais bonitas da CENA e aqui ela capricha em boas letras e nas produças certeiras – é pop, mas não tem muito cara de pop, saca? “Lovecrime” é daquelas que nascem com cara de hit, um som sobre amores que já se despedaçaram e seguem nas nossas mentes.

8 – Letrux – “Isso Aqui É um Campo Minado” (4)
Aqui Letrux nos apresenta mais uma música que ela escreveu há muito tempo e nunca tinha gravado. Talvez essa seja uma de 2007 e 2008 e já revela um pouco do que ela faria mais para a frente. Dá uma sensação engraçada ver letras de uma Letrux que não existe mais sendo cantadas pela Letrux de hoje. Como isso chama não sabemos, mas tem uma sensação aí.

9 – Mariá Portugal – “Cheio/Vazio” (5)
E, por falar em música esquisitinha, que delícia essa experimentação da Mariá Portugal. A baterista/compositora que já tocou com vários grandes nomes da MPB, além de ser parte do sensacional Quartabê, faz uma música que chega a ser tradicional até seus dois minutos – dali em diante as formas e tempo parecem se dissolver e voltar e sumirem de novo. Difícil descrever. Este single fará parte de seu novo álbum, “Erosão”.

10 – Yannick Hara e VNDROID – “Incêndio Doloso” (Estreia)
Single feito de maneira urgente, essa dupla cyberpunk reflete sobre o recente incêndio que levou uma parte do acervo da nossa cinemateca. Música enquanto denúncia e registro das consequências da atual gestão do país.

11 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (6)
12 – Autoramas e Rodrigo Dead Fish – “A Cara do Brasil” (7)
13 – Marcelo Perdido – “Carnaval” (8)
14 – GIO – “Sangue Negro” (9)
15 – Tuyo – “Turvo” (10)
16 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (11)
17 – Priscilla Alcântara – “Tem Dias” (13)
18 – Macaco Bong – “Hacker de Sol” (14)
19 – Rodrigo Amarante – “Maré” (17)
20 – Tagore – “Capricorniana” (18)
21 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (19)
22 – Criolo – “Fellini” (20)
23 – Amaro Freitas – “Sankofa” (21)
24 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (22)
25 – Nill – “Singular” (23)
26 – Ana Frango Elétrico – “Promessas e Previsões” (24)
27 – Iara Rennó – “Ava Viva” (26)
28 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (28)
29 – BNegão feat. Paulão King – “Cérebros Atômicos” (29)
30 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (30)
31 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (31)
32 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (32)
33 – Jonathan Ferr – “Amor” (33)
34 – Jadsa – “Mergulho” (34)
35 – Mulungu – “A Boiar” (35)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (36)
37 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
38 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (38)
39 – Zé Manoel – “Como?” (39)
40 – Yung Buda – “Digimon” (40)
41 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (41)
42 – FEBEM – “Crime” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
47 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, os irmãs rappers Tasha e Tracie.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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