Top 50 da CENA – Romulo Fróes chama Jards Macalé para o alto. Nelson D mostra algo em processo. Ella from the Sea canta a felicidade solitária. Este é o topo do nosso Top

1 - cenatopo19

* Se a semana dos gringos foi devagar, aqui no nosso Brasil a coisa pegou. Daqueles dias em que a gente cogita o empate técnico para não magoar ninguém. Nem a nós mesmos. Semana de discos duplos, de artistas que gostamos assinando com selo que gostamos, de descobertas, de gente revelando novas vozes em suas obras. É quase um lugar comum, mas a CENA brasileira é a melhor CENA, temos que reforçar isso – e reforçamos – sempre. Chega ali na nossa playlist para ver. E ouvir. Em sua plenitude sonora.

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1 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (Estreia)
Olha o time. Composição de Romulo, Gui Held e Jards Macalé com letra de Nuno Ramos em homenagem a Jards – repare que alguns versos são apropriados de canções do Macau -, “Baby Infeliz” acabou rejeita pelo próprio homenageado. Para que a canção não entrasse em um limbo, Romulo resolveu resgatá-la em seus dois novos álbuns de repertórios iguais e sonoridades bem diferentes – “Aquele Nenhum” (voz e violão) e “Ó Nois” (colagens). E não é que o Jards, quando escutou a música de novo, já na leitura do Romulo, perguntou por que ele não tinha oferecido a ele, Jards, gravar a canção? Perdeu um musicão, Jards. Mas achamos que o Romulo te empresta ela de novo.

2 – Nelson D – “Algo Em Processo” (Estreia)
Brasileiro de tribo indígena da Amazônia criado na Itália, Nelson D é a mais nova contratação de um dos nossos selos prediletos neste país, o Balaclava. E é de casa nova que ele dá sequência ao seu futurismo indígena já testado no disco do ano passado, “Em Sua Própria Terra”. A primeira canção dessa leva é um tratado sobre amizade. “Dedico essa musica a todas as pessoas que tiveram sorte de ter uma amizade importante nos momentos mais difíceis”, escreveu Nelson em suas redes. E nós tivemos sorte de ter uma música assim de tantos referenciais e sotaques na nossa CENA.

3 – Ella from the Sea – “Lonely” (Estreia)
Gabriela Taketani, a tal Ella, escreve por aqui sobre solidão, mas não de um jeito triste. É sobre a liberdade de ser/estar sozinha. “É poder ter auto-satisfação em poder mudar esse sentimento de solidão triste”, escreve Gabi. Já ouviu esta música, David Lynch?

4 – Linn da Quebrada – “I Míssil” (Estreia)
É um barato ler que a Linn quis fazer uma música que pudesse cair no gosto da própria mãe. E aqui temos ela sonoramente mais leve, mas com ideias ainda bem profundas. “Divagar mais, divulgar menos” ressoa em relacionamentos, carreira. É muita ideia em poucos versos. E ainda tem uma segunda coisa rolando que é uma junção da Linn com sua persona além do palcos, a Lina. Fora a tirada esperta do título. Bela música!

5 – GIO – “Joias” (Estreia)
E segue a mudança do Giovani Cidreira para seu novo nome artístico. “Joias” é o segundo single deste novo álbum produzido ao lado de Benke Ferraz do Boogarins, que deve sair em breve. Nos comentários do YouTube alguém mandou uma bela ideia: “Me lembrou as composições da Jadsa. Uma célula poética curta e pronto”. E não é que a Jadsa está na faixa com alguns backing vocals? Conexões. Se o álbum do Gio sair nível Jadsa, teremos um empate técnico ali pelo topo dos melhores do ano, achamos.

6 – BNegão feat. Paulão King – “Cérebros Atômicos” (Estreia)
Sendo um dos nossos grandes rappers é um barato também o aspecto hardcore que ronda alguns trabalhos do BNegão. Daí que deu muita liga ele abraçar um cover da nossa melhor banda punk, Ratos de Porão. A adição gutural do Paulão King só dá um charme a mais na versão “made in Rio” de um rolê tão paulistano.

7 – Rodrigo Amarante – “I Can’t Wait” (Estreia)
Mais um single bem interessante do próximo solo do Amarante, confirmando uma tendência indicada nos outros singles de que teremos um disco menos melancólico que o primeiro. Ainda que os temas sigam sempre cheio de possíveis interpretações. De acordo com o próprio Amarante, que listou umas quatro motivações para a música, a ideia dela é mostrar como liberdade é pertencimento, ao contrário do que muitos imaginam ao ligar independência com liberdade.

8 – ATR – “Corazón (Badsista Remix)” (Estreia)
E a excelente Badsista, que tem suas mãos ali no quarto lugar da Linn da Quebrada, reaparece no nosso top 50 neste belo remix que só confirma e dá novos ares à fase eletrônica do ATR, antigo Aeromoças e Tenistas Russas. Se a gente não entendeu errado, aqui a Badsista faz um movimento até que raro em remixes: em vez de botar pressão na faixa original, ela deixou as coisas mais leves. Repara.

9 – Bonifrate – “Casiopeia” (1)
Quem lê nossos textos por aqui já deve ter sentido que temos uma obsessão por imaginação. Encontrar músicos que estão pensando e produzindo um novo mundo. E não é que o carioca Bonifrate resolveu escrever uma música inteira que se baseia nesse assunto? Isso se aproveitando de uma ideia certeira que o ex-Supercordas encontrou em uma entrevista do escritor uruguaio Eduardo Galeano, em que ele fala de “um mundo em gestação dentro do mundo presente, e de como é um parto difícil, mas que há de acontecer”. Não bastasse a boa ideia, temos aqui um mergulho saudável em guitarras em profusão e um velho teclado Cassio que dá nome à música.

10 – Mallu Magalhães – “Pé de Elefante” (2)
Eis que Mallu solta um álbum novo indo para um clima bossa nova morando na gringa, com parcerias estranhas mas tá valendo. Aqui temos a até que divertida e leve “Pé de Elefante” saltando rápida do disco nas primeiras audições, música que ainda brinca com sons invertidos. E a gente tem certeza que já escutou a introdução desta música em algum lugar.

11 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (3)
12 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (4)
13 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (5)
14 – Marcelo Perdido – “Que Bom” (6)
15 – Gustavo Bertoni – “Old Ghost, New Skin” (7)
16 – Marina Sena – “Voltei pra Mim” (8)
17 – Rincon Sapiência – “Meu Mundo” (9)
18 – Supervão – “Amiga Online” (12)
19 – Master San – “A #05 – Intergalatica” (14)
20 – CESRV – “Soundbwoy Champion” (15)
21 – Taco de Golfe – “Pessoa Que Fala” (16)
22 – Jonathan Ferr – “Amor” (17)
23 – Jadsa – “Mergulho” (18)
24 – Mulungu – “A Boiar” (19)
25 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (20)
26 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (23)
27 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (24)
28 – Rodrigo Campos, Juçara Marçal e Gui Amabis – “Ladeira” (25)
29 – Zé Manoel – “Como?” (26)
30 – Os Amantes – “Linda” (27)
31 – Rashid – “Diário de Bordo 6” (28)
32 – Saulo Duarte com Luedji Luna – “Lumina” (31)
33 – Salma e Mac – “Amiga” (32)
34 – Yung Buda – “Digimon” (33)
35 – AKEEM MUSIC – “Eu Já Amei uma Ginasta” (35)
36 – Plutão Já Foi Planeta – “Depois das Dez” (36)
37 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (37)
38 – FEBEM – “Crime” (38)
39 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (39)
40 – Boogarins – “Supernova” (40)
41 – Moons – “Love Hurts” (41)
42 – BaianaSystem – “Brasiliana” (42)
43 – Jair Naves – “Vai” (43)
44 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (44)
45 – Yannick Hara – “Raça Humana” (45)
46 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (46)
47 – FBC – “Gameleira” (47)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a imagem é do cantor e compositor paulistano Romulo Fróes.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.