Trio inglês Dream Wife traz as mulheres “para a frente do palco” no elogiado segundo álbum

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* Das comparações que eu mais gosto a cerca do trio feminino punk inglês Dream Wife é que a banda é um encontro entre Yeah Yeah Yeahs e Strokes e estão acontecendo no ano errado, porque caberiam bem no novo rock americano dos anos 2000.

OK, se olharmos só para exemplos como Fontaines DC e Sports Team, para pegar apenas duas referências (quase) post-punks britânicas de agora, dá para perceber que estamos respirando uma era déja vù de tendências transformada no HOJE. Sempre foi assim, mas acho que agora escancarou. E tudo bem.

Daí chegamos a “So When You Gonna….”, segundo álbum das Dream Wife, lançado sexta passada.

dreamwife

A banda de Londres, formada pela vocalista islandesa Rakel Mjöll, mais Alice Go nas guitarras e gritos e Bella Podpadec no baixo e nos gritos, é uma das formações mais modernas para nossos tempos malucos.

Montaram o trio dentro da universidade de Brighton, no sul da Inglaterra, como um
projeto para o curso de arte que faziam, sob o conceito de “banda fake de mulheres”. E só se apresentavam em festas de exposição de galeria de arte. Mas o curso acabou, a banda pegou e resolveram se mudar juntas para Londres, gravar uns EPs com o pai de uma delas na bateria, até que há dois anos lançaram o disco de estreia, homônimo, elogiadíssimo.

O feminismo manteve-se aflorado. Quando aconteciam shows, as Dream Wife, que andaram abrindo para Garbage e The Kills, incentivavam mulheres da plateia a virem para a frente do palco, disputar o corpo a corpo de moshs e pogos com o público masculino, que geralmente faz esse tipo de coisa em shows. E fiscalizavam enquanto tocavam, para os homens não se excederem na força contra as mulheres.

“So When You Gonna….”, o novo disco, segue carregando a bandeira do empodeiramento feminino e suas questões em meio a um som punk urgente que, se não é inovador em nada, vem carregado de uma contagiante adrenalina, que balança entre o sentido de riot grrrl e o pop de um modo muito longe de parecer fake, que era o espírito de quando a banda foi criada.

Pega a faixa que dá nome ao álbum, “So When You Gonna….”, e o single “Sports”, por exemplo, e veja como as Dream Wife, chamando a mulherada “para a frente” ao cantar sobre os boys-lixo, relacionamentos tóxicos, amor sem gênero e aborto, são bem reais.

“So When You Gonna….”, o segundo disco das Dream Wife, no que acerta e no que erra, está todo aí abaixo, todo vigoroso, todo Yeah Yeah Yeahs e todo Strokes. Confira.

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  • Leocádia Joana Garibaldi Pinto

    Not, por enquanto…