Twitter discute o tal “filme dos Smiths”. Uma pequena revolução se fez. Morrissey e Johnny Marr cederam as músicas. História é lenda urbana de Denver

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* Só melhora o buchicho em torno de “Shoplifters of the World”, o filme independente americano dos Smiths que estreou de repente só nos EUA na sexta-feira e a Inglaterra não assimilou muito bem, ao ter contato com o trailer via redes sociais.

A gente deu aqui na Popload na segunda-feira e o bicho pegou para nosso lado também.

Contamos a história. O filme se passa em 1987 em Denver, no Colorado, quando quatro ardorosos fãs americanos dos Smiths recebem a notícia de que a sempre polêêêmica banda inglesa tinha acabado. E daí o mundo deles parece ter acabado junto.

Inconsolável, um dos quatro adoradores do grupo de Morrissey resolve tomar uma medida desesperada. De posse de uma arma, invade a rádio rock local, Kiss 101, que estava começando na noite uma maratona de heavy metal, comandada pelo figuraça DJ Full Metal Mickey. O menino carregava com ele uma caixa de vinis dos Smiths e a ideia era que o “sequestrado” DJ metaleiro tocasse a noite toda a obra de Morrissey/Marr, sob o risco de levar bala em caso de recusa.

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O mundo inteiro ficou tão dividido/alarmado/surpreso, até entre os que não assistiram a “Shoplifters of the World” mas como mexia com os Smiths queriam dar sua opinião, que resolvemos fazer um “O Melhor do Twitter” especial e menor e fora de época para registrar o fuzuê que o filme causou.

Sobre o longa, é assim: é uma graaaaande obra cinematográfica? Óbvio que não. Mas é uma “sessão da tarde” que lembra o “Alta Fidelidade” (filme baseado no livro do Nick Hornby) divertido para quem tem a mínima relação com Morrissey e sua banda famosa, ele cancelado ou não ultimamente.

Divertido, mesmo, para quem até pode não gostar da banda “sensível”, que carregava todo o “peso do mundo” nas costas e formou gerações de fãs assim. Basta até ter um pouco a dimensão histórica que os Smiths causou no rock inglês e mundial nos anos 80 e além da música, como por exemplo o fato de a notável Universidade de Cambridge ter uma cadeira em literatura que estuda as letras do cantor, que um dia foi considerado numa premiação séria-bizarra como a pessoa mais maravilhosa do mundo. Ou o maior inglês vivo. Grandes tempos.

Acontesse que, mesmo “Shoplifters of the World” sendo considerado por muitos um filme bobinho, ele traz 20 (VINTE) músicas dos Smiths durante sua 1h30 de duração. Muitas nunca mostradas/tocadas em filme ou mesmo na TV.

E as famosas letras de Morrissey pontuam boa parte da fala dos quatro amigos no filme, fãs dos Smiths, o que torna a coisa mais legal de tão… bobinha.

O roteiro é cheio de pequenas maravilhas. O menino fã transtornado com o fim dos Smiths invade a rádio com uma caixa de vinil de discos dos Smiths bem na hora que está tocando a grande “Bark at the Moon”, clássico solo da lenda metal Ozzy Osbourn.

O rapaz, com a arma apontada ao DJ da rádio, ordena que ele interrompa a música e toque Smiths, o que provoca a incredulidade do sujeito, que duvida que o menino esteja falando sério. Ele atira, para o lado, e a bala disparada explode uma caneca com a figura do Gene Simmons, do Kiss.

O DJ metaleiro, o Full Metal Mickey, vivido espertamente pelo ator Joe Manganiello (que fez um dos lobisomens da famosa série extinta “True Blood), fica chocado: “Você acabou de atirar na cara do Gene Simmons. Isso não se faz”. O menino, vendo que finalmente o cara percebeu que ele tinha uma séria missão naquela noite”, joga um compacto dos Smiths em cima do DJ e ordena: “Agora toque o lado B”.

A tensão que vai virando amizade entre o DJ metaleiro e o menino amargurado e sensível fã dos Smiths, talvez seja a melhor coisa do filme.

“Toque esta aqui, agora”, fala o rapaz, que é balconista de loja de disco em Denver no filme e na vida real é Ellar Coltrane, que viveu o personagem principal de “Boyhood”, famoso longa de Richard Linklater que levou 12 anos para ser filmado e conta exatamente essa passagem do tempo do personagem.

“É sério isso”, responde o DJ, ao ver o nome da música que seria obrigado a botar no ar. “Quem escreve uma canção com o nome de ‘This Charming Man’?”

Pelo que entendi, Manganiello e o irmão produtor são responsáveis por “Shoplifters of the World” existir. Ele chegou a dizer em entrevista que tanto Morrissey quanto o guitarrista Johnny Marr receberam o roteiro e gostaram. E teriam liberado as músicas para serem tocadas no filme. Morrissey até demonstrou saber que alguém um dia contou para ele uma história parecida. E que ele adorava mesmo que não passasse de uma lenda urbana. Estamos investigando isso, hahaha.

Duas das minhas passagens favoritas em “Shoplifters of the World”, envolvendo a turminha de fãs dos Smiths de Denver, é quando três deles vão numa festa, na noite em que um dos amigos está sequestrando a rádio rock local. Inclui aí um casal cujo menino decidiu não fazer mais sexo com a namorada, quando passou a ouvir Smiths e saber que o Morrissey pregava o não-sexo e a não-carne. O rapaz não deixava a namo nem comer um hamburguinho.

Uma outra adoradora dos Smiths é abordada por um menino desses imbecis na festa, querendo passar a cantada nela. “O Bryan Adams [famoso músico canadense mainstream, popularíssimo] vai tocar aqui em Denver na semana que vem e tenho um ingresso sobrando. Quer ir comigo? A menina chega ao pé do ouvido do moço e fala: “Eu preferiria ir ao meu próprio funeral do que ir num show do Bryan Adams com você”.

Agora chega. Veja “Shoplifters of the World”, posicione-se hahaha e fique atento ao ruído causado por este filmeco independente que mexe com uma das bandas mais imexíveis e complicadas da música pop da história. Desconfio que ainda vamos voltar muito a esta história.

E, aqui embaixo, veja um pouco da repercussão louca que o filme está tendo, através dessa pequena edição especial d”O Melhor do Twitter”.

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  • Rosangela Chaves

    Eu amei! E a camiseta do DJ Mickey era do Alice Cooper no Brasil em 1974!