C6 Fest – Já parou para pensar que em maio vamos ver o Soft Cell pela primeira vez em SP cantando sobre um romance zoado?

Mesmo embasbacado com o line-up da próxima edição do C6 Fest, que acontecerá em São Paulo e só em São Paulo em maio de 2024, você não deve ter deixado passar batido que ali, entre as 30 atrações das mais diversas anunciadas nesta semana e de uma vez só, estava o nome do duo inglês Soft Cell.

Formação do “cantor de ópera” Marc Almond (o moço aí da foto acima) e de seu eterno parceiro David Ball e uma das mais fundamentais e dramáticas (já explicamos) duplas dos anos 80 na música pop, o Soft Cell era/é tudo junto electropop fino, indie-sensível, causa gay em sintetizador, punk da sofrência e quase um precursor emo.

O duo, a gente deve ter a oportunidade de ver com os próprios olhos no ano que vem, vai abrilhantar aos mais saudosistas e, por que não?, até aos mais jovens (tem música que deu aquela viralizadinha no TikTok) uma programação dance das boas, encabeçada pelos irmãos belgas 2ManyDJs e cuja noite ainda terá a linda Romy do XX fazendo o som de sua colorida carreira solo e os brasileiros-paraenses Jaloo e Gaby Amarantos, a primeira recebendo a segunda.

Esse elenco dance está programado para o sábado do C6 fest, no dia 18 de maio. O festival acontece em três dias, de sexta a domingo.

O Soft Cell lançou três álbuns nos anos 80, dois no comecinho da década, mas o fundamental é o primeiro, o “Non-Stop Erotic Cabaret”, de 1981, que traz vários hinos, dos quais se destaca a imortal “Tainted Love”, a que vira-e-mexe ilustra algum post das redes sociais mais virulentas e ganha mundo (e ouvidos frescos) entre um público que mal tem ideia que Marc Almond foi um dos primeiros a abraçar a causa gay na música numa época não tão fácil para se abrir sexualmente, sentimentalmente e socialmente, ainda mais numa cena que ainda vivia fortes ares do algo machista punk rock.

“Tainted Love”, que transforma em lamúria dance uma história de amor que não deu certo para um dos lados, na verdade é uma cover retrabalhada de uma canção soul americana de 1964, de autoria de Ed Cobb e cantada por Gloria Jones. Mas que alcançaria sucesso no planeta na potente voz teatral de Marc Almond. Alcançaria também as graças de David Bowie, que não só dizia que era sua música predileta na década de 80 como era fonte inspiradora declarada do vocalista Marc Almond desde sempre.

O curioso, para juntar tudo nessa noite dance que o C6 Fest oferece em maio, é que “Tainted Love”, o hino do Soft Cell, está remixada em uma das partes da famosa série “As Heard on Radio Soulwax”, álbuns de remixes e mashups que fez a fama do 2ManyDJs pelos festivais do mundo dos anos 2000 para cá.

Tudo em casa. Na nossa casa. Prepare-se porque, se você estiver no Ibirapuera no sábado 18 de maio de 2024 com o intuito de se divertir e até se emocionar, corre o risco de ser sua melhor noite do ano.

Abaixo, o Soft Cell cantando “Tainted Love” no verão europeu em Leicester, na Inglaterra, em um festival da Radio 2, da BBC britânica.

***
* O C6 Fest abriu hoje a venda geral de ingressos para sua edição 2024, com Pavement, Cat Power cantando Bob Dylan e mais umas 28 atrações, incluindo os dessa noite dance do dia 18/5. Compras por aqui. E mais infos gerais do festival aqui.


Beth Gibbons – anúncio horizontal interna

news

Postado por Lúcio Ribeiro   dia 08/12/2023
Beth Gibbons – anúncio quadrado interna
Editora Terreno Estranho – inner fixed mobile