Foto: divulgação
José González vai voltar a colocar novas canções no mundo. O cantor e compositor sueco anunciou “Against the Dying of the Light”, seu primeiro álbum em quatro anos e sucessor de “Local Valley”, com lançamento previsto para 27 de março. A faixa-título já saiu acompanhada de um clipe dirigido por Fredrik Egerstrand, que traduz em imagens o clima meditativo da música, e o disco traz também “Pajarito”, single revelado anteriormente. Junto com o anúncio, González divulgou uma nova leva de datas de turnê, sinalizando que esse material deve ganhar vida em palcos mais intimistas, no formato voz, violão e pequenas camadas que virou a marca dele.
Fiel ao seu estilo, González usa “Against the Dying of the Light” para falar de temas imensos com uma linguagem simples. Ele define a faixa-título como um retrato de “quem somos em 2025”, um olhar para a humanidade que tenta aceitar o caminho percorrido até aqui sem cair na fantasia de que o passado pode ser apagado. “É uma música que reflete sobre a humanidade em 2025. É sobre aceitar quem somos e o que nos trouxe até aqui, já que o passado não pode ser mudado”, explica. A partir daí, ele puxa o fio da seleção natural e da cultura, mas faz questão de marcar distância de qualquer ideia determinista. “Mesmo que a seleção natural tenha nos trazido até aqui, não precisamos fazer o que é do interesse dos genes. E mesmo que a evolução cultural tenha criado as nossas sociedades, não precisamos manter todas as narrativas se elas nos arrastam para baixo”, diz o músico, apontando para um lugar em que biologia, história e tecnologia podem ser questionadas em vez de simplesmente aceitas.
O disco também olha para o futuro próximo, especialmente para o avanço tecnológico acelerado. González fala abertamente sobre sistemas capazes de se desenhar e se copiar sozinhos e sobre a tentação de construir tudo o que é possível, mesmo quando isso pode voltar contra nós. “Mesmo que tenhamos enormes oportunidades com novas tecnologias que podem eventualmente se projetar e se copiar, não precisamos construí-las imediatamente se houver o risco de nos tornar obsoletos. Podemos nos rebelar contra esses replicadores, nos rebelar contra o apagar da luz”, afirma. Na visão dele, o álbum é, em grande parte, uma reflexão sobre “quem somos, tribos de macacos conscientes com histórias que às vezes são incompatíveis entre si e ferramentas que podem nos levar à distopia ou à extinção”.
No centro de tudo está uma crítica direta às ideologias rígidas e a quem fala com certeza absoluta sobre temas que não domina. González lamenta a influência de “caras que fingem saber coisas que não sabem” e vê nisso um dos grandes problemas do nosso tempo. Ao mesmo tempo, faz questão de lembrar que o disco não é um tratado acadêmico e pode ser apreciado só pela superfície. “O álbum pode ser ouvido apenas pelos sons, harmonias e ritmos”, ressalta. Ainda assim, ele deixa claro que as letras têm um propósito bem definido. Segundo o próprio artista, o objetivo é “inspirar as pessoas a se engajar e agir colaborando para resolver problemas coletivos, a favor do humanismo e dos valores do iluminismo e contra o apagar da luz”.
“Against the Dying of the Light”, o single que dá nome ao projeto, pode ser conferido abaixo.
“Against the Dying of the Light” – Tracklist
01 A Perfect Storm
02 Etyd
03 Against the Dying of the Light
04 For Every Dusk
05 Sheet
06 Pajarito
07 Losing Game (Sick)
08 Ay Querida
09 Rawls Slöja
10 Gymnasten
11 Just a Rock
12 You & We
13 Joy (Can’t Help but Sing)