Ainda a Chvrches em San Francisco. O que está acontecendo, Lauren?

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* Então… Anteontem teve o show do trio inglês Chvrches em Oakland, falamos algo e mostramos já por aqui. O que aconteceu no Fox Theatre, lá do outro lado da ponte, e que teve como atração de abertura a bela banda Wolf Alice, new grunge de Londres liderado pela nossa Ellie. Agora, com mais “substância” (cóf), reproduzo o texto publicado hoje pela Folha de S.Paulo, mais um dessa série “Conexão Califórnia”, que se nada der errado só termina semana que vem em Los Angeles.

Eu, como um cara que gosto de Chvrches e tive a oportunidade de vê-los outras vezes, fiquei meio, assim, digamos, passado com a “nova Lauren” e sua performance atlética. Ok, nem tão nova assim. Mas eu tinha que ter visto com meus próprios olhos. Explico, via “Ilustrada”.

De quebra, vão mais dois vídeos da segunda-feira à noite em Oakland. Um do Chvrches, outro do Wolf Alice.

Duas beldades da nova cena musica inglesa tomaram conta anteontem do palco do suntuoso Fox Theater, em Oakland, “do outro lado da ponte” para quem vai de San Francisco, um teatrão dos anos 20 no qual cabem 2800 pessoas. A noite, a segunda de nossa aventura sonora pela California, estava com ingressos esgotados.

A atração principal foi o trio escocês Chvrches, pequeno fenômeno de um certo indie eletrônico liderado pela linda Lauren Mayberry, que cresce em ação graças a sua potente voz e também por seus sapatos altos e tablados estrategicamente instalados no palco para lhe dar mais destaque. Lauren é tão bela quanto baixinha.

O Chvrches, realidade musical do Reino Unido, vive grande fase de aceitação nos EUA, muito por conta de seu segundo álbum, “Every Open Eye”, do final do ano passado. Dois shows com entradas “sold-out” há semanas no Fox Theater e o nome no alto da escalação do Coachella Festival (a banda se apresenta lá no sábado que vem) denunciam isso.

Mas esse “alcance maior” do Chvrches pode estar custando uma certa perda de identidade que a banda tinha em nome de um avanço nas vendagens de discos e ingressos. Para quem tocava até há pouco tempo em palcos alternativos, horários desfavoráveis, mas ainda assim atraía tanto indies quanto eletrônicos (várias músicas do Chvrches têm virado remixes na mão de DJs) graças a “timidez charmosa” de Lauren, quase estática atrás de um sintetizador, agora a escocesinha compete em dança aeróbica com a Kate Perry, se bobear. Corre de um lado para o outro, se joga no chão, sobe e desce do tablado. Ao fundo, uma parede de luzes jogando incessantemente azul e vermelho direto na cara da plateia.

A voz de Lauren segue honesta, o Chvrches têm várias músicas boas, mas a “performance esportiva” da vocalista às vezes atropela tudo nesse caminho que a banda está tomando, claramente uma mudança estratégica de direção que a afasta do inspirado álbum de estreia, “The Bones of What You Believe” (2013). E amplia o contato com uma cena dance regular quase comercial que tem seus shows tão “movimentados” quanto esquecíveis. Não sei quem estava mais deslocado no Fox Theater ontem? O repórter ou a Lauren Mayberry.

Ninguém prestou muita atenção, mas a banda de abertura do show do Chvrches foi o quarteto indie rock inglês Wolf Alice, liderado pela guitarrista e vocalista Ellie Rowsel, que tem tipo de top model e intercala voz doce e gritos desesperados sem mudar tanto a fisionomia.

Tocando as músicas de seu disco dèbut “My Love Is Cool”, do ano passado, o Wolf Alice produziu barulhinho bom de guitarras altas para uma plateia que aguardava mesmo a eletronice do Chvrches. Não ligaram muito para o grupo de Ellie, mas também não se incomodaram com a performance do trio, o que numa noite perdida sair com o empate foi um bom resultado.

* A foto deste post é de Zack Ruskin, do jornal gratuito San Francisco Weekly.

** A Popload está na Califórnia a convite do VisitCalifornia.

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