Blur x Oasis. Os 25 anos da batalha mais sensacional da música pop

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* São tantas nuances e reviravoltas que vamos dividir aqui em tópicos:

* No dia 14 de agosto de 1995, um quarto de século de distância de hoje, as bandas inglesas Oasis e Blur lançavam um single. No mesmo dia. O da música “Roll with It”, no caso do Oasis, “Country House”, pelo Blur.

* O entorno desta notícia é uma das coisas mais maravilhosas da música, mas pertence a um outro mundo que não existe mais. Tanto o mundo real quanto o mundo musical. Por isso cabem algumas lembranças.

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* Vivia-se à época o britpop. Em seu maior furor. Movimento cultural britânico que resgatava o orgulho inglês e da ilha toda depois de tempos nas trevas de pessoas e ideias. E, no caso da música, depois do movimento americano grunge liderado pelo Nirvana, que terminou por aniquilar a cena de Madchester do final dos 80, começo dos 90 e de umas outras cenas menores, mas frutíferas e cheias de bandas boas.

* O Reino Unido estava “swinging again”, para usar um termo que lembra um período em que a efervescência cultural e o modernismo de costumes focava particularmente em Londres na segunda metade dos anos 60, o famoso “Swinging London”. Tanto o cinema, a literatura, as artes plásticas, os museus, a dança, o teatro, o jornalismo pop. Tudo estava em evidência e cheio de sangue novo, ideias novas. Claro, a música tinha um papel essencial nessa retomada.

* E na música o britpop bombava, até ao lado do pop (Spice Girls fazendo show com a bandeira de UK). No lado mais… indie… o Oasis era até uma “banda nova”. Tinha um disco e ia lançar seu segundo dali pouco mais de um mês. O Blur já tinha três discos e uma semana antes dos Gallagher ia lançar seu quarto álbum. Mas assim…

* 1994, o ano anterior, já havia sido glorioso para as duas bandas e para o britpop em si. O Oasis tinha lançado seu maravilhoso disco de estreia, o “Definitely Maybe”, e estava há um mês de soltar o arrasa-quarteirão “What’s the Story (Morning Glory)”. O Blur já estava no rolê da música inglesa desde uns quatro anos antes e em 94 foi “adotado” forte pelo novo espírito britânico com o disco “Parklife”, coisa mais inglesa impossível. E, também, poucas semanas daquele 14 de agosto de 1995, iria lançar o quarto álbum, “The Great Escape”, outro. E aí o britpop iria para os ares. “Morning Glory” iria fazer do Oasis uma banda fenômeno, quebrou recordes, entrou muito alto nas paradas americanas (“Billboard”), um feito para um grupo inglês, e ficou três meses seguidos no número 1 do chart inglês. E o “The Great Escape”, do Blur, não só morderia de cara o primeiro lugar das paradas britânicas quanto emplacaria seu nome no Top 10 de paradas de pelo menos outros 12 países.

* Mas enfim, estamos em 14 de agosto de 1995, isso tudo ainda não aconteceu, mas o desenho estava feito. E aí as bandas marcaram a data de lançamento dos singles, nosso principal assunto, para o mesmo dia.

* Bandas grandes NUNCA marcavam lançamentos para o mesmo dia. Sempre um fugia do outro, para não dividir a “novidade” da semana: nas matérias de jornais e revistas, nas paradas, na vendagem em si e principalmente no programa de TV histórico chamado “Top of the Pops”, que trazia as bandas fazendo um playback farofa na TV aberta de todo o Reino Unido. Mas não foi o caso entre Blur e Oasis, uma tendo bronca do outra, um representando a classe operária e a molecada de rua (Oasis) e os classe média alta de boas universidades e roupas mais “arrumadinhas” (Blur). Outra tese de mestrado que vamos deixar por aqui.

* Lançamento de single, principalmente nos anos 90, também precisaria de um post gigante à parte. E não estamos falando de músicas como as de hoje lançadas como single, que é apenas uma canção colocada de graça para streaming (que não é de graça). Naquela era distante, single era capaz de vender na primeira semana de lançamento umas 250 mil cópias, se bem trabalhado.

* Mas ok, Blur x Oasis na batalha de singles, na Batalha do Britpop, como ficou mundialmente conhecida. Numa bela segunda-feira de agosto, 25 anos atrás, “Roll with It” e “Country House”, enfeitavam as gigantescas e várias lojas de discos, tocavam sem parar nas lojas, eram temas dos noticiários de TV, um inferno.

* Eu estava na Inglaterra na data, porque o Reading Festival ia acontecer naquele período e não perderia esta por nada no mundo. Fui a uma dessas lojas gigantes, desviei de algumas câmeras de TVs e flashes de máquinas que estavam lá para cobrir o evento e comprei os dois singles.

* O engraçado da coisa que, como eu, tinha muita gente comprando os dois. Porque Oasis x Blur eram rivais entre si. A galera mesma gostava das duas bandas.

* O Blur acabou ganhando “a guerra”. Vendeu cerca de 270 mil cópias de seu single, enquanto o do Oasis foi comprado por quase 220 mil pessoas. Talvez porque o Blur ali naquele ponto já era uma banda mais “consagrada” que o Oasis. Talvez porque “Country House” era mesmo melhor que “Roll with It”. Ou, talvez, porque o Blur teve a sacada de botar o seu single pela metade do preço do Oasis, a 0,99.

* Dois fatos que eu nunca me esqueço. Noel Gallagher anos depois dando seu depoimento a uma TV dizendo que aquela guerra foi muito imbecil porque as duas músicas eram ruins. Que o barulho seria mais justificado se quem estivesse em disputa nas vendas fossem “Cigarettes & Alcohol” e “Girls & Boys”. O outro é que, na semana do lançamento dos singles, enquanto esperava-se o resultado da semana das vendagens, o famooooooso tablóide “The Sun” foi a Manchester e conseguiu entrevistar a mãe dos Gallagher. Levaram um walkmen e tocaram o single do Blur para ela, que acompanhou alegrona, batendo o pezinho no chão. A manchete do jornal no dia seguinte, óbvio, era algo do tipo: “Mãe dos Gallagher adora a música nova do Blur”.

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* Esta história de Blur x Oasis está oralmente contada também no Popload:Popcast, nosso podcast que foi ao ar hoje, no Spotify.

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  • Leocádia Joana Garibaldi Pinto

    Good times…quem hoje em dia? NIN-GUEM!!!

  • Daniel Silveira Lopes

    aí eles vão tocar no TOTP e o Alex James usa uma camiseta do Oasis…

  • Leocádia Joana Garibaldi Pinto

    Provocações kkkkkkkkkkkkkk