Cauteloso, mas ainda intenso: mais um show do Faith No More em São Paulo

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* Em meio ao auê do Rock in Rio, algumas bandas estão aproveitando sua vinda ao Brasil para tocar em outras cidades. É o caso do Faith No More, que não poderia deixar São Paulo de fora, claro. Com histórico de shows inesquecíveis na cidade, a turma de Mike Patton tocou no Espaço das Américas esgotado na noite de ontem para mostrar o novo disco “Sol Invictus”. O poploader Fernando Scoczynski marcou presença e conta suas impressões de mais um show do FNM para o público paulista.

Mike Patton faz barulho no Espaço das Américas. (Fotos: Júnior Lago/UOL)

Mike Patton faz barulho no Espaço das Américas. (Fotos: Júnior Lago/UOL)

É possível contar o número total de shows do Faith No More no Brasil? Desde a reunião oficial da banda, é a terceira passagem deles pelo país: primeiro, no festival Maquinária, em 2009, e novamente no SWU de 2011, ambas as vezes como headliner. Adora, na véspera de seu show no Rock In Rio (não como headliner), a banda “encaixou” um show em São Paulo no Espaço das Américas. Restava a incógnita: seria um show diferente, ou algo similar ao que já foi apresentado aqui?

Toda banda em reunião, com disco novo, passa por um certo teste. O seu setlist tem que incluir o material novo e equilibrá-lo com o antigo, sem levar o público ao tédio com as músicas “desconhecidas”. Faith No More, apresentando o bom disco “Sol Invictus”, passou nesse teste. “Motherfucker”, que abriu o show, já veio muito bem recebida, com a plateia cantando toda a música. Intercaladas por músicas já bem conhecidas, vieram “Superhero”, “Separation Anxiety”, “Sunny Side Up” e “Matador”, todas se saindo relativamente bem. Mas não conseguiam chegar à altura de uma “Midlife Crisis”, é claro.

Aliás, é de surpreender ver a reação a “Epic”, momento “é a nossa música, meu!” do show (metade da plateia nasceu depois do lançamento do single, mas tudo bem). Continua sendo um hino, independentemente de quantas vezes a banda a toque no Brasil. “Ashes to Ashes”, “The Gentle Art of Making Enemies”, “Caffeine”, todas tocadas várias vezes aqui, todas bem recebidas. A surpresa foi a inclusão de “The Crab Song” e “Chinese Arithmetic”, duas raras faixas do disco Introduce Yourself (1987), da era pré-Mike Patton, que deixaram boa parte da plateia meio perdida – apesar de serem boas músicas em si.

No aspecto técnico, os músicos continuam irretocáveis. Nem uma nota errada, precisão absoluta em todas as batidas. É um show quase perfeito, no papel, trazendo tudo o que qualquer fã normal esperaria. No entanto, comparando o show às duas últimas passagens da banda por aqui, este foi menos descontraído e teve menos improvisação por parte de Mike Patton. Nenhuma música estendida por 10 minutos, nada de Mike descendo na plateia, e um coro de “porra caralho” mais comportado que o normal. Legal foi um momento em que Mike Patton perguntou se a plateia preferiria ouvir Caetano Veloso, recebeu um “vá tomar no cu” de uma pessoa na plateia, e trocaram insultos amigáveis por alguns segundos.

Com menos de uma hora de show, já começou o papo de “this is our last song” – que óbvio que não era. Mas mesmo assim, o fim veio antes de esperado, com cerca de 1h20 de show. Foi um intenso, preciso, e bem-executado, sem nada a cortar do setlist. Não deixou a desejar, de forma alguma, mas, comparado aos shows do Maquinária e SWU, poderia ter sido um pouco mais.

SETLIST
Motherfucker
Land of Sunshine
Caffeine
Everything’s Ruined
Evidence (Portuguese version)
Epic
Sunny Side Up
Midlife Crisis
Chinese Arithmetic
The Gentle Art of Making Enemies
Easy
Separation Anxiety
Matador
Ashes to Ashes
Superhero

The Crab Song
From Out of Nowhere
I Started a Joke

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