CENA – Aqui e agora, o longo alcance da música independente em quatro lançamentos: Jup do Bairro, JP, Fresno e Hiran

1 - cenatopo19

* Se fôssemos dar conta de TUDO o que tem sido produzido na CENA nacional, pegando o recorte de lançamentos e atividades de uma semana para cá, teríamos que fazer uns 200 posts, o que ainda não é possível por aqui.

Então, vamos dar uma focada aqui numa partezinha gigante do que aconteceu nos últimos dias na cena independente brasileira classe.

* JUP DO BAIRRO – Um dos grandes discos do ano, ainda que um EP, liquidificador de referências que refletem todo nele a riqueza de estilos da música brasileira hoje, a multiartista Jup do Bairro vai se descolando de suas amarras para brilhar ir brilhando sozinha. Sozinha mas cheia gente em volta. À meia-noite desta segunda-feira, Jup estreou seu vídeo-single “Pelo Amor de Deize”, música com participação de Deize Tigrona, vídeo com participação de uma galera (Likiner, Gaby Amarantos e grande elenco). A faixa, roqueira, de guitarras, surpreendentemente reflete um passado adolescente metal das duas, tanto da rapper quanto da funkeira. Foi a Jup que falou para a gente. “Pelo Amor de Deize”, a ótima música do EP “Corpo Sem Juízo”, tem produção de Badsista. O vídeo, com roteiro e direção criativa co-assinada por Jup do Bairro, é uma parábola de “trans-formação” de Jup desde o momento desacreditada e sozinha com sua condição travesti, negra, gorda e periférica no Capão Redondo até levantar da cama para dar a volta por cima e conquistar cada vez mais espaço nas artes e no “centro” da cidade grande. Tudo com a bênção da Santa Deize. Que fase da Jup!

* FRESNO – No fim de semana, depois de avisos nas redes, Lucas Silveira botou para rodar uma música nova e especial da Fresno, “Broken Dreamns”, com um celebrado vídeo mostrado no Twitch, Igtv e Youtube. A porrada foi gravada no ano passado, pré-lançamento do álbum “transformador” “Sua Alegria Foi Cancelada”, lançado há alguns meses. Representa uma volta atemporal do Fresno ao som que mais se aproxima de sua pegada emo antiga e menos dos sinais de mudanças que o novo disco trouxe. E traz uma participação internacional, de Jason Aalon Butler, da banda rapcore americana Fever333, o que faz a música ser bilíngue, para acomodar os berros do convidado. A participação foi à distância. A canção foi pensada sem Jason e foi filmada no Rio no ano passado. Após o convite, o roqueiro americano gravou sua participação em seu celular e a mandou para ser inserida no vídeo. Ficou assim:

* JP – Sexta-feira foi lançado o primeiro single da nova fase do “puro-indie” mineiro JP em direção à… sofrência: “Chorei Dendê”. JP, que lançou em 2016 seu primeiro álbum “Submarine Dreams”, todo em inglês, andou indo à Bahia se encontrar com o amor e voltou todo tropicalista e cantando em português. São as voltas que este mundo e esta CENA dão. É sofrência mas tem uma alegria. Retoma um caminho que a banda Holger fez lá atrás, de misturar rock e vocais urbanos à ritmos baianos, ainda que de guitarras. “Chorei Dendê” é o primeiro de uma série de músicas do tipo que o então rapaz indie-rocker pretende mostrar ainda neste 2020 transformador por si só. Mas a ideia, ao que parece, não necessariamente passa pelo lançamento de um álbum. E, sim, de uma coleção de singles. A ver.

* HIRAN – Também na última sexta saiu o single-vídeo novos do rapper baiano Hiran, “Gosto de Quero Mais”. A música é do segundo álbum dele, “Galinheiro”, lançado semana passada e traz a participação no violão de Tom Veloso, da famosa família musical brasileira que o acolheu artisticamente em suas evoluções e variações sonoras desde o disco-manifesto de estreia “Tem Mana no Rap”, da época em que vivia em Alagoinhas, no interior da Bahia. Hiran é a ponte das duas regiões mais significantes hoje na CENA: a Bahia e o Rio de Janeiro. E isso reflete no clima alto-astral do vídeo de “Gosto de Quero Mais”.

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