Deve ser verdade! A rara banda canadense Godspeed You! Black Emperor parece vir mesmo ao Brasil em novembro, em show único já quaaase esgotado. Não deve ser sonho

A esta altura do campeonato (não da Copa, e sim do nosso “campeonato de shows no Brasil”), os ingressos para a apresentação da banda canadense Godspeed You! Black Emperor, anunciado para acontecer em São Paulo em novembro pela Balaclava Records, podem já estar esgotados. Quando este post começou a ser escrito, nesta terça, as vendas estavam em seu último lote e saindo “em ritmo acelerado”.

Qual é o frisson aqui para essa procura para um show de uma banda dessa aí de baixo e que está relativamente longe de ocorrer?

Alguns. Para começar, o lendário coletivo canadense, formado lá nos anos 90 em Montreal, faz no Brasil em 23/11 seu primeiro e único show no país. A vinda inédita da talvez “maior entidade do post-rock mundial” encerra então uma espera de três décadas dos fãs do grupo, que surpresos já nem contavam mais com esse “acontecimento”.

Se alguém me dissesse no começo dos anos 2000 que o Godspeed You! Black Emperor tocaria em um palco paulistano, sem ser de repente num festival indie do nível do Balaclava Fest ou mesmo tipo numa milagrosa Virada Cultura, eu provavelmente diria para você maneirar no hype.

Porque o GY!BE sempre foi uma espécie de mito intangível. Eles não dão entrevistas convencionais (são raras, coletivas e por e-mail), quase não têm fotos oficiais e baniram suas músicas das grandes plataformas de streaming. Não é definitivamente o tipo de banda que se comove com o “PLEASE COME TO BRAZIL”, até porque pelo menos eu não tenho conhecimento que eles mantêm redes sociais próprias.

Mesmo operando totalmente nas sombras, o anúncio do show na Audio pulverizou os ingressos, esgotando quase todos os setores nas primeiras 24 horas de venda, segundo a Balaclava. O público fiel sabe que não se trata de um show comum, mas de uma experiência audiovisual que costuma ser marcante, onde a banda toca no escuro guiada por múltiplos projetores analógicos de 16mm exibindo loops de filmes, enquanto executa suas músicas ao vivo.

Desde que se formou em 1994, o GY!BE moldou o que conhecemos como música instrumental moderna e post-rock. Bem na época em que o rock apontava para outros caminhos, mais gritados e, por que não, mais com um teen spirit mais estridente. Nessa, o grupo canadense surgia como uma resistência social e política .

Mas o GY!BE não vive apenas de passado. A turnê que desembarca em São Paulo promove o aclamado nono álbum de estúdio, o denso e explícito “NO TITLE AS OF 13 FEBRUARY 2024 28,340 DEAD”. O título do trabalho carrega uma postura humanitária urgente, referindo-se diretamente ao número de mortos na Faixa de Gaza até aquela data.

Em uma era dominada por faixas curtas feitas sob medida para o TikTok, o Godspeed se recusa a acelerar. Eles continuam entregando instrumentais de 15 a 20 minutos que exigem paciência, atenção. Ver essa catarse ao vivo na capital paulista é, sem dúvida, um dos eventos mais simbólicos para a música independente no ano. Deste e de todos os mais de 30 anos antes em que a banda não veio para cá.

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