Lá se vai mais um dos nossos ídolos: aos 58 anos, morre o genial Daniel Johnston

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Gênio da raça musical, cantor, compositor, desenhista e artista (no sentido literal da palavra) americano, o também complexo Daniel Johnston nos deixou aos 58 anos.

Ele, herói das nossas vidas e também ídolo de outros ídolos que já partiram, tipo Kurt Cobain e David Bowie, admirado pela galera do Sonic Youth e do R.E.M., para fazer um recorte bem pequeno, sofreu um ataque do coração e não resistiu.

Sempre lutando para se libertar de seus refúgios corporal e mental, Johnston abrilhantou o Popload Gig no ano de 2013, quando fez um show histórico no Beco, em São Paulo, numa noite de 26 de abril.

Naquele show, ele estava bastante inquieto, chegou na casa muito carrancudo e nervoso, não quis jantar antes, mudou o script da turnê sul-americana na ordem das músicas, quis no começo subir no palco sozinho (o que para ele é desaconselhável) no primeiro contato com o público e tudo. As primeiras duas músicas foram difíceis. Nervoso, tremia incontrolável. Mas aos poucos engatou e fez um lindo show, com a ajuda de uma banda indie paulistana formada especialmente para acompanhá-lo. Terminou feliz. Até bis deu.

Johnston é ídolo lado-b de várias gerações que, como forma de homenageá-lo, costumam cravar seu famoso sapo cósmico na pele, tipo este que vos escreve. O mesmo sapo cósmico que é chapado em um muro-ponto-turístico na esquina da 21st com a rua Guadalupe, em Austin, onde há 8 anos o próprio Johnston fez um show improvisado e inesquecível.

johnstonaustin

O norte-americano, que por anos precisou conviver com sua esquizofrenia braba e com seus demônios, lançou seu último disco, “Yip Eye, Space Ducks: Soundtrack”, em 2012, embarcou em sua turnê final no ano de 2017. Um dos últimos registros daquela época é uma session rara e tocante feita para a rádio californiana KCRW, esta abaixo.

Johnston era tão herói às avessas que a cidade de Austin, em 22 de janeiro de 2018, o homenageou com o “Hi, How Are You?” Day.

Nascido em Sacramento em 22 de janeiro de 1961, Johnston agora descansou e deixou com a gente a mensagem de que existe beleza até na fragilidade.

RIP.

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