Para tudo! Já temos o nosso Slaves. E com nome bem melhor: Jota Quércia

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David Bowie quem? A sexta-feira, 8 de janeiro, será marcada pelo lançamento de um disco que já vai dar o que falar. Nem é o “Blackstar”, se é o que você está pensando. Vem de Minas Gerais, precisamente da capital Belo Horizonte, a primeira boa notícia do indie nacional em 2016. A começar pelo nome gozado: Jota Quércia.

A banda de dois é formada pelos músicos Paulo Souza (Malibu) e André Persechini (Gigopepo). Os dois cantam e tocam bateria e guitarra, bebem na fonte do punk rock, possuem letras algo engajadas, falam de política, mas não levam nada a sério.

O primeiro disco do duo é “Nossa Relação É Estritamente Profissional”, tem 9 faixas, entre elas a sugestiva “Luciano Huck Eu Te Amo”, e traz na capa uma ilustração de André tendo como protagonistas Neymar e Galvão Bueno. “O disco se chama ‘Nossa Relação é Estritamente Profissional’, aí me veio a ideia do Galvão segurando o Neymar como Maria segurou Jesus. Me pareceu legal na hora”, justifica Gigopepo.

O atípico nome Jota Quércia surgiu da “união do pop-funk-rock-suave do ex-governador de São Paulo Orestes Quércia e as políticas conservadoras e anti-populares da banda mineira Jota Quest”, costumam dizer. Um dos nomes iniciais para o projeto era Preto Sólido, uma alusão e contraponto ao… White Stripes.

Amigos de longa data, a dupla integrou outras bandas antes desta parceria. “Eu e o Malibu tocamos juntos desde 2002. A gente tinha uma banda chamada Lendas Urbanas quando éramos adolescentes e em 2007 fizemos o Cães do Cerrado com a mesma galera, todos amigos desde do começo dos anos 2000. Aí o Cães acabou por conta de trabalho, casamento, filhos e etc. Então eu e o Malibu resolvemos tocar só nós dois e fizemos o Jota Quércia ano passado. Fizemos só um show e meio desde que começamos”, conta Gigopepo, se preparando para o segundo show inteiro do duo, nesta sexta-feira, em BH, para lançar o disco.

Influenciado por bandas como Clash, Ramones e Bad Religion, e com um pé no ska, o Jota Quércia divulgou o disco na íntegra em seu canal no bandcamp. “Graças a essas bandas que temos essas letras e referências que contêm críticas (quase sempre direcionada à direita e aos movimentos conservadores), mas bem humoradas porque falar sério é chato pra caralho”.

O primeiro single, por exemplo, remete ao famoso político gaúcho José Maria Eymael, que se candidatou diversas vezes à presidência da República, mas ficou famoso pelo seu jingle “um democrata cristão”. A referência está até no título da faixa: “Eymael e seus Democratas Cristãos”.

Assim como a capa, o vídeo foi editado pelo duo. Um do it yourself genuíno e que promete fazer barulho.

O álbum foi produzido pelo músico Fernando Bones, baixista da banda Aldan. Entre as 9 canções, o Jota Quércia destaca três:

* “Eymael e seus Democratas Cristãos” – por sua contundente e bem humorada não-crítica ao candidato à presidência pelo PSDC (além da chance de usar seu cativante jingle num show de rock).

* “Roda Viva” – é a versão musicada do clássico debate entre Orestes Quércia e um jornalista cujo nome não nos demos o trabalho de descobrir no programa da TV Cultura em meados de novamente não nos importamos o suficiente para descobrir o ano.

* “Luciano Huck eu te Amo” – uma linda canção sobre caridade, amor e beijo gay. Estrelando o mais popular apresentador de TV que todos amamos odiar, porém secretamente queríamos que ele desse um jeito na nossa casa e nos nossos corações.

* Os detalhes do show de lançamento em BH, nesta sexta, abaixo.

JOTA QUÉRCIA
Dia 8 de janeiro, sexta, às 22h
Local: Autência (Rua Alagoas, 1172 – Savassi)
Outras atrações: Grupo Porco de Grindcore Interpretativo e Glórios Tarcisios
Ingressos: R$ 15 antecipado e R$ 20 na portaria

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