Popload na Copa. O indie-pop na Rússia – Parte 1

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* O correspondente em Brasília da Popload, o intrépido Eduardo Palandi, é também “nosso homem na Rússia”. Ou nos “assuntos russos”. Até porque ele esteve em Sochi no ano passado, mas hoje está mais perto da embaixada russa em BSB do que de Moscou.

Mas já pensando no Mundial e na Popload, Palandi, em Sochi, há poucos meses, deu uma checada a quantas anda o pop russo (Sdds, t.A.T.u.). Numa primeira parte de um especial sobre o indie-pop do Putin, a gente monta por aqui a real oficial trilha sonora do Mundial 2018.

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Com o interesse brasileiro pela Rússia alcançando seu maior nível desde a chegada do strogonoff (Бефстроганов) ao Brasil, nos anos 70, alguns podem ficar com uma curiosidade na cabeça nestes tempos de Copa: mas e o pop russo? Em outubro passado, a Popload esteve em Sochi, cidade às margens do Mar Negro escolhida pela seleção para se concentrar e uma das sedes da Copa. Evidentemente, saber um pouco sobre o pop russo, ou cantado em russo, era uma das missões por lá. Longe de esgotar o assunto, este post traz algumas coisas interessantes sobre a história do pop na terra do Zabivaka.

Até por volta de 1988, a URSS tinha forte censura com o pop. Não apenas de letras, mas de arranjos: se fosse ocidentalizado demais, nada feito. Quando o país se desintegrou, a Rússia se viu com um pop que não ia além de canções folclóricas do período czarista ou de músicas patrióticas do comunismo. A censura pegou até o “Trololo” do barítono Eduard Khil, cuja letra era “americana demais”. Um dos primeiros nomes a surgir, ainda nos anos 80, foi o Mumiy Troll (foto acima), de Vladivostok (aquela cidade do War, perto do Japão), na ativa até hoje:

Durante boa parte da década de 1990, o pop russo tinha muito do pós-punk inglês dos anos 80. A forte crise econômica, que está na raiz do sucesso interno de Vladimir Putin hoje, criou na região um clima semelhante à deprimida Manchester de 1983. Nesse período, surgiu o Agata Kristi (sim, homenagem à escritora e foto na chamada da home da Popload), que tinha, entre seus letristas, Vladislav Surkov, futuro assessor de Putin (!!!):

No final da década, o clima ficou mais leve: nessa época, apareceram Bi-2 (formado em Minsk, capital da Bielorússia), Zemfira e até uma banda de ska, o Leningrad, que hoje lota estádios:

Depois de um tributo a Agatha Christie nos anos 90, a década de 2000 viu surgir, em Nijny Novgorod, uma banda chamada Uma2rman – sim, lê-se “Uma Thurman”, e eles têm uma música que conta um encontro com a atriz musa do “Kill Bill”.

Toda essa turma moldou o “pop clássico” russo, ao qual se dedica uma das maiores rádios do país, a Nashe, que organiza todo ano o Nashestvie, um enorme festival, em Zavidovo, a 120km de Moscou. Dá para ouvir a Nashe online.

Na segunda parte deste especial, a Popload falará um pouco sobre o pop russo (e da região) nos dias de hoje.

*** Colaboraram Olga Demyanchuk, Guilherme Schneider, Ruan Nunes e uma galera russa da Rosatom Brasil

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