Silêncio… A incrível Kim Gordon lançou um novo álbum de meia horinha. O mais eclético e desafiador de sua linda carreira, talvez

A deusa Kim Gordon, eterna musa e força da natureza do Sonic Youth, acaba de lançar “Play Me”, um dos discos mais aguardados deste início de ano. Ícone absoluto do rock alternativo, eterna referência de atitude, invenção e vanguarda, a artista apresenta agora seu terceiro álbum solo, dando sequência a uma fase criativa que parece cada vez mais afiada, livre e provocadora.

O novo trabalho chega na esteira do ótimo “The Collective”, lançado em 2024, disco que recolocou Kim em destaque entre os lançamentos mais comentados da música independente recente e ajudou a transformar sua passagem pelo Brasil no ano passado em um dos momentos mais especiais do calendário da Popload.

Desde o anúncio de “Play Me” a expectativa vinha crescendo, especialmente depois da chegada de “Not Today”, primeiro single do álbum. A faixa, carregada daquela estranheza elegante que sempre orbitou o universo de Kim Gordon, veio acompanhada de um vídeo de clima artístico e desconcertante, com a cantora dançando, performando e brincando com a própria imagem como só ela sabe fazer. Era um belo sinal de que vinha coisa boa pela frente.

Agora, com o disco enfim entre nós, fica mais claro que “Play Me” amplia a pesquisa sonora que Kim vem desenvolvendo em sua obra solo. O álbum aposta menos no protagonismo das guitarras e mais na força das batidas, dos loops e das texturas, sem abandonar o ruído, a tensão e o senso de deslocamento que sempre fizeram parte de sua assinatura. Mais uma vez, ela trabalha com o produtor Justin Raisen, parceiro importante também em “The Collective”, aprofundando essa mistura de rock, eletrônica, colagem pop e pulsação urbana que dá ao disco um ar contemporâneo, nervoso e ao mesmo tempo muito particular.

Com duração enxuta (meia horinha) e impacto imediato, “Play Me” soa como um álbum feito para capturar o espírito do presente com inteligência, ironia e alguma dose de desconforto, observando o mundo com um olhar clínico, transformando política, tecnologia, saturação digital e cultura pop em matéria-prima para uma música que não tenta agradar.

É ela, histórica, com 72 anos e energia de 27. Maravilhosa!

Circuito #06 – quadrado interno 01
Terreno Estranho GAIA quadrado interno 02
+um tour horizontal fixo interna