TOP 50 DA CENA – Primeiro lugar do nosso ranking é rap indígena. Don L chega mudando tudo. Mulungu chega fazendo esperar. Mahmundi e Thunder seguem quentes. Que ranking!

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* Outra semana bem recheada de lançamentos. São oito novidades, se contamos certinho. Boas novas musicais de Ceará, Recife, Salvador, São Paulo. No caso de São Paulo, de uma aldeia indígena da capital!!! Isso é muito bom e mostra a grandeza variada da nossa CENA.

Isso dito, fica difícil tirar da lista algumas músicas que já consideramos as melhores do ano. Será que alguém já reparou nessas nossas favoritas? Elas estão por aí na lista, nas playlists.

A nossa recomendação de sempre: olhar menos as posições do ranking cujo único critério é como e o quanto escutamos as músicas assim que as recebemos, trombamos com elas ou vamos atrás, na nossa eterna pesquisa musical. Olhar mais, ouvir mais, mesmo, as viagens da nossa playlist, nesse panorama diverso e bonito que ela cria, até incidentalmente, revelando uma magnitude global incrível. Ou local, até. Que seja para você como é para nós: um passeio de horas pela melhor CENA musical do mundo, ou sem qualquer dúvida a mais ampla.

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1 – Kunumí MC – “Xondaro Ka’aguy Reguá (Forest Warrior)” – (Estreia)
Kunumi MC é o nome artístico de Werá Jeguaka Mirim, índio de uma aldeia em Parelheiros, zona sul de São Paulo, a Krukutu. Ele é o primeiro rapper solo indígena do Brasil. Sua nova música fala sobre um guerreiro que nascerá das águas e “levará o seu povo a uma nova existência” após os anos de tanta exploração dos homens brancos. E, para além dos conceitos oportunos, que música emocionante!
2 – Don L – “Kelefeeling” (Estreia)
Don L não quer só mudança. Esqueça o abstrato. Ele propõe a mudança. É a mudança. A vida é a obra, certo? Em um verso livre, opta em não repetir vícios até na forma de organizar a letra no Rap Genius, na escolha dos produtores, de quem faz o vídeo. O novo jogo não pode contar com as velhas regras, talvez nem ser chamado de jogo. No limite da contradição, ele deve estar certo. Kelefeeling de volta.
3 – Thunderbird – “A Obra” (2)
Parece Morphine cantado por um adolescente louco. E talvez esssa afirmação seja mais literal do que parece. Afinal, estamos falando do querido Luiz Thunderbird, eterno e-VJ, já eterno agitador das várias mídias novas. Das almas mais apaixonadas por música. seja falando sobre ou aqui, em plena ação. Sabedoria e punk rock em doses corretas faz muito bem. E um disco inteiro ainda está por sair. Oba!
4 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (1)
Em seu mais recente disco, Marcela Mahmundi encontra em velhos timbres um som que é totalmente novo. Seja para ela, seja para o mundo. Novo mundo. O que é o violão dessa faixa? Gravado em fita, ele transporta a gente aos anos 60, 70, enquanto todo o resto nos deixa em 2020. E bem acompanhados por Mahmundi, arrepiando em termos de voz e letra. Uau!
5 – Mulungu – “No Ar” (Estreia)
Boa nova de Recife, com um cheiro de Natal. O projeto Mulungu, formado pelos pernambucanos Jáder e Guilherme Assis com o potiguar Ian Medeiros, é um promessa. Primeira amostra do tripo, que ainda neste 2020 turbulento vai chegar com o disco de estreia que já estamos esperando bastante.
6 – Giovani Cidreira e Mahal Pita – “Mago de Mim Mesmo” (Estreia)
A união de duas forças da música brasileira desse potencial variado só poderia dar em boa coisa. Uma bela decupagem das tradições e modernidades do som baiano, da canção caetânica ao hip hop e o trap.
7 – Jair Naves – “Irrompe” (4)
Single de um disco que está interrompido por “motivos óbvios”, de acordo com o compositor, a faixa é uma reflexão dos novos tempos. Em um mundo zuado, qual a nossa responsabilidade com os problemas? O quanto nos permitimos ir além de um script imaginado por outras pessoas? Esta forte canção, “dramática” com todas as boas características que envolvem uma música de Jair Naves, foi feita no ano passado. Se já fazia sentido em 2019, imagina agora no meio disto tudo?
8 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (5)
“Mudou Como?” pode ser lida como uma música sobre um relacionamento que desandou e que ainda mexe bastante com os personagens. Quando Rico avisa que a música é sobre os “trágicos efeitos da ordem colonial”, os sentidos da letra se ampliam para muito além de um relacionamento qualquer. Precisamos ouvir e reouvir a música, uma produção de Mahal Pita pesadíssima.
9 – Black Pantera – “I Can’t Breath” (8)
Uma música emergencial para tempos emergenciais. A frase que marca os assassinatos de tantos jovens negros pela polícia é lembrada pela banda em um vídeo tão simples como forte. Letra seca, direta ao ponto, sob a égide do metal.
10 – TARDA – “Breath” (6)
Sara Não Tem Nome, Júlia Baumfeld, Victor Galvão, Paola Rodrigues e Randolpho Lamonier formam este belo supergrupo de poucas canções lançadas, mas de ótimas canções lançadas. “Breath” é pura delicadeza e realmente serve de respiro no aperto em dias complicados. Sabe quais?
11 – ÀIYÉ – “Pulmão” (7)
12 – Silva – “Aquele Frevo Axé” (ao vivo) (9)
13 – Vanguart – “Encontro Adiado” (10)
14 – As Bahias e a Cozinha Mineira – “Forasteira” (3)
15 – Wado – “Nina” (Estreia)
16 – The Raulis – “Distante Desejo” (Estreia)
17 – Lila – “Lunação” (Estreia)
18 – Felipe Cordeiro – “Arrasta Pra Cima” (Estreia)
19 – ATR – “Qué Tá Mirando?” (11)
20 – Arthur Melo – “Tempo Após um Contratempo” (12)
21 – Abc Love – “Catwalk” (13)
22 – Sessa – “Sereia Sentimental” (14)
23 – Os Amanticidas – “Paisagem Apagada” (15)
24 – Jup do Bairro – “All You Need Is Love” (16)
25 – Gustavo Bertoni e Vivian Kuczynksi – “Louder Than Words” (17)
26 – Carne Doce – “A Caçada” (18)
27 – Tagua Tagua – “Inteiro Metade” (19)
28 – Meu Nome Não É Portugas e Apeles – “Eterno Azul” (20)
29 – Tatá Aeroplano – “Alucinações” (21)
30 – Tagore feat. Boogarins – “Drama” (22)
31 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (23)
32 – Edgar – “Carro de Boy” (24)
33 – Douglas Germano – “Valhacouto” (25)
34 – Rincon Sapiência – Quarentena (28)
35 – Ava Rocha e Los Toscos – “Lloraré Llorarás” (29)
36 – YMA – “No Aquário” (31)
37 – Taco de Golfe – “Nó Sem Ponto II” (34)
38 – Kiko Dinucci – “Veneno” (35)
39 – Clarice Falcão feat. Linn Da Quebrada (37)
40 – Duda Brack – “Pedalada” (38)
41 – Rohmanelli – “Toneaí” (39)
42 – Jhony MC – F.A.B. (42)
43 – Cícero – “Às Luzes” (43)
44 – Febem, Fleezus e CESRV – “Terceiro Mundo” (44)
45 – Djonga – “Procuro Alguém (45)
46 – Letrux – “Déjà-Vu Revival” (46)
47 – Vovô Bebê – “Êxodo” (47)
48 – Tuyo e Terno Rei – “Eu Te Avisei” (48)
49 – Troá! – “Bicho” (49)
50 – Luedji Luna e Zudzilla – “Proveito” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o rapper Don L.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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