
“Se eu tivesse que resumir, eu diria que este disco é meio como um museu moderno montado com coisas que fui encontrando pelo caminho”, conta o cantor e compositor Getúlio Abelha diante da provocação sobre a inspiração de “Autópsia+”, lançado nesta quinta-feira com cinco faixas inéditas e duas bônus, expandindo para álbum o EP “Autópsia”, lançado no final do ano passado.

O nome do trabalho do artista piauiense hoje paulistano talvez cause repulsa, mas não se engane. Em sua mesa de autópsia, Getúlio dá vida a suas investigações. Seja ao encontrar novas identidades para as pessoas no buraco da vida (“Brincadeira do Ossinho”) ou amalgamando o flow do funk com brega e forró (“Zepinguelo”). Forró, aliás, que Getúlio faz questão de querer manter bem vivinho e atualizado ao testar todas as possibilidades do gênero com ritmos e timbres mais jovens. Da maneira que Gilberto Gil encontrou Jimi Hendrix em Luiz Gonzaga, Getúlio percebe que ali também cabem Madonna ou Prince ou Raye.
Tudo isso sem abrir mão da espontaneidade. “Eu não costumo começar um trabalho fazendo grandes pesquisas ou estudando um tema específico. São memórias, imagens, músicas, sensações que ficam na cabeça e acabam entrando no processo. Meu trabalho funciona muito mais como uma colcha de retalhos do que como um projeto super planejado”, explicou.

Mesmo assim, Getúlio abriu para a gente parte do leque de inspirações, achados e lugares que estão em “Autópsia+”. Confira abaixo:
“Quando vi esse trabalho, ele acendeu uma chave visual na minha cabeça. A partir dele surgiram as cores e até a ideia da cena inicial do vídeo de “Freak”, além de vários visualizers da primeira parte do álbum, que foi lançado no ano passado.”
“A vida em São Paulo também teve um peso grande nesse processo. A cidade me trouxe muitas coisas ao mesmo tempo: agito, noite, música eletrônica, funk, mas também desânimo e solidão. Tudo isso acabou influenciando o clima do disco.”
“Depois, já pensando na continuação, ‘Autópsia+’, o Rio de Janeiro entrou nessa história também. Estar lá me deu um certo alívio emocional em relação a São Paulo, e muitas letras e ideias do álbum surgiram enquanto eu estava na cidade.”
“Musicalmente o disco passeia por muitas referências. Algumas que me vêm à cabeça são Chico Science, Calcinha Preta, Charlie Brown Jr., Depeche Mode, Kraftwerk, Zezo, Prince, Pinduca, Luiz Gonzaga, Katy da Voz e as Abusadas, Aviões do Forró, Metronomy, Marina Sena, Caviar com Rapadura, Zé Vaqueiro, Pink Floyd, Limão com Mel, Madonna, Raye, além de ritmos como cumbia e várias coisas do forró.”
“Longas de horror e suspense também ficaram rodando no meu imaginário durante o processo de elaboração do disco. Não como referência literal, mas como clima mesmo. Eu gosto dessa sensação meio estranha, meio misteriosa, que aparece às vezes nas imagens, nas capas e nos vídeos.”
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* A foto de Getulio Abelha que ilustra este post é de Luan Martins.