Virando a chave na vida, Courtney Barnett está de volta com primeiro disco em cinco anos

Foto: Peyton Fulford/The Guardian

Courtney Barnett inaugura uma nova fase com “Creature of Habit”, seu quarto álbum de estúdio, um disco que transforma instabilidade em impulso e faz da transição seu tema central. Depois do tom mais contido de “Things Take Time, Take Time”, lançado em 2021, a talentosa australiana surge agora em um trabalho mais vibrante, mais afiado e com mais atitude, sem abrir mão da autocrítica e da honestidade que sempre marcaram sua escrita.

Em entrevista ao The Guardian nesta semana, Barnett explicou que o disco nasceu de um momento de virada pessoal e criativa. “Parecia o fim de um capítulo, e então o capítulo seguinte começou sem que eu realmente percebesse por completo”, disse. Essa sensação de estar entre fases, sem muita estabilidade, atravessa o álbum desde a abertura com “Stay in Your Lane”, faixa que já apresenta alguém tentando entender o próprio deslocamento enquanto segue em frente.

Boa parte dessa mudança ganhou forma no período em que Barnett passou em Joshua Tree, no deserto da Califórnia, onde encontrou espaço para fazer barulho, reorganizar ideias e mergulhar em novas referências. Uma delas foi Georgia O’Keeffe, artista por quem ela desenvolveu fascínio durante o processo. 

“Havia algo tão doce e simples nesses pequenos vislumbres da vida diária dela”, contou, ao lembrar das imagens da pintora em meio à cozinha, às ervas e ao jardim. Esse olhar para o cotidiano também ajuda a explicar a atmosfera do disco, que trata hábito e transformação como forças que coexistem.

O título do álbum vem de “Mantis”, música que demorou anos para se resolver e só encontrou seu caminho quando Barnett teve um pequeno estalo no deserto. “Eu estava sozinha, me sentindo particularmente perdida, e vi um pequeno louva-a-deus. Pareceu um sinal estranho e bonito do universo”, disse. A imagem acabou se tornando a chave da faixa e, de certo modo, do álbum inteiro: um trabalho sobre confiar na intuição mesmo quando tudo parece embaralhado.

“Creature of Habit” traz aquela bagunça criativa deliciosa da australiana e pode ser conferido abaixo.

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