Top 10 Gringo – A semana está boa demais, com as novas de Jack White, Interpol, Soft Cell, Mike D…

Em uma semana de poucos grandes álbuns lançados, quem saiu na frente foram os singles. Vem muito discão por aí: Jack White, Interpol, Kelela, Ibeyi, o grande Mike D e até o Soft Cell em seu último ato! 

As duas pedradas lançadas por Jack White em abril eram parte de um plano maior: seu sétimo álbum solo. Carregando o mesmo nome de sua primeira exposição de esculturas, “Frozen Charlotte” chega no dia 10 de julho. Gravado com sua atual banda de apoio, um trio com baixo, bateria e teclados, a tendência é um Jack mais pé no chão – crítico, ácido e garageiro. “Dollar Bill” entrega isso, pelo menos. 

“Danceteria” será o último álbum do estimado ex-duo inglês Soft Cell – chega em setembro. Com a morte de Dave Ball no final do ano passado, Marc Almond até segue tocando o barco ao vivo, mas avisa que não escreverá mais músicas como Soft Cell. “Não posso sem o Dave”, avisa junto com o anúncio deste último ato. Nesta despedida, a ideia é relembrar os anos 1980, momento em que a dupla chega da Inglaterra aos Estados Unidos e encontra um ambiente bem mais quente que a dureza dos anos Thatcher, um cenário que modificou sua música. Esta “Danceteria” descreve esses dias – ouvir Madonna pela primeira vez nas pistas, encontrar DJs e descobrir várias outras possibilidades nas pistas de dança da fervida Nova York da new wave e tudo mais. Say Hello, Wave Goodbye.  

Por falar em NUEVAYoL, o Interpol chega com novo trabalho em agosto. “This Mirror Weighs a Ton” será o primeiro disco de Paul Banks e companhia pela Partisian, após uma vida todinha na mítica Matador. A capa, um lustre formado por câmeras de segurança, e o título do álbum indicam preocupações com a tecnologia e a hipervigilância via celular – será uma coisa “meio Black Mirror”? Talvez. Ou pode ser só sobre vaidade. No fim, coisas parecidas, não é? Mas o que interessa: talvez seja a música mais foda do Interpol em vários anos.  

Agora é oficial, os singles de Mike D até aqui formaram um álbum solo, finalmente. “Thank You”, a volta do beastie boy ao rolê, chega em agosto com a despretensão possível de quem já correu bastante e entendeu que o barato não é a linha de chegada, mas a diversão no longo processo de criação. Ele se divertiu e espera que façamos o mesmo. Pode deixar, Mike! 

Nascidos na Suíça com raízes latinas, mais precisamente do Equador, os Hermanos Gutiérrez estão sempre de olho nos sons e paisagens de seus ancestrais. O ambiente escolhido da vezes são os Andes. “’Canto Andino’ evoca a paisagem que nos inspirou. É uma carta de amor à América do Sul”, explica Alejandro Gutiérrez. Difícil não se emocionar com o caminhar melódico da faixa instrumental. É um passeio mesmo. A música estará em “Los Ojos Del Condor”, previsto para setembro. 

Ainda no campo de duos latinos, os mexicanos Rodrigo Y Gabriela foram até Tóquio para registrar o álbum “OurHome”, outro lançamento que chega em setembro. O primeiro single é “Monster”, um instrumental transitando entre o violão acústico e guitarra elétrica e uma percussão forte martelando uma história sobre crime. O vídeo da música promove o encontro da dupla com o mangaká Naoki Urasawa. Autor de “20th Century Boys” e “Monster”, Urasawa é fã dos mexicanos.    

“Offerings”, próximo álbum das irmãs Lisa-Kaindé e Naomi Díaz, parece ser um retorno às origens, ao essencial. Em “Asset”, primeiro single, fomos apresentados às vibrações dançantes, “Offerings”, faixa-título, apresenta um aspecto mais espiritual/religioso promovido pela reconexão. A oferenda aparece tanto no sentido de troca e respeito quanto como símbolo de aceitação das dores da vida, em especial o coração partido – a vida fica mais completa quando não negamos o que sentimos. 

Após dois singles com toques de rock, a cantora etíope-americana Kelela experimenta com o drum n’ bass e o garage em uma letra sobre a artimanha dos homens para sobrecarregar as mulheres com os cuidados todos, inclusive os emocionais. “E estou exausta demais para chorar”, canta kelela pedindo um pouco de compreensão do parceiro, ou será tarde demais. Em um mês, “New Avatar”, o álbum novo, estará entre nós. Vem um discaço, parece. 

Com a morte do baterista Jeremiah Green, o guitarrista e vocalista Isaac Brock se tornou o único membro original do Modest Mouse na hora de gravar o oitavo álbum da banda. “An Eraser and a Maze”. Poderia ser o momento de um álbum triste, mas o autor de “Float On” sabe bem que as boas notícias estão sempre a caminho e foi atrás delas em canções que não deixam de refletir sobre quão fudido está o mundo de hoje. We’ll all float on anyway, well. 

Sofie Royer segue encantando a gente. A jovem artista californiana, de origem austríaca e iraniana de formação erudita, atinge seu quarto álbum, “before/after”, mais pop do que nunca. Pop sem abandonar as nóias e esquisitices. O tema do álbum tem o bom humor de ser uma provocação dela com ela mesmo a partir da noção que a gente pode dar quantas voltas quiser no tema, porque no fim é sempre nós contra nós mesmos. Perceba isso antes que seja tarde, viu? 

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* Na vinheta do Top 10, o guitarrista Jack White. Quer dizer…
** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix

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